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Author Archive by José Vicente Cândido

DinoParque Lourinhã: um local onde os dinossauros do Jurássico ganham vida novamente

“No DinoParque temos expostas cerca de 200 espécies de dinossauros, cientificamente comprovados, sendo que alguns dos fósseis vêm do Museu da Lourinhã”, refere Tiago Marques, salientando ainda que “temos a preocupação que os nossos visitantes venham a repetir a visita, e isso implica apostar na comunicação, mas também na inovação”.

O diretor de Marketing explica, também, que criaram um trilho alusivo à Idade do Gelo com um mamute exposto com a recriação do pêlo que esta espécie teria, sendo a mais recente de uma série de iniciativas da mesma natureza que vêm implementando a um ritmo quase anual.

“Até agora tivemos cerca de 1 milhão de visitantes, com um investimento essencialmente privado, mas que aposta na dinamização da Lourinhã. Em estreita parceria com o Museu da Lourinhã, empregando recursos humanos locais, tentamos ao máximo que os nossos fornecedores sejam também desta região e os indicadores de dormidas e refeições comprovam o impacto positivo que o DinoParque teve, e continua a ter, na Lourinhã”, finaliza.

Ao longo de toda a conversa, fomos percebendo o que está exposto no DinoParque e, para isso, quem melhor do que o paleontólogo Simão Mateus para nos explicar? “As extinções de espécies existiram e podem ocorrer por diversos motivos, a paleontologia ajuda-nos a compreender as razões e não nos podemos esquecer de que nós podemos ser os próximos fósseis”, assegura, enquanto vemos os restos fossilizados do Miragaia, um mamífero imponente, descoberto na Lourinhã, que ficará eternizado numa moeda de 5€, lançada precisamente no dia 1 de Junho.

Talvez por isso, a missão do DinoParque é, por um lado, sensibilizar para os potenciais efeitos em cadeia das nossas decisões, mas também estudar a fundo as espécies que já existiram na Terra, tendo um laboratório onde qualquer visitante pode observar o estudo paleontológico dos fósseis por parte de uma equipa que já identificou uma nova espécie de dinossauros e vai a caminho de identificar a segunda espécie.

“Trabalhamos com a Universidade de Aveiro e a Universidade NOVA de Lisboa. Tivemos, até agora, 55 estágios curriculares e temos um estudante de mestrado a fazer aqui a sua investigação”, revela Simão. Resta-nos perceber o que tem a Lourinhã de especial para albergar o DinoParque.

“A Lourinhã está na bacia Lusitaniana, epicentro das fossilizações, e é a vila portuguesa com mais paleontólogos. Além disso, tem arribas vivas com marcas dos dinossauros que aqui habitaram no Jurássico Superior, o tempo dos grandes carnívoros”.

É no DinoParque que podemos ver as reproduções em tamanho real daqueles monstros como o T-Rex, o Superssaurus ou o Tricerátops, mas a grande atração, na opinião de Simão, são os ovos de dinossauros com as marcas dos esqueletos dos embriões da altura do Jurássico, descobertas únicas no Mundo. Por todas estas razões e muitas mais pode agendar a sua visita ao DinoParque no dia da criança, em que as visitas guiadas são gratuitas, pode fazer um piquenique e até os seus animais de estimação.

Economia circular: “só 8% dos portugueses consideram comprar roupa em segunda mão”

Nas últimas décadas tem-se assistido ao aumento de um ecossistema empreendedor em Portugal, talvez potenciado pelo aumento do custo de vida ou pela necessidade de soluções inovadoras para dinamizar a economia e reverter o ciclo de pobreza no nosso país. Uma dessas soluções tem sido o empreendedorismo, e o empreendedorismo não é, necessariamente, sinónimo de criar um produto inovador.

Um projeto inovador pode passar somente pela inovação nos processos ou no posicionamento

O empreendedorismo inovador pode desenvolver-se a partir de um ou vários dos três P’s: Produto, Processo e Posicionamento. Nas últimas décadas, a emergência climática tem gerado uma fervilhante onda de startups (empresas numa fase inicial) que trazem conceitos inovadores e, sobretudo, sustentáveis. A sustentabilidade é, aliás, o princípio de base da economia, um modelo de produção e de consumo que envolve a partilha, o aluguer, a reutilização, a reparação, a renovação e a reciclagem de materiais e produtos existentes, enquanto possível (Parlamento Europeu, 2023).

