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Burlas online aumentam no 1º trimestre do ano

Continuam a aumentar os casos de burla em meio online em Portugal. Uma análise do Portal da Queixa revela que, no primeiro trimestre do ano, foram registadas 1.313 reclamações. Trata-se, por isso, de um crescimento de cerca de 20% quando comparado com o mesmo período de 2023, em que foram registadas 1.095 queixas

Segundo os dados analisados, a maioria das denúncias reportadas está relacionada com casos de compras em lojas online. Os consumidores queixam-se de ter comprado um produto que não chegaram a receber, tendo ficado sem resposta e sem o reembolso do dinheiro. 

Além disso, a análise destaca as categorias mais reclamadas. O maior volume, que recolhe 42.5% das denúncias, está nas categorias Compras, Moda e Joalharia. Seguem-se as áreas da Beleza, Estética e Bem-Estar. 9,4% das queixas estão relacionadas com esquemas fraudulentos na categoria Hoteis, Viagens e Turismo

Os dados indicam que quase dois terços das reclamações sobre burlas em e-commerce aconteceram com mulheres. A faixa etária em que houve uma maior participação de denúncias é dos 45 aos 54 anos.

Mais de 25 mil reclamações em 2023 por burlas online

Em 2023, o Portal da Queixa recebeu perto de 25 mil reclamações relacionadas com burlas online, um crescimento de 37%, em relação ao ano anterior. 

A maioria das queixas relatava alegados esquemas, nos quais os consumidores ficaram sem o produto, sem resposta e sem o valor pago. O valor estimado de prejuízo resultante de burlas reportadas ultrapassou os cinco milhões de euros.

1 em cada 3 alunos apresentam sinais de sofrimento psicológico

No âmbito do Plano de Recuperação das Aprendizagens 21|23 Escola +, o Ministério da Educação apresentou o estudo Observatório Escolar: Monitorização e Ação | Saúde Psicológica e Bem-estar, uma iniciativa inédita que permitiu concluir que uma fração significativa da população escolar (um terço dos alunos e cerca de metade dos professores) está em situação de sofrimento e mal-estar emocional. 

Estes resultados são apoiados pela investigação levada a cabo pela Escola Superior de Enfermagem de Coimbra que, no âmbito do Programa + Contigo, avaliou a presença e a severidade de sintomas depressivos numa população de adolescentes em meio escolar e verificou que 32,2% dos adolescentes apresentam depressão e, destes, 17,7% apresentam sofrimento de sintomatologia grave. Também a Universidade de Évora e a Universidade Nova de Lisboa (que estudaram, respectivamente, alunos do ensino superior e docentes) obtiveram resultados numa direção semelhante, com a depressão (7%) a apresentar-se como uma das doenças mais mencionadas pelos estudantes universitários que tinham algum diagnóstico mental e com 60% dos 15 mil docentes estudados a sofrer de exaustão emocional. Finalmente, num artigo por Diogo Costa et. alia, estudou-se a presença de sintomas depressivos em crianças do 1º ciclo do ensino básico, sendo possível associar esses sintomas a fatores como o local de residência e características individuais.

A prevenção e a deteção precoce de doenças como a depressão nas crianças e adolescentes é uma conclusão comum dos estudos referidos, medidas que poderão ser necessárias para evitar o insucesso tanto no ensino como na aprendizagem, uma vez que, de acordo com a Ordem dos Psicólogos, os jovens com perturbação mental estão em maior risco de apresentarem problemas como absentismo, retenção escolar, más notas e mesmo o abandono escolar.

Artigo escrito em colaboração com Raquel Lopes

Imagem: Pixabay

Prémios Play: o artista nomeado para várias categorias

No passado dia 2 de Abril, foram divulgados os 50 nomeados para os Prémios Play – Prémios da Música Portuguesa. Este evento anual, que se tornou um marco na indústria musical do país, está pronto para destacar os talentos mais brilhantes e as produções musicais mais notáveis do último ano. Com 14 categorias, não só destacam os melhores artistas do ano, como também os melhores álbuns, melhor videoclipe e ainda artista revelação. Para além disso, há também Prémio Crítica e Prémio Carreira, que serão apenas anunciados no dia 16 de Maio.

