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Manifesto pelo Dia da Nação sem autoritarismos

A palavra “nação” tem hoje uma conotação negativa e uma carga que nos remete para visões isolacionistas, militarizadas e pouco ou nada tolerantes para com os outros, ou para com o diferente.

Portugal tem vários dias do calendário para celebrar a sua existência e as suas características culturais. O mais reputado e conhecido é o 10 de junho. Uma data celebrativa que se estabeleceu no final do século XIX (só se tornando feriado mais tarde, em 1919), associado à suposta data do falecimento do maior poeta e escritor português de sempre (para muitos), Luís de Camões. O mesmo Luís de Camões sobre o qual passam (alegadamente) 500 anos sobre o seu nascimento. Depois de algumas denominações oficiais e oficiosas, passados 140 anos, o 10 de junho tem uma tripla celebração: Dia de Portugal, Dia de Luís de Camões e Dia das Comunidades Portuguesas.

Porém, muitos anos antes do falecimento (ou nascimento) de Luís de Camões já existia Portugal. Um território e um povo surgido ainda na Alta Idade Média, no século XII. Convenciona-se entre os historiadores e demais cientistas sociais que Portugal terá surgido, enquanto território independente a 5 de outubro de 1143, aquando do Tratado de Zamora (também podemos usar o topónimo Samora no português atual), em que Afonso VII de Leão e Castela reconheceu a Portugal o direito de independência. Hoje, esta data é de certo modo ofuscada por outra data histórica: o 5 de outubro de 1910, alusivo à Implantação da República.

Alguns, mais eruditos, e talvez mais religiosos, recordam o 23 de maio de 1179 e a Bula Manifestis Probatum, em que o Papa Alexandre III reconhece o estatuto de independência a Portugal. Esta data é hoje utilizada para fazer um paralelo (com os respetivos anacronismos) com o reconhecimento internacional da independência.

Não obstante a importância de todas estas datas e efemérides, existe uma que marca o início de Portugal: trata-se de 24 de junho de 1128. A data que assinala a Batalha de São Mamede. Foi com a Batalha de São Mamede, travada perto de Guimarães, que D. Afonso Henriques se fixou como o derradeiro líder do território até então chamado de Condado Portucalense e afirmou a existência de um território e de um povo deliberadamente diferentes dos demais.

Não pretendo aqui questionar a historiografia e os cânones atuais da academia portuguesa. Teríamos de entrar por questões como o Tratado de Tui em 1137, pelo primeiro documento em que D. Afonso Henriques assina como rei em 1140, ou ainda pelo conceito de príncipe na Alta Idade Média, pois foi como príncipe que D. Afonso Henriques se autodenominou entre 1128 e 1139 (o ano da Batalha de Ourique).

O território de Portugal era também muito mais exíguo quando comparado com o atual, só atingindo a dimensão atual de Portugal continental em 1249 e só viu as suas fronteiras fixadas em 1297, aquando do Tratado de Alcanizes (ainda que amiudamente ameaçadas em episódios esporádicos até ao século XIX). Durante estes 896 anos, Portugal manteve o seu território uno e independente, com exceção dos 60 anos do período filipino que, muito teriam para contar e precisar em pormenores jurídicos associados ao conceito de independência.

Mas mais do que um território, ou do que uma pátria, o que se devia celebrar a 24 de junho era uma nação. A palavra e o conceito de nação estão atualmente conotados com ideais isolacionistas e discriminatórios. No entanto, se pensarmos na etimologia, o conceito remete-nos para a cultura.

Ao contrário de muitos pensamentos nacionalistas e ultranacionalistas atuais, a nação portuguesa nada tem a ver com cores, raças, opções sexuais ou géneros. Eu arrisco (até enquanto católico) a escrever que a nação portuguesa não tem necessariamente a ver com a religião. É óbvio que quando Portugal surgiu, a predominância dos portugueses era branca ou caucasiana, e essa situação não desapareceu. Não obstante, com a Expansão Marítima Portuguesa, essa situação esbateu-se e hoje existem portugueses de várias cores e várias raças. Assim, não faz qualquer sentido estas visões racistas que ainda existem e que vão surgindo ou ressurgindo na sociedade portuguesa.