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O Muda market é “uma startup que traz uma nova forma de vender roupa e vem criar uma economia circular que beneficia, em primeiro lugar, a comunidade.” / Direitos reservados.

A venda de roupa usada não é, propriamente, um conceito inovador. É tão longínquo como a Feira da Ladra, de cuja origem pouco se sabe. Todavia, a TejoMag foi até à Ericeira conhecer a Joana e a Marta, as fundadoras do MUDA market, uma startup que traz uma nova forma de vender roupa e vem criar uma economia circular que beneficia, em primeiro lugar, a comunidade.

Tudo começou com a Joana a vender as suas roupas a amigas, em mini mercados on-line e em casa. Este ano pensou em criar mais do que apenas vender a sua roupa e chegou ao nome MUDA (que significa precisamente mudar de atitude em relação à Fast Fashion). Em Março a Joana e a Marta encontraram-se num evento de troca de roupa e, no final do evento, perceberam que tinham todas as ferramentas para lançar um mercado e daí surge o MUDA market: o espaço, o inventário e, sobretudo, a vontade comum de criar este conceito.

Rapidamente percebemos que o MUDA market pode ser para várias pessoas”.

Fomos perceber o que é o MUDA market e como este projecto é inovador. “Inicialmente éramos só as duas, mas rapidamente percebemos que existem mais pessoas com muitas coisas para vender e convidámos algumas, aqui da Ericeira, a participar neste mercado”. É um mercado de roupa em segunda mão? “Não, é tudo o que tenha qualidade suficiente para ser vendido. O Pedro, por exemplo, colocou pranchas de surf para venda no MUDA market”. E se algum objecto não tiver qualidade suficiente? “Nesse caso, temos uma banca de doação que reverte para outra associação, aqui da Ericeira, que faz recolha e entrega de bens a pessoas carenciadas”. E se o vendedor não puder, por alguma razão, estar presente no mercado? “Aí, temos uma outra banca, com uma pessoa que vende as peças de todas as outras pessoas e recebe uma parte do valor da venda”.

mercadoericeira2 Economia circular: "só 8% dos portugueses consideram comprar roupa em segunda mão"

O medo é o nosso maior travão e dar o primeiro passo parece sempre ser o maior desafio.” / Direitos reservados

Os Portugueses ainda não acolheram totalmente esta prática”

O mercado, porém, não começou sem os seus obstáculos. Desde logo, a localização é um dos fatores críticos para o sucesso deste tipo de empreendimentos e o MUDA marketnão fica muito longe do centro da Ericeira mas, para quem não tem carro, é uma distância desencorajadora. Gostaríamos de ter um espaço mais central, mas todos os espaços camarários implicam longos processos burocráticos e os espaços privados ou são pequenos ou já têm uma agenda cheia”. Por outro lado, refere a Joana, “só 8% dos Portugueses consideram comprar roupa em segunda mão recorrentemente, enquanto os estrangeiros, pelo que vemos, estão mais familiarizados com isso”. Todavia, estes obstáculos externos não vão impedir a realização da segunda edição do MUDA market já no próximo dia 13 de maio.

O medo é o nosso maior travão e dar o primeiro passo parece sempre ser o maior desafio. Confiem e olhem para a frente. Procurem ajuda, façam parcerias. Encontrem naquilo e naqueles que têm ao vosso lado as ferramentas para começar e tudo o resto começa a fluir”. São os conselhos com que a Joana e a Marta, fundadoras do MUDA market, terminam esta entrevista. 

Filipe Leonardo: “Nunca foi tão fácil arranjar um primeiro emprego como agora”

Em entrevista com Filipe Leonardo, é debatida a importância da preparação para uma entrevista de emprego, seja ela psicologicamente ou fisicamente. Filipe dá também alguns conselhos para quem vai iniciar o seu trajeto no mercado de trabalho e para aqueles que pretendem mudar de área profissional. 