No entanto, os Prémios PLAY não se tratam apenas de reconhecer os artistas já estabelecidos. Uma das características mais emocionantes deste evento é a sua capacidade de destacar novos talentos e tendências emergentes na música portuguesa. Assim como o Prémio Lusofonia, que destaca músicas cantadas em português, mas não produzidas por portugueses. E ainda os Prémios Play estendem-se a vários géneros musicais, como o Fado e o Jazz, a partir dos prémios Melhor Álbum Jazz e Melhor Álbum Fado.

Nomeado para 3 categorias diferentes

Com 14 categorias, na 6ª edição dos prémios, há um artista em destaque: Slow J, cujo impacto na cena musical portuguesa revela-se notável. Não só está nomeado para Melhor Artista Masculino e Melhor Álbum, mas também para Vodafone Canção do Ano.

Ainda que tenha o mesmo numero de nomeações que Pedro Mafama, Slow J teve um acentuado crescimento nos últimos tempos. Em Março deste ano, esgotou por duas vezes o Altice Arena. No final de 2023, lançou também um novo álbum intitulado “Afrofado”, uma representação da sua herança africana, em conjunto com as suas raízes portuguesas. Quando foi  lançado, “Afrofado” tornou-se o álbum nacional mais ouvido de sempre no primeiro dia.

No dia 16 de Maio, no Coliseu dos Recreios, em transmissão em direto na RTP 1, RTP Internacional, RTP Africa, RTP Play e Antena 1, decorrerá a gala onde serão revelados os vencedores de cada categoria. E saberemos quantos prémios o Slow J levará para casa.

Portugal Legislative Elections 2024: results and analysis

In Portugal, the legislative elections took place two years earlier than expected. The country went to the polls last Sunday, March 10, and more than 10.8 million voters were called to choose the 230 deputies who will sit in the Assembly of the Republic (AR).

1. Democratic Alliance (AD)

With the support of 29.49% of the Portuguese – and a small advantage over the Socialist Party – the Democratic Alliance won a narrow victory and 79 seats. It was a long election night and projections pointed to a possible technical tie between the two. However, the coalition – made up of the Social Democratic Party (PSD), the CDS-People’s Party (CDS-PP) and the Monarchist People’s Party (PPM) – seems to have convinced the Portuguese.

Calling for “Ambitious and Realistic Change in the Portuguese Economy”, as shown in the electoral program, Luís Montenegro defined some priorities for the legislature, for example increasing salaries, reducing taxes, resolving the crisis in the housing sector and introducing a more competitive economy. With the announcement of these measures, he managed to get the Social Democrats ahead of the PS, which then became Portugal’s second largest political force.

2. Socialist Party (PS)

Later, after the projections dictated AD’s victory, Pedro Nuno Santos congratulated the coalition and noted that “the PS will be the opposition”. Proposals such as improving salaries and incomes, valuing health professionals and changes to the IRS earned the Socialist Party the vote of 28.66% of citizens.

Behind the Socialists, the extreme right followed, with Chega winning the title of third political force. The party led by André Ventura won the trust of one million Portuguese – more or less – and was considered the big winner of election night, as it quadrupled its number of deputies to 48.

3. Chega

Under the slogan “Clean up Portugal”, the election campaign was based on priorities such as corruption control, reversing the abolition of the Foreigners and Borders Service (SEF) and constitutional revision. The discontent of the portuguese people was, accordingly to political scientist André Freire, the reason why Chega won the most votes in the Faro constituency. He called it, as shown by Agência Lusa, “a high volume protest vote”.

4. Liberal Initiative (IL)

Rui Rocha’s goal was to elect 12 deputies, but the 5.08% of votes allowed him only to keep 8 deputies in the Assembly of the Republic. The party head has denied the possibility of a rapprochement with Chega and, more recently, has also decided that he will not make a deal with the Democratic Alliance. In these early parliamentary elections, the liberals proposed, for example, the privatization of TAP, a reduction in taxes and an increase in buying power, as well as less bureaucracy in the housing sector.