Ao romper da aurora portuguesa, na Alta Idade Média, a sociedade da Europa ocidental organizava-se por três classes: a nobreza ou Bellatores, responsáveis pelo poder da guerra, o povo, os laboratores, encarregues do trabalho e da produção de bens, e o clero, os oratores, os senhores da palavra e, portanto, do conhecimento e da escrita. O território era dominado religiosamente pela Igreja Católica e pelo Cristianismo. Tornou-se natural os monarcas e casas reais apoiarem-se no clero para construir a estrutura social e até, por vezes, administrativa, dando origem séculos mais tarde ao conceito de Estado como hoje o concebemos. No entanto, os monarcas portugueses, apesar dos constantes confrontos bélicos e políticos com as elites de outras religiões como a muçulmana, aceitaram muitas vezes a população que professava as outras religiões. Não esqueçamos até a amizade de D. Afonso Henriques com Ibn Qasi ou o ministro do tesouro do nosso primeiro monarca, o judeu Yahia Ben Yahia. A segregação urbana existiu, é certo, mas o ódio ocorreu muito mais tarde, já nos séculos XV e XVI, com a expulsão dos Judeus e a Inquisição, situações que se prolongaram até ao início do século XIX.

Mas a nação portuguesa evoluiu. A Revolução Liberal de 1820 instituiu a liberdade religiosa e hoje, o Estado é laico e a sociedade muito mais instruída. A confissão religiosa pode indicar os princípios educacionais da maioria das famílias portuguesas, mas não caracteriza a identidade nacional dos portugueses.

Nas últimas décadas, os níveis de escolaridade básica (impostos pelo Estado) e de escolaridade média têm subido quase exponencialmente. Uma sociedade mais instruída é uma sociedade mais aberta, logo mais desperta para as realidades íntimas e sexuais. O sexo já não é um tabu. A paixão e o amor também não. Por isso, hoje entendem-se melhor as minorias sexuais ou, melhor, a comunidade LGBTQIA+.

Hoje percebemos que a igualdade de género e a equidade geracional são cada vez mais necessárias.

Mas perante tanta liberdade, tanta igualdade, tanta liberalização de usos e costumes, ainda há espaço para falar na nação portuguesa?

Claro que há. Portugal não é só um território e um Estado independente, é também uma cultura própria. Temos um idioma, ameaçado por constantes estrangeirismos desde o século XVIII e descurado da sua influência no mundo por fantasmas colonialistas, decolonialistas e pós-colonialistas. Criámos estilos artísticos, arquitetónicos e estéticos próprios como o Manuelino. Temos uma gastronomia e todo o património imaterial a esta associado, temos correntes musicais e estéticas de canto próprias. Mas a nação não está fechada no seu processo criativo. A nação constrói-se todos os dias e continua a necessitar de se construir. Se o idioma português só surgiu autonomamente no século XIII e precisou de chegar ao século XVI para ter gramática e dicionário próprios, existem elementos como o vestuário ou indumentária que precisam de criar uma imagem cultural portuguesa própria. Essas identidades existem em Portugal, no âmbito regional ou regionalista, mas, não no âmbito nacional.

Portugal é um país que não se pode fechar em si, nem nos seus fantasmas, e tem de saber respeitar e acolher os cidadãos de outras nacionalidades que escolhem Portugal e a economia portuguesa para viver e trabalhar. Mas não pode ter vergonha de celebrar a sua cultura, nem muito menos tentar adaptá-la a processos de ocidentalização e europeização cultural. Podemos e devemos conviver com todos, respeitando-nos nas nossas diferenças.