Para conhecermos um pouco mais sobre si, pergunto-lhe como foi a sua trajetória até chegar a Associate Partner na Deloitte?

Na realidade, faz este ano 15 anos que ingressei na vida profissional. Tirei o curso de engenharia eletrotécnica do Instituto Superior Técnico, com especialização em telecomunicações e sistemas de decisão em controlo, há quinze anos. Desde aí que tenho trabalhado em tecnologia e em consultoria tecnológica. Quando terminei o Técnico quis ingressar em consultoria porque via como sendo uma extensão da faculdade, ou seja, a perspectiva de poder trabalhar em múltiplos clientes, múltiplas geografias e desafios profissionais. Era algo que me atraía bastante e foi por isso que apontei sempre para poder fazer parte de uma grande consultora tecnológica. Na altura estive em dois processos de recrutamento, um na Deloitte, onde me encontro neste momento, e outro numa empresa boutique de consultoria mais focada em telecomunicações na Maksen, que foi um spinoff da Deloitte em 2003. Consegui a vaga na Deloitte e, curiosamente, em 2015 foi feita uma aquisição dessa mesma empresa pela Deloitte. Tenho evoluído muito profissionalmente nos vários “degraus da pirâmide” de consultoria, até onde me encontro hoje como Associate Partner. 

Algo que os jovens nos dias de hoje afirmam sentir e viver bastante é a dificuldade em arranjar emprego, principalmente o primeiro. Considera que é mais difícil, atualmente, arranjar trabalho?

Eu tenho uma visão muito positiva em relação a esse assunto. Acho que nunca foi tão fácil arranjar um primeiro emprego como agora. Claro que eu tenho as “lentes” da tecnologia pois é essa a minha área de especialização e onde trabalho, mas, na prática, existe uma grande mudança no trabalho e na forma como o executamos. Com o impacto que a Covid-19 trouxe à nossa sociedade, é normal que existam trabalhos remotos, portanto, em Portugal, posso estar no interior a trabalhar para grandes empresas internacionais e estar a trabalhar para fora. Desta maneira, tenho uma base de empresas “alvo” muito mais alargada do que tinha há uns anos. Tenho muitos amigos nessas circunstâncias e que estão em empresas internacionais a trabalhar de Portugal para fora que, por acaso, é algo que acontece no meu departamento, em que 80% dos nossos serviços são prestados a clientes fora de Portugal. Depois temos também a atratividade do país, ou seja, nos últimos anos Portugal está muito “na moda” principalmente nas áreas tecnológicas e tem existido um conjunto de empresas internacionais que têm trazido os seus centros de inovação e centros de excelência para Portugal, o que tem alargado as oportunidades nas áreas tecnológicas.

Ao contratar alguém, quais são os critérios que utiliza?

Na prática, classifico em duas componentes: uma de soft skills e outra de hard skills. Pela área que represento, da engenharia de telecomunicações, é basilar a existência de um conjunto de competências tecnológicas. Portanto, essas são as hard skills que têm de estar lá e que são fundamentais. Por outro lado, temos as soft skills que são fundamentais num negócio de consultoria, ou seja, o facto de eu conseguir comunicar de forma efetiva com os meus clientes, conseguir compreender as suas necessidades, os seus pain points, como construir soluções adequadas aos seus desafios e, para isso, preciso de conseguir aferir se os candidatos têm essas soft skills que são fundamentais para a execução das suas atividades. 

filipeleonardo2023 Filipe Leonardo: “Nunca foi tão fácil arranjar um primeiro emprego como agora”

Nesse processo de entrevista, existe a necessidade de analisar não só o conhecimento, como também a forma como os candidatos se apresentam?

Sem dúvida. Essa é uma componente das soft skills que é um conjunto de princípios que são basilares, como por exemplo o profissionalismo, a postura, a forma como comunicam, a forma extrovertida como se apresentam por vezes… acabam por ser características de que estamos à procura. O foco não passa pela aparência física. Dos cinco mil funcionários que temos, existem muitos que gostam de adotar uma postura mais descontraída, inclusive na indumentária. Mas damos mais valor à postura da pessoa, aos princípios de profissionalismo e de ética que acabam por não ser negociáveis.

Considera que a primeira impressão importa num contexto de entrevista?