5. Left Bloc (BE)

As happened previously – in 2022 -, the party coordinated by Mariana Mortágua has kept the same number of deputies. On the left of the parliamentary bench there will be 5 representatives of the party to defend the anti-capitalist ideology. Reducing the weekly emergency medicine hours, setting a limit on tuition fees and bringing an end to golden visas were some of the BE’s proposals for the 2024 legislative elections.

6. Unitary Democratic Coalition (CDU)

The election night didn’t bring the best news for the coalition between the Portuguese Communist Party (PCP) and the Ecologists “Os Verdes” (PEV). While in 2022 they elected 6 deputies, this year the voters turned the tables, allowing only 4 to be elected. Although the result was not encouraging, and considering AD’s victory “a negative factor”, Paulo Raimundo highlighted that “the workers and the people can count on the CDU”.

7. Livre

With a total of 199,888 votes, the party headed by Rui Tavares managed to go from 1 to 4 deputies. In these elections, the left-wing libertarians made the eradication of poverty, the fair and equitable distribution of wealth in the country and the transparency of Portuguese justice their priorities.

8. People-Animals-Nature (PAN)

Spokesperson Inês Sousa Real’s goal was to increase the party’s representation in the Assembly of the Republic. However, for now, she will be the only one with a parliamentary seat.  Although PAN won more votes – approximately 30,000 more than in the 2022 elections – it has not yet managed to form a parliamentary bench. Ensuring climate neutrality by 2045, increasing the supply of affordable housing and regulating the euthanasia law were some of the proposals for the legislature.

 

To clarify, the results of the lesgilative elections are not yet complete. This happens because the emigrant votes are not yet known. The count is expected to take place by the end of Wednesday, March 20.

Hoje não há notícias

Hoje não há notícias.

O jornalismo faz-se de pessoas. Seres humanos que procuram, com o esforço do seu trabalho, com horas de investigação e análise dos factos, trazer conteúdo que seja rigoroso, verdadeiro, de confiança e, sobretudo, que informe os leitores.

O jornalismo não é uma profissão como as outras. É certo que usa da técnica para desenvolver um trabalho de qualidade, mas o verdadeiro propósito do jornalista não é criar um produto sexy: é trazer a verdade.

O jornalismo é um instrumento fundamental para a democracia. Pessoas mais informadas fazem escolhas melhores. Apoiar o jornalismo é, por isso, contribuir para uma sociedade livre, plural e tolerante.

Na TejoMag fazemos um esforço por reconhecer o trabalho dos nossos jornalistas, ajudando-os a levar a cabo o seu ofício, com autonomia e isenção. Fazemo-lo porque acreditamos nos nossos jornalistas e porque queremos valorizar a sua profissão.

Ser jornalista, nos dias de hoje, já não representa uma carreira profissional atraente. Dir-se-ia mesmo que o jornalista move-se, já quase exclusivamente, pela paixão pela verdade. 

Os desafios que o Jornalismo enfrenta são vários. Todos podemos fazer algo mais para dignificar esta profissão. Hoje não há notícias para que possamos, cada um e coletivamente, pensar como podemos salvar o Jornalismo, neste dia de Greve dos Jornalistas.

Imagem: Danya Gutan (Pexels)

A banalização da literatura

Enquanto alguns entendem isto como mais uma maneira de proporcionar maior acessibilidade à leitura – afinal, um número crescente de pessoas está a desenvolver hábitos da leitura, em parte, graças aos influenciadores digitais –, por outro lado, poderá parecer que o ato de ler, em específico, e a literatura, no seu todo, estão a sofrer uma certa banalização.

O primeiro ponto de vista apresentado acima defende que as obras cuja prosa (ou verso) são de mais fácil compreensão e abordam temas interessantes a um grande número de pessoas, ganharão uma vasta quantidade de leitores. Quem trabalha oito horas por dia e chega a casa para limpar fraldas, tirar blocos de lego da boca das crianças e fazer-lhes o jantar, não terá tempo, paciência e, sobretudo, interesse, em ler uma obra densa, que exija do leitor a maior atenção aos detalhes.

