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A empresa EASE veio à WebSummit analisar a possibilidade de mover a sede para Lisboa

A TejoMag esteve à conversa com Oleksandr Kytsenko, CEO da EASE, uma empresa de software ucraniana cuja sede em Kharkiv se encontra temporariamente encerrada pela ameaça das bombas russas. Todos os colaboradores foram obrigados a trabalhar remotamente e a empresa procura uma nova localização. Portugal está no topo das escolhas, em comparação com Madrid (Espanha) ou Londres (Reino Unido). “Estivemos agora com alguns ucranianos a viver em Portugal e disseram-nos que Lisboa é fantástica”, começou por dizer.

WhatsApp%20Image%202023-11-14%20at%2015.28.05 A empresa EASE veio à WebSummit analisar a possibilidade de mover a sede para LisboaOlek vive, hoje em dia, em Barcelona e quase todos os seus colaboradores, ucranianos, vivem em partes diferentes da Europa: “a pandemia de COVID-19 e a Invasão da Rússia acabaram por despertar em nós a urgência de movermos o nosso negócio para outra localização e criar um regime de trabalho totalmente remoto”.

Em Portugal desde sábado, para participar na WebSummit, Olek está a avaliar ativamente todos os aspetos da cidade e perceber se este ecossistema empreendedor e tecnológico é o mais adequado para a nova sede da EASE. “Nunca vi o Oceano na minha vida, em Lisboa podemos ver o mar e estar numa grande cidade europeia ao mesmo tempo. As pessoas aqui são muito simpáticas e este tipo de eventos demonstra a popularidade de Lisboa no meio tecnológico”.

Jovens ucranianos vieram para Portugal e “não sabem qual será o seu futuro”

A 23 de fevereiro de 2022, milhões de ucrianianos adormeceram em paz e acordaram, na manhã seguinte, com a sua nação destruída pela guerra. Os pedidos de ajuda multiplicaram-se e o que outrora pareceu um futuro de céu azul, rapidamente se transformou num pesadelo. Para muitas famílias, fugir foi a solução. Os jovens, que, como se costuma dizer, são o futuro, viram-se obrigados a repensar o que seria do dia seguinte. Muitos deles chegaram, por meio de auxílio, a Portugal, para tentar recomeçar a vida que deixaram, na Ucrânia, em standby.

No ano passado, foram cerca de 14 mil os jovens ucranianos que cá chegaram – quase todos menores de idade. Deixaram tudo para trás em busca de um país onde não se ouvisse o som de explosões. Em declarações à TejoMag, Pavlo Sadokha, presidente da Associação Dos Ucranianos em Portugal (AUP), esclarece que só 4 mil foram matriculados no ano letivo de 2022/2023. A análise feita pelo Alto Comissariado para as Migrações mostra que “os restantes estão em situação desconhecida”.

Para eles, o cenário é de indecisão, explica-nos Pavlo. Se, por um lado, querem acreditar que ainda existe a possibilidade de regressar à Ucrânia, por outro, a situação de guerra não lhes permite. “Estão numa situação vulnerável em que não sabem qual será o seu futuro”, sublinha.

A barreira linguística é o maior obstáculo à sua integração. Em Portugal, quando chegam à escola, têm aulas adicionais de língua portuguesa para estrangeiros, mas, como o objetivo é voltar ao país que os viu nascer, e não cá ficar, “colocam, imediatamente, um entrave à aprendizagem”. No caso daqueles que ingressam no ensino superior, o panorama é ligeiramente diferente, visto que a maior parte dos jovens ucranianos domina o inglês, justifica o presidente da AUP.

“A reconstrução da Ucrânia vai demorar anos, por isso não esperamos que estes jovens consigam regressar. Eles cada vez mais começam a perceber isso e a mudar a sua visão em relação ao futuro”.

Um ano depois de se ter instalado a guerra, Pavlo acredita que estes jovens começam agora a encontrar amigos, vizinhos e ambientes que os ajudam na inclusão, “motivando-os para aprender o português, com a finalidade de se integrarem”.

Salienta, mais uma vez, a importância de aulas de língua portuguesa – “isto é o básico para a adaptação”. Outro ponto de relevo, reforça, é o ambiente criado pelos professores e colegas, e a sua atitude perante os imigrantes ucranianos.