Sim. É algo fundamental e nato à natureza humana. Eu diria que qualquer um de nós, quando conhece alguém, nos primeiros dez segundos acaba por criar logo uma imagem mental dessa mesma pessoa e no mundo profissional é igual. Portanto, essa capacidade de conseguir encher a sala e de conseguir mostrar alguns aspetos das características até mesmo pessoais e da sua personalidade é fundamental.

Ainda são algumas as pessoas que optam por mudar de área a determinada altura da sua vida. No seu ponto de vista, é benéfico mudar?

É e enriquece muito aquilo que é a nossa empresa. Dou-lhe dois exemplos de medidas que implementámos na Deloitte: Um dos programas, inclusive uma marca registada da Deloitte, é o programa Brightstart que, na prática, tem o objetivo de desenvolver cursos profissionais e cursos universitários, em parceria com Institutos Politécnicos. Neste momento, temos mais de cinco programas desta matriz a acontecer em Portugal, com o objetivo de não só conseguir capturar o talento certo, mas também promover o desenvolvimento académico e profissional dos alunos. Um segundo programa que temos é o UPskill, que tem como objetivo recrutar algumas pessoas que decidem “dar uma volta de 180 graus” na sua vida profissional. Temos o exemplo de um membro da nossa equipa que ingressou no ano passado e que era da área da biologia marinha e que tirou uma formação em tecnologias cloud. É o exemplo de alguém que já vinha com uma experiência de dez anos, que trazia experiência numa área muito específica e que deu esta volta na sua carreira e está a ser uma mais valia para a nossa equipa.

Que conselhos daria a um adulto que pretende mudar de área?

Primeiro acho que é fundamental ter um bom equilíbrio entre aquilo que é o objetivo “romântico” do trabalho e aquilo que são as saídas profissionais. Eu posso adorar e saber imenso sobre espécies de caracóis, por exemplo, mas sei que isso não tem qualquer saída profissional. Portanto, é sempre muito importante que exista esta noção de quais são as saídas profissionais dos cursos em que se estão a focar. Depois é preciso que se foquem, que se dediquem, que invistam e que se divirtam ao longo do processo. Nós passamos cerca de dois terços da nossa vida muito focados naquilo que é o nosso trabalho profissional, por isso, que isso seja também uma fonte de prazer. Tenham foco, determinação e resiliência.

Para finalizar e regressando ao tema do primeiro emprego, o que diria se se deparasse com uma pessoa que está à procura do seu primeiro trabalho?

Tenham uma mente aberta! É importante que, no início da carreira profissional, sejam flexíveis e tenham uma mente aberta para os desafios e para aprender. É importante para serem lançados numa área de desconforto, porque é isso que representa o crescimento. É dessa forma que conseguem evoluir e especializar-se. Aproveitem o processo em si. Tem de ser uma altura de novos horizontes e de se poderem encontrar do ponto de vista pessoal e profissional. Não tenham medo do desconhecido, abracem esse desconhecido. 

Nómadas digitais: quem são e que benefícios fiscais podem encontrar em Portugal?

Nómadas digitais são aqueles que escolhem usufruir da tecnologia para trabalhar, independentemente da sua localização geográfica. Jason Waite nasceu em Inglaterra, trabalha com contabilidade e tributação há 12 anos e, de momento, vive em Lisboa. “No início, não tinha intenções de viver em Portugal, mas apaixonei-me rapidamente pela cidade e pelo estilo de vida. É uma cidade bonita e vibrante. Adoro passear ao sol aqui. É bastante multicultural, com muitos expatriados, pelo que é fácil fazer amigos, havendo vários encontros aos quais podemos ir.”

Jason tenciona morar permanentemente em Portugal e diz que existe a possibilidade de um dia vir a comprar uma casa cá. E, quando questionado sobre a importância do papel dos benefícios fiscais na escolha de um país para viver, afirma serem essenciais, “especialmente para nómadas”, e revela que se candidatou ao regime de Residentes Não Habituais (RNH).