Na verdade, qualquer pessoa que procure apenas uma forma de evasão da realidade e escolheu a literatura como meio para alcançar esse objetivo, há-de optar, com frequência, por uma história que o cative desde a primeira página e descreva clara e distintamente – isto é, sem palavras difíceis – ódios tamanhos que se tornam em amores ainda maiores – expresso por frases como “Diz-me agora quem te fez isso”, bem como detalhadas cenas de sexo – feiticeiros e fadas no campo de batalha, intrigas políticas que colocam o destino dos adorados protagonistas em jogo, revoluções, jogos de vida ou morte, etc. Contudo, quem diz isto pode tanto estar a falar de Hunger Games (Suzanne Collins) como de After (Anna Todd). 

O Smut

No que concerne, em específico, à emergência do smut (livros que apresentam cenas de sexo explícitas), surgem outras questões, tais como: será que estes livros podem ser considerados “verdadeira” literatura ou serão mera pornografia? O que, por sua vez, implica a questão: livros pornográficos ou eróticos fazem parte daquilo a que chamamos “literatura”? Quem coloca questões dessas não deve ter lido ou estudado os grandes clássicos: o Decamerão, por exemplo, é um grande livro constituído por inúmeras histórias de caráter erótico, uma das quais tem lugar num convento e um dos nossos grandes poetas, Bocage, é famoso pela sua poesia erótica.

Todavia, existe distinção entre erotismo e pornografia — em linhas gerais, pode dizer-se que a diferença central se encontra no intento do autor, isto é, se o objetivo principal de uma dada obra é proporcinar prazer de índole sexual. O consenso geral é que o erótico tem lugar na literatura, mas o pornográfico não (do mesmo modo que ninguém afirma que os filmes do PornHub são obras cinemáticas).

A verdade é que um número impressionante de pessoas que nunca se interessaram por leitura durante toda a sua vida, de repente criam nos seus quartos bibliotecas quase exclusivamente constituídas por smut, começam a passar noites inteiras com livros nas mãos, compram Kindles, apaixonam-se por fanarts de personagens, etc.

De acordo com as respostas de duas leitoras ávidas deste género literário, as cenas mais quentes constituem uma mistura entre o pornográfico e o erótico. Segundo uma das leitoras, “dá para perceber melhor o plot e as personagens; por exemplo, no livro que estou a ler agora a protagonista está com gajo que não tem nada a ver com ela. Também torna a história mais interessante”.

Mas… então ser-se um leitor é banal? Ler é só mais uma atividade como qualquer outra? Talvez seja possível afirmar que ser “leitor”, no sentido geral, está agora pouco ou nada relacionado a uma vida refletida, a cultura ou mesmo a capacidade de concentração por extensos períodos de tempo, pois estes livros seriam quase que uma espécie de fast-food literário – é popular, acessível, de rápida ingestão e o único sabor vem do molho.

Alguns chegam a declarar que a literatura está, de certo modo, a ser diminuída a uma mera forma de entretenimento comparável a telenovelas, sem qualquer necessidade de reflexão ou profundidade, cujo artifício é irrelevante e o enredo será esquecido no preciso momento em que os ventos que governam o booktok (TikTok sobre livros) mudarem de direção. Contudo, tanto os leitores de Dostoievski como os de S.J Maas concordam que o ato de ler exige mais concentração do que o de ver um filme ou uma série e, no caso dos fãs de ACOTAR com quem tive contacto, apenas o empreendem por não existir uma alternativa audiovisual (embora alguns destaquem a imersão na história que consideram única à leitura).

Tanto os “romances cor-de-rosa” como os que simplesmente tiveram a sorte – e o azar –  de se terem tornado estrondosamente populares desde sempre foram fortemente criticados. Durante os séculos XVIII e XIX, obras hoje consideradas parte do cânone da literatura mundial foram relegadas ao título de “romances de mulheres/meninas”, isto é, não constituíam a literatura “séria” (na qual se incluíam autores obscuros, livros científicos, filosóficos ou de ficção, mas que pertencessem ao cânone literário da época) estudada, é claro, única e exclusivamente por membros do sexo masculino, de inerente superior inteligência ao feminino, segundo os preceitos destes séculos. 