“Portugal tem uma sociedade solidária, é um bom exemplo de como acolher refugiados”, destaca.

O país vive um momento de crise – consequência, em grande parte, da guerra na Ucrânia, “mas os portugueses reconhecem que isto não é um problema causado pelos ucranianos, mas sim pelo lado de quem é agressor”. À comunidade, pede, sobretudo, paciência e que continuem a ajudar, porque “a guerra não irá terminar daqui a um ano, nem os efeitos causados por ela serão brevemente resolvidos”.

Ao Governo, às instituições e à sociedade civil, recomenda que incluam, neste processo de integração, os ucranianos que chegaram a Portugal por volta do ano 2000, já que “estão ambientados, conhecem o país e a língua, e podem ser muito úteis para a adaptação destes refugiados que fogem ao perigo”.

Recorde-se que houve, no início do século XXI, uma outra vaga de imigração ucraniana em Portugal, pautada por questões financeiras.  Espalharam-se pela Europa e vieram para Portugal à procura de trabalho. “A diferença é que os jovens que cá chegaram, na altura, com os seus pais, tinham o objetivo de ficar e construir aqui o seu futuro”, distingue Pavlo.

Primeira mercearia social online já apoia refugiados ucranianos

Começou por ser um espaço de resposta alimentar como tantos outros, mas ser apenas isso não foi o “quanto basta” para Maria João Sousa que, a trabalhar na luta contra a fome há 10 anos, coordena hoje uma equipa com mais de 400 voluntários ucranianos, incluindo na mercearia digital que promoveu.

“Cada um soma a sua parte a um todo”, conta à TejoMag. Não fosse este um dos lemas da SOUMA – ‘Associação Amigos da Estrela’ que em três anos já apoiou mais de 600 agregados em carência alimentar na grande Lisboa.

“Para ser uma resposta verdadeiramente transformadora na vida das pessoas era importante que fosse o mais digna possível, indo ao encontro das suas verdadeiras necessidades”.

Mas a ideia de criar uma mercearia social – para acrescentar valor às restantes áreas de intervenção da associação – já tirava o sono a alguns elementos. Nesse sentido, faltava a chave para a concretizar.

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Pandemia: o ponto de partida da mercearia

Há três anos, a Organização Mundial da Saúde declarou a Covid-19 uma pandemia e, em consequência disso, Portugal “ficou em casa”, como tantas vezes se repetiu na Comunicação Social.

“Iniciámos efetivamente o projeto alimentar com a pandemia. O facto de outras organizações que davam resposta semelhante terem reduzido ou fechado portas fez-nos avançar. Por isso, convidámos a comunidade que estava fechada em casa para cozinhar e ajudar a comunidade que estava igualmente fechada em casa mas a precisar de alimentos”, acrescenta.

Pouco depois, a ideia pegou e, em menos de 3 meses, a SOUMA já chegava a mais de 400 pessoas de vários pontos da região. Assim, as famílias que pediam ajuda dirigiam-se às instalações da associação em Campolide e recolhiam um cabaz de alimentos e outros bens essenciais.

“Mas para as pessoas não virem até nós e continuarmos a chegar até elas, a única forma de implementar o projeto social de uma mercearia seria a resposta online” Era urgente para os voluntários ter forma de dar resposta aos inúmeros pedidos que chegavam todos os dias.

Já em 2023 nasceu a ‘Mercearia da Ana Rita’, inspirada numa das mentoras da equipa, que teve uma quota parte significativa de responsabilidade em transmitir a todos a vontade de ajudar o próximo. Primeiro com papel e caneta e mais tarde com recurso ao digital.

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Uma soma de valências

“É bonito quando temos um sonho e alguém nos ouve sonhar e diz: “Nós conseguimos fazer”. Isto realmente não é um sonho que vai ficar numa ‘cloud’ e tenho à minha frente alguém que quer executar isto. E assim nasce uma relação difícil de adjetivar.”

A LHV2, uma empresa da área informática, foi a chave que faltava. Caminharam juntos durante quase dois anos com ideias, sugestões, muitos avanços e recuos. O objetivo seria perceber de que forma podia uma plataforma online servir a população e, mais importante: como seria a comunidade capaz de a utilizar sem restrições.