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Jason Waite tenciona ficar em Portugal permanentemente. /Direitos reservados

Benefícios fiscais e os seus direitos

Para entendermos melhor quem pode solicitar este tipo de benefícios fiscais e que variedade de benefícios existe, questionámos o advogado Leonardo Scolari sobre o tema: “É preciso distinguir aqui dois planos. Um, que diz respeito ao regime jurídico de entrada, permanência, saída e afastamento de estrangeiros do território nacional ou, se preferirmos, a aspetos relacionados com imigração, e outro, que se prende com benefícios fiscais aplicáveis a indivíduos que sejam residentes, para efeitos fiscais, em território nacional, independentemente da nacionalidade.”

Scolari exerce funções na RRP Advogados e especializou-se em processos administrativos, judiciais e arbitrais relacionados com diversos domínios de tributação. 

“A Lei n.º 18/2022, de 25 de agosto, veio estabelecer a possibilidade de ser concedido um visto de estada temporária (que permite a entrada e a estada em território nacional por período inferior a 1 ano) e um visto de residência aos trabalhadores subordinados ou independentes que exerçam atividade profissional, de forma remota, a entidades domiciliadas fora do território nacional, os chamados ‘nómadas digitais’. A legislação portuguesa contempla incentivos fiscais a quem se torne, pela primeira vez, residente ou volte a ter residência em Portugal. Neste contexto, dois regimes merecem destaque: o regime dos Residentes Não Habituais (RNH) e o regime dos ex-residentes, também conhecido como ‘Programa Regressar’. Qualquer um destes regimes fiscais é potencialmente aplicável aos ‘nómadas digitais’. Contudo, é importante referir que nenhum destes dois regimes foi concebido para ser aplicado em exclusivo a cidadãos estrangeiros ou a ‘nómadas digitais’. A prática ao longo dos últimos anos tem revelado que muitos cidadãos portugueses, sobretudo aqueles que emigraram em tempos de crise, têm regressado ao País e podido beneficiar de um dos dois regimes fiscais em questão.”

“Quase 700 mil estrangeiros a residir em Portugal legalmente em 2021”

A quantidade de estrangeiros em Portugal tem vindo a aumentar ao longo dos últimos anos. Segundo os dados do PORDATA, em 2008 existiam quase 490 mil estrangeiros a residir legalmente em Portugal. Já em 2021 foram contabilizados quase 700 mil estrangeiros a morar legalmente no nosso país. Scolari considera que o regime dos RNH contribuiu para colocar Portugal na rota do investimento internacional. Contudo, a níveis fiscais, o advogado salienta o facto de a lei classificar os benefícios como despesa, por representar uma renúncia do Estado à receita tributária.

“Numa análise de finais de 2022, o Conselho de Finanças Públicas estimou o crescimento da despesa fiscal em IRS entre 2020 e 2023 em € 1.062 milhões (68,6%), em grande parte devido ao regime dos RHN que, em 2020, já representava 56,25% do total da despesa fiscal deste imposto. No entanto, por um lado, é preciso ter em conta que abdicar de receita em IRS é uma opção deliberada do Estado em nome de interesses públicos considerados superiores, como atrair capital humano capaz de estimular a economia nacional e torná-la mais competitiva. Por outro lado, o que se deixa de arrecadar em IRS nestes casos é de alguma forma compensado ou até superado pelo aumento da receita nos impostos sobre o consumo (por exemplo, IVA) e sobre o património (IMT e IMI).”

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Leonoardo Scolari, advogado especializado em contencioso tributário na RRP Advogados. /RRP ADVOGADOS

Diferenças entre os jovens estrangeiros e os portugueses

Existem, contudo, questões que diferenciam os direitos dos jovens estrangeiros que optem por viver noutro país que não o de origem, dos jovens que habitam no país onde nasceram: “Mesmo estando enquadrados como RNH, isso não quer dizer que estes jovens estrangeiros sejam efetivamente tributados em IRS a taxas mais baixas que os restantes contribuintes, uma vez que a aplicação da taxa reduzida de 20% está reservada para rendimentos provenientes de atividades de elevado valor acrescentado definidas numa portaria do Governo e não para todo e qualquer rendimento do trabalho. Nenhum dos dois regimes fiscais (RNH e ‘Programa Regressar’) foi concebido com o propósito de beneficiar jovens estrangeiros, mas sim com o objetivo mais amplo de atrair, para o país, recursos humanos qualificados com vista ao desenvolvimento económico e incremento da despesa interna”, refere o advogado. 