Dickens e Machado, pela sua popularidade, eram vistos como pouco mais que autores de revista (isto porque, há uns dois séculos, era usual escrever obras capítulo a capítulo e publicá-las em jornais ou revistas), indignos da “alta literatura”. O Amante de Lady Chatterley (D. H. Lawrence), foi censurado em múltiplos países pelo seu – escasso – conteúdo sexual. Lolitta (Vladimir Nabokov) foi banido por apresentar cenas de pedofilia e sexualizar uma menor. Gustave Flaubert foi levado a tribunal, porque a sua Madame Bovary ia contra os preceitos morais judaico-cristãos (spoiler alert: a protagonista que dá nome ao livro cultiva casos extra-conjugais). A lista continua. 

O que se quer dizer com tudo isto é que a literatura, popular ou obscura, reflete a vida, mesmo sob os olhos de dragões. Sexo faz parte da vida; naturalmente, será utilizado por artistas dos mais variados meios para demonstrar e descrever tópicos que vão desde o amadurecimento das personagens e o desenvolvimento dos seus sentimentos, até a adentrar na mente de um predador, pelo que o smut não é novidade nenhuma.

Descobrir o bairro da Mouraria através de várias culturas

Run Jiang, de origem chinesa, uma das guias do projeto, encontra-se no Largo de São Domingos, o ponto de encontro,  para mais uma visita guiada. Num pequeno dossiê traz pedaços da sua história e do seu país. Como os participantes a quem vai dar visita, – os alunos de português da Fundação Cidade de Lisboa – Run, de 36 anos, também se mudou para Portugal. Apesar do seu português ser exemplar, o passeio pela Mouraria foi em inglês. A sua ligação com o país começou mais cedo, quando partiu da China para a Europa para estudar e conheceu o seu marido, de nacionalidade portuguesa.

Há oito anos a viver em Portugal, faz por manter as tradições da sua cultura no seio da família. Ensina a filha a falar e escrever mandarim e, sempre que pode, cozinha pratos tradicionais chineses. É já habitual em todas as visitas que faz, começar por explicar a bandeira do seu país e recordar a sua terra natal. 

Pelo percurso já traçado e perante uma plateia de diversas idades, desta vez com migrantes vindos das Filipinas, do México, da Tailândia, do Panamá, da Argentina, do Peru, do Irão, da Rússia, do Egipto, da Austrália, da Argélia, do Nepal, da Índia, do Bangladesh e dos Estados Unidos da América, vai recordando o país de origem e fazendo pontes com o património histórico e cultural do bairro da Mouraria.

A igreja de São Domingos foi o primeiro local visitado. Ali começou a purga dos judeus massacrados pela Inquisição, relembrou Run. Daí foram para a Praça do Martim Moniz. No seu dossiê tem uma foto guardada para a ocasião: em posição de meditação, Run, ainda criança, celebra o budismo com um ar sorridente e despreocupado. Mais uma vez, a guia fala de religião, discutindo com os alunos da Fundação Cidade de Lisboa algumas práticas religiosas pertencentes à cultura muçulmana, ligada àquele espaço.

Em frente à Capela de Nossa Senhora da Saúde, Run chama a atenção para os vários dialetos presentes no toldo da Farmácia Mouraria, representativos da variedade cultural do bairro. O Centro Comercial, com grande variedade de lojas, produtos típicos de inúmeros países é um local no qual se integram todas as culturas dos guias ativos do projeto. Pelo menos três guias são do Bangladesh, o que para Carla Costa, coordenadora do Migrantour, é significativo da “dinâmica do território com as suas comunidades asiáticas”. A Mouraria é representativa dessa variedade cultural. “Um dos objetivos da Associação Renovar a Mouraria, criada há 15 anos por um grupo de moradores, é revitalizar o desenvolvimento local. Apesar de ser no centro da cidade, sempre foi um bairro com estigma. Um gueto”, explica. O projeto Migrantour criado em Turim em 2011 e implementado em 2015 em Lisboa, pretende “abrir o bairro, convidar a um lado B do turismo, numa cidade cada vez mais turistificada. É uma tentativa de desterritorializar e, ao mesmo tempo, educar. Criar uma narrativa paralela ao turismo de massa”, prossegue Carla Costa.

O Migrantour “não pretende ser full time, mas sim conciliável com outras atividades profissionais que os guias têm”, conclui. Em Portugal, Run continua com a sua carreira artística, promovendo várias exposições dos seus trabalhos, sendo sempre que possível guia no projeto. 