Não é tempo de nacionalismos ditatoriais, nem de tendências “wokistas”. Não é tempo de guerras culturais e sociais. É tempo, (como sempre foi) de celebrar Portugal.

Frederico Gaspar

As imagens do “cometa do século” vistas de Portugal

Foi um acontecimento no mínimo espetacular para os amantes de astronomia. No dia 13 de outubro, Portugal pôde testemunhar “de perto” a passagem de um cometa. O corpo celeste “C/2023 A3 Tsuchinshan-ATLAS”, passou a sensivelmente 80 milhões de quilómetros de distância da Terra. 

Dessa forma, foi possível observar o cometa a olho nu entre as 19h35 e um pouco antes das 20h00, nomeadamente nas áreas de mais baixa luminosidade. Ainda assim, para os mais atentos, foi possível testemunhar o fenómeno, que só volta a repetir-se daqui a centenas de milhares de anos. Alguns especialistas apostam na teoria de que a aproximação nunca mais volta a acontecer.

Foi, aliás, a única oportunidade para ver o cometa a olho nu. Nos próximos dias, ainda será possível fazê-lo, mas só com recurso a telescópios.

Veja aqui algumas imagens do cometa, partilhadas nas redes sociais pela @MeteoTrasMontPT, de Márcio Santos.

https://twitter.com/MeteoTrasMontPT/status/1845549291928264899

https://twitter.com/MeteoTrasMontPT/status/1845581165144551673

https://twitter.com/MeteoTrasMontPT/status/1845547404399194314

https://twitter.com/MeteoTrasMontPT/status/1845539203993497801

“Cometa do Século” visto no mundo

Já antes, o corpo celeste visto e fotografado a leste dos Estados Unidos. Algumas imagens divulgadas pela agência Reuters, mostram o cometa a sobrevoar os céus da Califórnia. 

O cometa “C/2023 A3 Tsuchinshan-ATLAS” foi detetado no espaço, pela primeira vez, em fevereiro do ano passado pelos telescópios chineses da Tsuchinshan. A existência do corpo celeste foi depois confirmada pelo telescópio sul-africano da ATLAS

Assim, depois da curta passagem pela Terra, o cometa continuará o seu percurso pelo sistema solar, podendo aproximar-se de outros planetas ou satélites naturais. Os cometas são corpos celestes formados por gelo, poeiras e pequenos fragmentos ou partículas rochosas. Dessa forma, tornam-se visíveis ao aproximarem-se do Sol.

Recentemente, Portugal testemunhou a passagem de um meteoro. Ainda se lembra?

Imagem: Hernani Cavaco, partilhada por @MeteoTrasMontPT

Hora de inverno regressa no final de outubro

Portugal continental, os Açores e a Madeira voltam a atualizar os relógios no final de outubro. A mudança de hora (para o chamado horário de inverno) acontece no dia 27. Assim, os relógios são atrasados 60 minutos quando chegarem às duas da manhã. Para os mais desatentos, significa mais tempo de descanso se a hora de despertar for a mesma de sempre.

A mudança para o horário de inverno ocorre sempre no último domingo de outubro. Em consequência disso, os dias passam a ter um período menor de luz e as noites passam a ser mais compridas. Assim, pelas 18h00 já estará de noite.

Nos Açores, o processo é idêntico mas acontece da uma da manhã para a meia-noite. Dessa forma, o pôr do sol deverá acontecer por volta das 19h00.

Mas a mudança de hora não ia terminar?

Sim. A discussão da mudança de hora esteve durante vários meses em debate entre os Estados-membros da União Europeia. Aliás, em 2018, vários países levantaram questões sobre a utilidade de adiantar e atrasar os relógios duas vezes por ano. O Governo, à época liderado por António Costa, mostrou-se contra a abolição.