Scolari deixa ficar claro, também, que não existe um discurso de desigualdade fiscal. No entanto, não exclui o facto de existir precariedade e baixas remunerações que afetam os jovens portugueses em relação aos jovens estrangeiros.

“O chamado ‘IRS Jovem’ prevê uma isenção parcial de IRS para os rendimentos do trabalho dependente e os rendimentos empresariais e profissionais obtidos por contribuintes residentes em Portugal com idades entre os 18 e os 26 anos (ou 30 anos para doutorados). Este regime, que em 2021 terá abrangido mais de 37 mil jovens, estabelece uma isenção de IRS entre 20% e 50% para os rendimentos do trabalho obtidos por contribuintes naquela faixa etária nos 5 primeiros anos após a conclusão do ensino secundário obtido por percursos de dupla certificação ou ensino secundário vocacionado para prosseguimento de estudos de nível superior acrescido de estágio profissional com a duração mínima de 6 meses.”

“Aprender um novo idioma ao ponto de poder trabalhar num país estrangeiro exigiria muito tempo e esforço”

Laura Nickel tem 34 anos e veio da Alemanha (o seu país natal) para Portugal. É psicóloga e trabalha no sector da saúde mental há sete anos. Vive atualmente na Ericeira e deixou-se conquistar pelo mar e pela prática de surf nas praias portuguesas. “Portugal é um país bastante seguro dentro da União Europeia. Vindo da Alemanha, é fácil entrar em Portugal. O clima no inverno é ameno e há muitos estrangeiros com o mesmo estilo de vida a viver cá. Existem também muitas opções de atividades para preencher o tempo livre: yoga, aulas de meditação, concertos e museus.”

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Laura Nickel enquanto trabalha remotamente desde a casa que alugou em Ribamar. /MARTA ALMEIDA

A psicóloga tenciona ficar em Portugal por três meses, como tal, não tenciona comprar casa e afirma que “no processo de decisão sobre em que país morar, os benefícios fiscais assumem um peso igual juntamente com outros fatores.”

Quando questionada sobre os motivos de se tornar uma nómada digital, Laura diz que o grande fator foi o de querer viver perto do oceano (algo que não consegue na Alemanha) e querer trabalhar em psicologia, da mesma forma. “Ser psicóloga e psicoterapeuta significa que preciso de falar a língua dos meus clientes. Aprender bem um novo idioma ao ponto de poder trabalhar num país estrangeiro exigiria muito tempo e esforço, portanto, oferecer o meu aconselhamento online para clientes que falam alemão e inglês é muito mais fácil. E, assim, também tenho mais flexibilidade de me mudar para países com clima mais quente e melhores ondas no inverno.”

Ser nómada digital é, por muitos, considerado como um estilo e uma escolha de vida. É uma forma de aproveitar “o melhor dos dois mundos”, ter a experiência de viver em países diferentes sem a necessidade de mudar de emprego.

“Tem os seus prós e contras! Quando estou num lugar com muitos nómadas e viajantes, pode ser verdadeiramente inspirador conhecer pessoas de todo o mundo”, reflete Laura. “Prefiro ficar pelo menos 3 meses no mesmo lugar, assim tenho tempo para me acomodar e conhecer a nova cultura. Pode custar muita energia mudar de lugar com frequência. Tens de te adaptar a novos colegas de quarto e situações de vida, tens de reencontrar a tua rotina e ir sempre fazendo novos contatos sociais. Depois, temos as situações desafiantes, como ficar doente ou o carro avariar, que são ainda mais desafiantes quando se está num país estrangeiro. Ainda estou a aprender a encontrar o meu equilíbrio e a aceitar que não posso descobrir novos lugares todos os dias como nas férias. Mas tenho dias normais de trabalho, cozinho e descanso e, por vezes, faço uma caminhada ou vou fazer surf ao fim de semana.”

“A ansiedade antecipa um mal futuro que é tido, muitas vezes, como incontrolável”. Diogo Rendeiro Santos fala sobre ansiedade à TejoMag

Começo por lhe fazer a pergunta: o que é ansiedade?