Como na Mouraria a música não pode faltar, o percurso acabou junto à casa de Severa, numa última celebração da cultura chinesa, com uma canção tradicional.

O “favorito” que caiu em desgraça

Questionado pelos jornalistas sobre as eleições internas no Partido Socialista, o Presidente da República (PR), Marcelo Rebelo de Sousa, deixou bem claro quem é o seu preferido: António Costa.

Num volte face inesperado, Marcelo Rebelo de Sousa admitiu que preferia que António Costa “tivesse ficado”. Após uma legislatura a ameaçar utilizar a “bomba atómica”, o Presidente colocou o ónus no primeiro-ministro demissionário. “Quem tomou a decisão foi António Costa, não fui eu. Ele é que decidiu sair, não fui eu. Ele é que me comunicou que se ia embora”, assinalou.

A resposta de Marcelo, disfarçada de elogio, surge após as recentes declarações de António Costa à CNN. Numa entrevista ao canal televisivo, o primeiro-ministro considerou que a crise política era evitável e acusou Marcelo de fazer uma “avaliação errada” e de contribuir para a instabilidade política.

À margem dos problemas reais, a tensão entre as duas principais figuras do Estado foi reprovada pela maioria dos quadrantes políticos, que consideram a deterioração das relações entre Belém e São Bento um obstáculo à reputação e funcionalidade do país.

Nem bom vento, nem bom casamento

Esta picardia institucional não é de agora. O mal-estar começou em 2021, durante a pandemia da Covid-19. Na sequência de um cansaço coletivo, o Presidente da República antecipou-se a António Costa e descartou a possibilidade de retrocesso no desconfinamento. No auge do verão, Marcelo assegurou ser necessário confiar na vacinação, mesmo com o aumento do número de infetados.

“Virámos a página, já não voltamos atrás”, disse Marcelo aos jornalistas. Visivelmente incomodado, Costa retorquiu que ninguém, incluindo o Presidente, podia “garantir que não se voltava atrás” no desconfinamento. Questionado sobre este jogo de poder, Marcelo foi direto, afirmando que, “por definição, o Presidente nunca é desautorizado pelo Primeiro-ministro”.

A relação azedou após a divulgação da lista de ministros do último Governo. Indagado pelos jornalistas sobre se esta divulgação poderia ter prejudicado a relação entre São Bento e Belém, Costa foi taxativo ao responder que não. “A fuga não veio de mim, não veio do meu gabinete, não veio de ninguém que dependa de mim”, reiterou. A partir daí, a relação deteriorou-se significativamente.

Embora inesperada, a maioria absoluta do Partido Socialista prometia estabilidade e reformas. No entanto, este ciclo político ficou marcado desde o início por um aviso público que, em retrospetiva, parece premonitório.

Durante a tomada de posse do XXII Governo Constitucional, o Presidente da República colocou Costa entre a espada e a parede. Em tom de reprimenda, Marcelo dirigiu-se diretamente ao seu antigo aluno: “deram a maioria absoluta a um partido, mas também a um homem, vossa excelência, senhor primeiro-ministro, um homem que, aliás, fez questão de personalizar o voto, ao falar de duas pessoas para a chefia do Governo”.

“Agora que ganhou, e ganhou por quatro anos e meio, tenho a certeza de que vossa excelência sabe que não será politicamente fácil que esse rosto, essa cara que venceu de forma incontestável e notável as eleições possa ser substituída por outra a meio do caminho”, sublinhou. Costa discursou logo a seguir, mas optou por não responder à provocação. Todos os partidos da direita ecoaram a mensagem.

O intervalo de tempo entre a declaração do Presidente e a queda do Governo é exatamente de um ano e 8 meses. Este período, marcado por uma série de controvérsias envolvendo os governantes, alcançou o seu ponto mais crítico quando António Costa recusou a demissão de João Galamba, contrariando a vontade presidencial.

No final, nem o voto popular, nem a mão firme de Marcelo foram capazes de impedir a demissão de Costa, dando razão aos mais pessimistas. Com o apoio do próprio Presidente, especula-se sobre uma possível ida de Costa para a Europa. No final de contas, o favorito sai, mas com um “brilhozinho nos olhos”.