Um ano depois, o Parlamento Europeu aprovou a mudança bianual da hora foi aprovada. A discussão nunca saiu do papel porque a decisão final deveria ter sido tomada em abril de 2020.

Até agora, não há indicações de quando é que o assunto voltará a ser debatido.

O que fazer até lá?

Algumas pessoas são mais sensíveis que outras à mudança de hora. Porém, existem alguns hábitos que podem ser adotados para facilitar o processo de mudança.

Ajustar gradualmente a hora de deitar, evitar sestas ou fazer exercício regular podem facilitar a transição para o horário de inverno. É igualmente importante limitar o consumo de cafeína e ajustar a hora de jantar.

Passaporte português mantém-se um dos mais valiosos do mundo

O passaporte português continua a ser um dos mais poderosos do mundo. Prova disso são os poucos países para os quais um cidadão com documentação portuguesa pode viajar sem ter de pedir um visto prévio.

Portugal está no top 5 do ranking mundial de passaportes, realizado pela Henley Passport Index. À frente estão apenas 21 países. O levantamento é realizado desde 2006. Avalia, assim, os países conforme a liberdade de circulação de pessoas. Portugal já esteve melhor classificado, mas também já esteve pior. Este ano, o país sobe uma posição em relação a 2023. 

Assim, um cidadão com passaporte português pode viajar para 189 países sem visto prévio. Existem, oficialmente, 227 nações para onde se pode viajar sem esse tipo de documentação.

Entre os países para os quais o passaporte português não garante entrada imediata estão a China, o Afeganistão, o Paquistão, a Guiné Equatorial ou a Índia.

Passaporte mais e menos poderoso

Singapura lidera a lista da Henley Passport Index. No ano passado, o país ocupou a segunda posição. Assim, o documento permite o acesso a 195 países.

O segundo lugar é ocupado por França, Alemanha, Itália, Japão e Espanha, com 192 nações acessíveis sem necessidade de visto. Os cidadãos com passaporte austríaco, finlandês, irlandês, luxemburguês, holandês, sul coreano e sueco podem viajar livremente para 191 países.

Ainda à frente de Portugal estão a Bélgica, a Dinamarca, a Nova Zelândia, a Noruega, a Suíça e o Reino Unido. Tal como o passaporte português, o documento australiano permite viajar sem visto para os mesmos 189 países.

No passado, Portugal chegou a ocupar o segundo lugar no ranking dos passaportes mais valiosos do mundo.

Portugal perde com a França e diz adeus ao Euro 2024

A seleção portuguesa está de regresso a Lisboa depois de ter sido eliminada do Euro 2024. Num jogo equilibrado e digno de nota com a França, Portugal escorregou ao cair do pano e está fora do campeonato europeu de futebol. Ficou, assim, pelos quartos de final após a derrota por 3-5 (g.p.).

Mais uma vez, Portugal ficou dependente da sorte nas grandes penalidades, já depois do prolongamento. Mas algo correu mal. A única falha foi decisiva e teve um protagonista: João Félix. O avançado do Barcelona concentrou-se, teve pontaria a mais e falhou. A bola ao poste da baliza do francês Mike Maignan levou os adeptos ao desespero. Por isso, os cinco penáltis marcados pelos gauleses determinaram o resultado da partida.

Na verdade, João Félix ofereceu-se para marcar uma das grandes penalidades. A vontade não lhe podia ter custado mais caro. Ainda assim, os colegas de equipa saíram em defesa do jogador. Bernardo Silva recorda o desastre no Manchester City.

“Passei por isso há pouco tempo. Fomos eliminados na Champions. Falhei um penálti nos quartos de final com o Real Madrid. Só falha quem vai lá bater. Hoje tocou ao João e estamos todos com ele. Da mesma forma como foi cruel para a Eslovénia nos oitavos de final, hoje foi cruel para nós. Seguimos em frente”, disse o avançado em entrevista à CNN Portugal.