Podemos definir a ansiedade como um sentimento, por vezes vago, de inquietação que se refere à antecipação de uma ameaça que vem do futuro. Enquanto o medo se refere a uma ameaça do presente, percebida no momento, como por exemplo, um tigre à nossa frente, a ansiedade antecipa um mal futuro que é tido, muitas vezes, como incontrolável e que, a acontecer, teria consequências desastrosas para o sujeito. Associadas a ela, podemos apontar características fisiológicas – aumento do batimento cardíaco, da sudação, dilatação das pupilas – e psicológicas – falta de concentração, dificuldade em manter a atenção, desregulação do sistema digestivo.

Como podemos prevenir a ansiedade?

Para compreendermos melhor como prevenir a ansiedade temos de ver as suas diferentes dimensões. Uma dimensão da ansiedade é biológica, porque hoje vivemos de uma forma muito pouco natural. Vivemos muito estimulados, muito acelerados, não temos tempo para nada, estamos malnutridos.  Por exemplo, pode faltar-nos algum nutriente que seja importante nos mecanismos cerebrais que regulam a ansiedade – a vitamina B6 ou o Magnésio). Para prevenir a ansiedade cuidemos da parte biológica primeiro: ter uma alimentação equilibrada, fazer exercício físico, cuidar do descanso, desacelerar o ritmo do dia-a-dia.

Outra dimensão muito importante é o lado psicológico, onde concorrem ideias filosóficas que permeiam os nossos dias, das quais destacaria o relativismo e o hedonismo.

Com o relativismo tendemos a pensar que “cada cabeça, sua sentença” e que aquilo que pensamos é a verdade sobre as nossas vidas. Isto torna-nos reféns dos nossos próprios pensamentos, alimentando a ansiedade. Em relação ao hedonismo sabemos como hoje somos convidados a pensar muito no nosso bem-estar e lidamos mal com tudo o que provoca sofrimento, ou seja, o que é desagradável. Por isso, caímos na armadilha do conforto, que vai alimentar a ansiedade.

Não levemos tão seriamente os nossos pensamentos, que são meros acontecimentos mentais. Há um mundo lá fora, para além do que está na nossa cabeça.

Como podemos prevenir e como podemos ajudar alguém que sofre de ansiedade, seja na nossa família, no nosso círculo de amigos ou na nossa comunidade?

Já se tornou senso comum afirmar que depois da pandemia estes problemas aumentaram bastante e isso tem que ver com a nossa perceção de solidão, da ausência de uma rede de apoio. Cuidemos daqueles que estão próximos de nós, dos nossos amigos. E, se percebermos que estão a demonstrar algum sintoma de ansiedade, não desvalorizemos isso, porque a ansiedade causa sofrimento, pode ser disfuncional, ainda que aparentemente não nos pareça.

Não desvalorizar os estados ansiosos é crucial. Incentivemos a pessoa a procurar ajuda de um profissional de saúde mental e, desta forma, procuramos também deitar por terra aquele estigma de que “quem procura ajuda dos serviços de saúde mental são os malucos”.

Portugal é o 5.º país da União Europeia onde mais pessoas sofrem de ansiedade, segundo estudo da OCDE. Quais as razões que podem explicar este fenómeno?

Não posso corroborar cientificamente esta minha visão, mas diria que Portugal, como país ocidental, “bebe” do clima filosófico de que falei há pouco e, além disso, neste momento da História, não somos um povo que encare os desafios futuros com otimismo. Somos pessimistas e temos poucas perspetivas de futuro quando, noutros momentos do passado, fomos totalmente o oposto. Por outro lado, também contribui o difícil acesso a cuidados de saúde mental.

Que políticas públicas propõe para prevenir a ansiedade?

É um tema complexo e que ultrapassa o âmbito de atuação do decisor político. Ainda assim, sugiro melhorar o acesso aos cuidados de saúde mental, aumentar o número de psicólogos disponíveis nos centros de saúde e nas escolas; alargar a comparticipação dos seguradores aos serviços de psicologia e psiquiatria. Estas medidas já seriam uma importante ajuda para reduzir a incidência da ansiedade em Portugal.