Pristina e Belgrado, um nó górdio diplomático

Embora tenham passado relativamente despercebidas, as palavras de Zelensky durante uma conferência de imprensa conjunta com a presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, lançaram um alarme assustador: “Prestem atenção aos Balcãs. Acreditem em mim. Estamos a receber informação”. Um mês após um tiroteio entre a polícia albanesa e três atacantes sérvios no norte do Kosovo, Zelensky alerta que a desestabilização dos territórios da antiga Jugoslávia faz parte dos planos de Vladimir Putin para desviar as atenções da guerra na Ucrânia e enfraquecer a Europa. Durante 20 anos, Portugal integrou uma missão da NATO para ajudar a manter a paz e suspender as hostilidades no território. Se as previsões do presidente ucraniano estiverem certas, os esforços dessa operação podem ter sido em vão.

Neste braço de ferro, ambas as partes descrevem Portugal como um aliado importante na preservação da paz política internacional. Este mês, em visita oficial a Portugal, a presidente do Kosovo, Vjosa Osmani, afirmou que existe “potencial para aprofundar” as relações entre os dois países, uma ideia partilhada pelo representante oficial do país em Lisboa, Ylber Kryeziu. Em entrevista ao Diário de Notícias, o embaixador destacou a existência de um “interesse crescente na intensificação da cooperação bilateral em todas as áreas”. “Consideramos que Portugal tem uma voz importante nas organizações regionais e internacionais, bem como nos fortes laços políticos e económicos com muitos países”, sublinhou.

“Hoje, Portugal continua a ser uma importante voz de apoio e de interesse pelos processos democráticos e de reforma do nosso país na via da integração euro-atlântica, da liberalização de vistos e do reforço da posição do Kosovo no quadro das relações multilaterais e da plena integração no sistema internacional”, lê-se no site oficial da República do Kosovo.

Do outro lado da barricada, os sérvios também veem Portugal como um elemento apaziguador, pelo qual estão muito “gratos”. Este reconhecimento deve-se, em parte, à vontade de integrar a União Europeia, onde Portugal conseguiu construir a sua reputação como um país sensato e moderado.

“Infelizmente”, diz a embaixadora sérvia Ana Ilic, “as atividades (da UE) estão reduzidas a acalmar as tensões e a prevenir a violência causada pelas ações unilaterais de Pristina, em vez de resolver problemas essenciais”. Num artigo de opinião publicado este ano pelo Diário de Notícias, a embaixadora da Sérvia em Portugal acusou Pristina de manter a minoria sérvia “sob pressão constante” e numa “atmosfera de medo e incerteza”.

Ao reconhecer a independência do Kosovo em 2008 e apoiar a aspiração da Sérvia em integrar a União Europeia, levanta-se a questão: estará Portugal sujeito a acusações de ambiguidade política em caso de um conflito regional? A TejoMag tentou obter uma posição oficial, contactando o Ministério dos Negócios Estrangeiros, mas não obteve qualquer resposta. A situação atual exige de Portugal, e por extensão da União Europeia, uma gestão diplomática cuidadosa, com o objetivo de manter a harmonia nas relações internacionais e evitar qualquer mal-estar entre as partes envolvidas.

Vizinho bom, vizinho mau

Há cerca de um ano, António Costa afirmou que o “reforço da relação entre a União Europeia (UE) e o conjunto dos países Balcãs Ocidentais é de extrema importância”. Embora Portugal já não atue militarmente, participa num programa de atribuição de fundos para enfrentar a crise energética, uma deficiência criada pela invasão russa da Ucrânia. Deste grupo de países, apenas a Sérvia e a Bósnia não aplicaram sanções à Federação Russa.

Frequentemente apontado como um barril de pólvora, o Kosovo é considerado por vários especialistas como o calcanhar de Aquiles da Europa. Segundo a revista National Interest, foi precisamente a presença da força conjunta KFOR (da qual Portugal fez parte), que salvaguardou a integridade da maioria albanesa e impediu a Sérvia de perseguir os seus interesses no território. “Como candidata à União Europeia desde 2012, e parte do programa Parceria para a Paz da OTAN desde 2006, a Sérvia sabe que iniciar uma luta com a KFOR seria extremamente imprudente”, afirma a publicação. A mesma fonte levanta a possibilidade de uma aproximação dos EUA à Sérvia para esvaziar a influência russa no território, o que poderia deixar o povo do Kosovo à deriva, sem apoio.