Portugal – França. Um jogo de senhores

A partida entre as duas seleções em Hamburgo foi amplamente elogiada tanto por comentadores como pela imprensa desportiva. Lá fora, nem tanto. Por outro lado, a Portugal foi reconhecida uma tática de jogo segura e paciente. A equipa conseguiu ter as melhores oportunidades de golo e destacou-se em posse de bola.

Portugal e França souberam equilibrar a partida, daí que a decisão se tenha arrastado até aos instantes finais. A França segue para as meias finais e encontra a Espanha, que derrotou a Alemanha.

A marca portuguesa em recordes

Portugal sai do Euro vencendo-se a si mesma e às demais formações do maior torneio de seleções da UEFA. A equipa de Martinez consegue bater vários recordes, tanto pelo desempenho neste campeonato como pelo simples facto de ter chegado à fase final e pisado o relvado.

Cristiano Ronaldo é o primeiro jogador a participar em seis fases finais do europeu de futebol. O avançado do Al-Nassr estreou-se há 20 anos no Euro organizado por Portugal. Era o número 17. À época, o mítico 7 era Luís Figo. Ronaldo herdou-lhe a camisola. Aos 39 anos, o craque natural da Madeira consegue outro feito histórico no futebol. Marcou 130 golos ao serviço da seleção, uma marca que ninguém alcançou.

Pepe terá tido em Hamburgo a sua última exibição enquanto jogador de Portugal. Ainda assim, o jogador explica que, em breve, terá oportunidade de falar do futuro. Aos 41 anos, deixa a sua marca por ter sido o jogador mais velho de sempre a participar no Euro.

Diogo Costa fez história no jogo com a Eslovénia. Defendeu três penáltis numa fase de desempate. Esse feito, deu-lhe destaque e reconhecimento.

Por fim, mas não menos importante, Francisco Conceição. No primeiro jogo em que marcou, o extremo do FC Porto só precisou de 112 segundos para o fazer. Além disso, o jogador de 23 anos cumpre um outro recorde com o pai, o treinador Sérgio Conceição. Foram a segunda dupla de pai e filho (2000-2024) a conseguir marcar no europeu. Só Enrico e Ferido Chiesa o tinham conseguido (1996-2021).

Imagem: @selecaoportugal no “X”

4 de Julho: Dia da Rainha Santa Isabel de Portugal

Se é português ou vive em Portugal, certamente já ouviu falar na Rainha Santa Isabel, ou até mesmo no “Milagre das Rosas”. Mas quem é esta figura, tão presente na cultura popular portuguesa, com festas, procissões, romarias e até mesmo um dia em sua honra, de quem tão frequentemente ouvimos falar? Hoje, aniversário da sua morte, falamos um pouco deste nome incontornável da História de Portugal.

Filha de Pedro III de Aragão, D. Isabel cresce na corte aragonesa e cedo demonstra inclinação para a vida monástica. Ainda jovem, e apesar de ter outros pretendentes, acaba por casar com D. Dinis nos inícios da década de 80 do século XIII e é assim que se torna rainha consorte portuguesa. D. Isabel destaca-se, por um lado, pelo seu carácter interventivo. A rainha acompanhava o marido em diversas áreas da governação e nas suas deslocações pelo reino. Desempenhou um papel de mediação, primeiro, no conflito de D. Dinis com o seu irmão D. Afonso, que questionava a sua legitimidade como herdeiro ao trono de D. Afonso III. Depois, no desacordo de D. Dinis com o próprio filho D. Afonso (futuro D. Afonso IV), num confronto de suspeitas mútuas, onde D. Dinis temia ser deposto e o príncipe receava que o pai entregasse o reino ao seu meio-irmão bastardo, D. Afonso Sanches. Após a morte do marido, interveio ainda em conflitos do filho D. Afonso IV com Afonso Sanches e, posteriormente, com D. Afonso XI de Castela. Por outro lado, é recordada também pela sua preocupação com o povo. Consta que aproveitava as viagens com o marido para ajudar os mais pobres, tendo deixado um legado de construção de obras para os doentes, para as mulheres e para os mais carenciados, como hospitais e albergarias, particularmente na zona centro do reino.