“Não imagino o custo que isto poderia ter se tivéssemos de pagar”, diz Maria João Sousa. “Esta parceria ‘pro bono’ com a LHV2 trouxe uma resposta incrível às pessoas e ao projeto”

Na plataforma, cada agregado tem um nome de utilizador e uma palavra-passe. É criada uma conta com toda a informação essencial e é gerado automaticamente um perfil. Até hoje são quase 200. São de imediato atribuídos os “Soumapontos” – uma espécie de plafond – conforme o número de pessoas do agregado.

“Tentámos criar uma plataforma que não fosse facilmente rejeitada por quem a utiliza. Funciona tal como outras plataformas de supermercados, organizadas por categorias. Os utilizadores selecionam os produtos que querem adquirir consoante as suas necessidades e o número de pontos vai diminuindo”, esclarece Leonardo Simôa, da LHV2.

Há dias próprios para as encomendas, que podem ser semanais ou quinzenais. Os pedidos são submetidos e consultados depois pelos voluntários da SOUMA. Processam-nos através da mercearia física já existente. As doações dos parceiros facilitam a gestão de ‘stock’ da associação.

Maria João Sousa esclarece: “As famílias são responsabilizadas pelas suas escolhas. Têm de gerar competências para gerir o orçamento. A resposta é muito mais digna e vamos tendo algumas surpresas”.

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Acolhimento em Portugal

A guerra na Ucrânia gerou uma crise social sem precedentes no século XVI. Em poucas semanas foi necessário adaptar as rotinas das várias associações de apoio portuguesas para dar resposta à urgência de acolher e dar o suporte necessário às famílias que chegavam ao país. A SOUMA garante hoje alimento a 187 refugiados ucranianos.

Iryna Rosokhata está ainda a aprender português. É natural de Kharkiv e chegou a Portugal com a filha em julho de 2022. O marido ficou, mas conseguiu partir para Lisboa no final de fevereiro deste ano.

“Fugi da minha cidade e do meu país. Era maravilhoso e agora está destruído. Não tive opção e tive de sair. Tomei a decisão em dois dias e cheguei a um lugar que não conhecia”.

Sem qualquer ligação a Portugal, o principal obstáculo foi a língua. Iryna foi, inicialmente, apoiada pela Cruz Vermelha e em poucas semanas encaminhada para a SOUMA. Foi apresentada à equipa de voluntários e recebeu alojamento provisório e apoio psicológico. Posteriormente, tornou-se beneficiária da mercearia social.

“Recebemos apoio, carinho e comida. É por isso que digo que esta é a minha família em Portugal. A ajuda deles foi essencial neste processo. As pessoas aqui são maravilhosas”.

De ajudada a ajudante

Beneficiária mas também voluntária, tal como outros sete refugiados ucranianos que se juntaram à mercearia. Em poucos meses, Iryna percebeu que poderia tornar-se mais útil. Está inserida num dos turnos que diariamente processam os pedidos. Confessa que vive um dia de cada vez porque, no horizonte, ainda só existe nevoeiro. Não sabe quando vai voltar – e em que circunstância – mas, por agora, está feliz em Lisboa.

“Participar numa forma de ajuda era uma coisa que já queria fazer. É uma forma de dar de volta o apoio, a comida e todo o carinho que me deram nos últimos meses”.

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Um mês e meio de surpresas

Um mês e meio após o lançamento da mercearia social em formato digital, a SOUMA faz um balanço positivo.

“A adesão é enorme”, diz Maria João Sousa. “Muitas pessoas que começaram com alguma reticência – apoiadas na altura por alguns voluntários dedicados especificamente a isso – já são autónomas e fazem as suas encomendas sozinhas”.

Por isso, no que diz respeito ao trabalho informático, a entrada de várias famílias ucranianas no leque de beneficiários foi um desafio para os técnicos envolvidos na gestão da plataforma. Mas a barreira linguística não chegou a ser um tema em cima da mesa. As famílias aderiram rapidamente ao sistema de encomendas.

Assim, foi dado o primeiro grande salto.