Embora esteja longe de ser consensual, uma parte significativa dos relatórios e análises internacionais aponta a Rússia como o principal instigador do conflito. De acordo com o Conselho Europeu de Relações Internacionais, a estratégia usada pela Sérvia assemelha-se muito à usada pela Federação Russa na Ucrânia, especialmente no que diz respeito à exaltação de um discurso revisionista. Este discurso é apoiado na ideia de um “mundo sérvio”, uma das principais correntes nacionalistas que pretende anexar os territórios da Croácia, Bósnia-Herzegovina, Montenegro e Kosovo.

Após dois anos de guerra (1998-1999) e oito anos de negociações (2011-2018), não há qualquer resolução à vista. Segundo a revista Foreign Policy, o impasse entre Pristina e Belgrado expôs a fragilidade da UE. Ao longo deste ano, a Comissão Europeia tentou normalizar a relação entre os dois países, mas sem sucesso. A “intransigência” de ambos os lados, segundo a revista norte-americana, “deveria preocupar a UE por uma série de razões”, começando pela falta de autoridade, que certamente beneficiará a Rússia.

O Kosovo, uma região que a Sérvia reivindica como o berço da sua nacionalidade, proibiu a minoria sérvia que vive no norte do país de votar nas eleições sérvias que se realizarão no dia 17 de Dezembro. Esta posição mereceu a reprovação da Comissão Europeia para os Negócios Estrangeiros, que afirmou que a decisão “não está em conformidade com o espírito do diálogo” e com “o princípio de proteger os direitos das comunidades minoritárias”. Esta posição reflete a animosidade entre as partes e deixa em aberto uma ferida que a Europa parece não conseguir sanar.

The Elf on The Shelf: the tradition that spreads the magic of Christmas

All over the world, more and more families are embracing the American tradition of “The Elf on The Shelf”. This phenomenon, full of fantasy and lots of fun, has taken center stage on social media and is delighting kids and adults alike. This spy elf, the main character in an enchanted children’s book, has become a symbol of the magic that defines the festive season.

The story

It all started with a book written by Carol Aebersold and her twin daughters Chanda Bell and Christa Pitts. Published for the first time in 2005, it tells the story of special spy elves sent by Santa Claus to monitor children’s behavior during the festive season. According to the narrative, these magical beings inform the North Pole every night about each family’s adventures and keep Santa updated, helping him to manage his list of well-behaved children.

The arrival of the Elf

The tradition begins with the arrival of the elf at a family home. Most of the time, the parents stage the elf’s arrival in a creative way, fostering the idea of enchantment among the youngsters. The elf is supposed to appear after Thanksgiving and remain in each house until Christmas Eve, embarking on night journeys to the North Pole to deliver reports to Santa Claus.

The Elf’s adventures

One of the most captivating aspects of “The Elf on The Shelf” is the ingenious or funny game that this magical being gets up to every night. Every morning, he finds himself in a different location, often funny and unexpected, placed by each household’s adults. The game appeals to the imagination, but the official website offers various ideas, some more sophisticated and others to do at the last minute.

Encouraging good behavior

A key element of the tradition is the idea that the elf is always observing everything around him, encouraging the children to be on their best behavior. The perspective of the elf telling Santa what he sees in each house adds an element of excitement, as the children strive to secure their place on the coveted list of well-behaved children.

Social media phenomenon

Everyone’s most original side has been put to the test and the internet is proof of that. “The Elf on The Shelf” is already a trend on social media due to thousands of families sharing their pranks. Platforms such as Instagram, Pinterest and TikTok are full of photos and videos showing creative scenarios to create for the elf, inspiring a community to participate.

“The Elf on The Shelf” helps families create memories, spreads magic and adds an extra layer of enchantment to the festive atmosphere. It has become a tradition that undeniably brings a lot of smiles and fun