É desta forma de estar que surge a popularidade de D. Isabel e, concretamente, o “Milagre das Rosas”. Diz-nos a lenda que se tornaram do conhecimento de D. Dinis as iniciativas solidárias da rainha e que este não as aprovava. Um dia, terá abordado D. Isabel a meio de uma destas acções e questionado o que levava ela no regaço. D. Isabel responde ao rei que leva rosas que, diga-se, não desabrochavam naquela altura do ano. Na verdade, levava pão para os pobres. Quando expõe o conteúdo do que consigo levava, o pão transforma-se em rosas. A Rainha Santa Isabel morreu como viveu, interventiva e dotada de um espírito preocupado, mediador e diplomático, a meio de uma viagem pelo Alentejo com o objectivo de amenizar o conflito entre o seu filho D. Afonso IV e o seu neto, D. Afonso XI de Castela. A Rainha Santa morreu neste dia, há 688 anos. Em 2025 celebram-se 400 anos da sua canonização.

Texto: José Cândido e João Nunes

Seleção tomba frente à Geórgia mas segue em frente

Não era a passagem limpa para os oitavos que os portugueses desejavam. Portugal perdeu com a Geórgia por 0-2 no último jogo da fase de grupos do Euro 2024. Ainda assim, o resultado não desanima o selecionador nacional, que acredita ter a equipa mais preparada para desafios futuros.

Roberto Martinez mexeu no onze para “rodar” jogadores e o resultado foi desastroso. O técnico defende que há jogadores no banco a precisar de ser lançados. Foi o caso de António Silva, um dos responsáveis pelos dois golos marcados pela seleção da Geórgia.

O desaire começou no arranque. Um deslize de António Silva ditou o golo de Kvaratskhelia logo aos 90 segundos. Portugal não dominou mais a partida, mas foi superior em posse de bola e remates.

A reação portuguesa surgiu só aos 15 minutos. Um remate de Cristiano Ronaldo assustou o guarda-redes da Geórgia. Foi, nada mais nada menos, um pontapé a 130 km/hora, num livre direto.

A seguir ao intervalo houve uma seleção sem ideias, assim escrevem os comentadores e críticos. Houve um Cristiano Ronaldo furioso, um Pedro Neto a complicar, um Francisco Conceição tardio a aparecer, um João Félix a remar contra a maré e um António Silva desinspirado.

Por último, segundo golo da Geórgia surgiu aos 57 minutos com uma grande penalidade, logo depois de uma falta de António Silva. O marcador não mexeu até ao final da partida. 

Geórgia segue. Portugal vai jogar com a Eslovénia

Apesar da derrota, Portugal segue em frente rumo aos oitavos de final do Euro. A seleção nacional terminou a fase de grupos a liderar o Grupo F, à frente da Turquia e da Geórgia. No entanto, a Chéquia foi eliminada.

O grupo orientado por Roberto Martinez regressa ao relvado para defrontar a Eslovénia. O jogo será em Frankfurt.

Já a Geórgia – a estreante que abalou os alicerces portugueses – tem encontro marcado com Espanha. É, por outras palavras, a equipa que conseguiu o pleno de vitórias na fase de grupos. Assim, espera-se uma partida difícil.

Imagem: @selecaoportugal no “X”

O caricato autogolo turco que ajudou à vitória de Portugal

A exibição da Turquia frente a Portugal fica para a história. A seleção nacional venceu por 0-3 e está nos oitavos de final do Euro 2024, mesmo antes do jogo com a Geórgia. Porém, a partida frente aos turcos ficou marcada pelo autogolo que já foi classificado como o momento mais caricato do europeu de futebol. Pelo menos até agora, uma vez que ainda faltam duas semanas para a grande final, em Berlim.

Depois de um golo de Bernardo Silva aos 21 minutos, João Cancelo conduzia uma transição rápida. Ao tentar passar a bola para Cristiano Ronaldo falhou o passe e a bola ficou nas mãos dos turcos. Uma carga de nervos para CR7, que ficou visivelmente irritado.

Mas Samet Akaydin, que parecia ter o lance controlado, tentou atrasar a bola para o guarda-redes e acabou por introduzir a bola na própria baliza. Foi até preciso repetição de imagens para confirmar o caricato autogolo. A realização da partida tinha no ar uma imagem de Cancelo, mas rapidamente conseguiu captar o momento em que o guarda-redes Altay Bayindir e Zeki Celik correram a toda a velocidade para evitar o golo.

O extremo da Roma ainda apanhou a bola, mas não evitou o golo, como mostraram depois as imagens.

 

O autogolo turco e a assistência de Ronaldo. Portugal segue firme

A partida já não foi a mesma até ao final. Depois do intervalo, chegou o terceiro golo de Portugal. Aos 56 minutos, Rúben Neves passou a bola a Cristiano Ronaldo. O capitão português isolou-se e deixou para Bruno Fernandes a tarefa de assinar o terceiro no marcador, em Dortmund. Baliza deserta e missão cumprida.

A seleção portuguesa segue em frente no Euro 2024 e já tem lugar garantido nos oitavos de final da competição. O próximo jogo, em Gelsenkirchen, será frente à Geórgia. O adversário ainda pode assegurar a passagem à próxima fase, apesar de estar em último no grupo.

Portugal lidera o grupo F com seis pontos. A Turquia está em segundo, com três, seguida da República Checa, com um ponto.

Imagem: @selecaoportugal no “X”

“Até ao fim, Portugal”. Seleção vence na estreia do Euro

Portugal venceu a Chéquia no jogo de estreia do Euro 2024. A seleção nacional ainda esteve em desvantagem mas acabou por ganhar e receber os três pontos necessários para se manter na liderança do grupo F com a Turquia.

Francisco Conceição foi uma das estrelas do encontro. O jogador do FC Porto só entrou em campo aos 89 minutos mas, pouco depois, durante os descontos, protagonizou o remate que Portugal precisava para fechar o jogo com uma vitória frente à seleção checa (90+2). Como descreveu o selecionador nacional, “Chico” é “o espalha brasa que precisávamos”.

“Vi que o jogo estava difícil, quis ajudar a equipa a chegar ao golo que é o que precisávamos para começar bem o Europeu com uma vitória e foi isso que eu fiz. Esse era o meu objetivo e felizmente deu certo”, explicou assim Francisco Conceição, em entrevista à Sport TV.

A Chéquia foi a primeira a marcar, aos 62 minutos. Após o golo, Roberto Martinez mexeu na equipa e aos 69 minutos o jogo já marcava 1-1, com um autogolo do checo Robin Hranáč. Depois disso, a seleção portuguesa ainda viu um golo anulado pelo VAR, antes da mexida final que deu o triunfo à equipa portuguesa.

Ronaldo e Conceição reagem à vitória da seleção

Fica para a história o abraço emotivo de Cristiano Ronaldo e Francisco Conceição após o apito final. Ainda assim, o capitão de Portugal mostrou-se orgulhoso pelo feito da equipa das quinas. Através do “X”, CR7 escreveu “Até ao fim, Portugal”.

Já Francisco Conceição utilizou o Instagram para reagir à vitória portuguesa. “Sem palavras. Obrigado portugueses, seguimos juntos”.

Aliás, a estreia de Portugal foi marcada por vários momentos que ficam gravados na história do próprio campeonato europeu. Só por entrar em campo, Cristiano Ronaldo bateu um recorde absoluto. Tornou-se o primeiro jogador a participar em seis fases finais do Euro. Já Pepe ficará também na memória por ser o jogador mais velho de sempre a jogar por uma seleção.

Imagens: @Cristiano no “X”

Europeias: Estes são os eurodeputados eleitos por Portugal

O Partido Socialista foi o vencedor das eleições europeias que, durante os próximos cinco anos, definem a composição do Parlamento Europeu em Bruxelas e Estrasburgo. A candidatura encabeçada por Marta Temido arrecadou 32,1% dos votos e garantiu a eleição de oito eurodeputados. 

Vencedor, mas por pouco. A Aliança Democrática (AD) ficou colada ao primeiro lugar, ao garantir 31,1% dos votos (em detalhe, a diferença foi de 0,98%). Sebastião Bugalho está assim de malas feitas para Bruxelas, juntamente com outros seis eleitos pela AD.

O grande derrotado da noite foi o Chega. A candidatura encabeçada por António Tânger Corrêa ficou em terceiro lugar, com 9,8% dos votos e com dois eurodeputados eleitos. O resultado ficou abaixo da expectativa que havia para as eleições. Aliás, as projeções iniciais das televisões davam conta que o Chega poderia ser ultrapassado pela Iniciativa Liberal (IL), que acabou em quarto lugar.

Ainda assim, os liberais dão um salto de gigante em comparação com as eleições europeias de 2019. Na altura, tiveram 0,88% dos votos. Quatro anos depois, arrecadam 9,1% e elegem dois eurodeputados. Tanto o Chega como a IL passam a estar representados em todos os Parlamentos para os quais os portugueses votam (Continente, Regiões Autónomas da Madeira e Açores e Europa).

Bloco e CDU salvam-se nas Europeias. “Adeus, Bruxelas” ao PAN

É provável que tenha sido uma noite de nervos para os partidos mais à esquerda. O Bloco de Esquerda e a CDU (PCP+PEV) enviam, cada um, um deputado para Bruxelas. Ambos perdem um mandato no Parlamento Europeu. 

A ex-coordenadora do Bloco, Catarina Martins, foi eleita eurodeputada depois de o partido ter garantido 4,3% dos votos, menos de metade do obtido em 2019. João Oliveira também faz as malas sozinho. A CDU arrecadou 4,1% dos votos.

As projeções iniciais ainda davam a hipótese, mesmo que remota, do Livre poder vir a eleger um eurodeputado. Francisco Paupério, cabeça-de-lista, fica pelo caminho. O mesmo se aplica a Joana Amaral Dias, da Alternativa Democrática Nacional, que ultrapassou o PAN por duas décimas.

O Pessoas-Animais-Natureza diz adeus a Bruxelas. Com 1,2% dos votos, perdeu o único deputado que tinha. O cabeça-de-lista Pedro Fidalgo Marques não foi eleito.

Além de vencedores e vencidos, outro dado relevante é o da abstenção. Embora tenha sido a mais baixa em 20 anos, continua acima dos 60%. Em 2024 foi 62,5%. O voto em mobilidade terá contribuído para uma maior mobilização dos portugueses às urnas.

Há 21 candidatos eleitos. Conheça os nomes

O Partido Socialista elege oito eurodeputados. Marta Temido, Francisco Assis, Ana Catarina Mendes, Bruno Gonçalves, André Rodrigues, Carla Tavares, Isilda Gomes e Sérgio Gonçalves.

A Aliança Democrática envia sete eurodeputados para Bruxelas: Sebastião Bugalho, Ana Miguel Pedro, Paulo Cunha, Helder Sousa Silva, Lídia Pereira, Sérgio Humberto e Paulo Nascimento Cabral.

O Chega elege dois eurodeputados: António Tânger Corrêa  e Tiago Moreira de Sá.

Quarta classificada, a Iniciativa Liberal elegeu João Cotrim de Figueiredo e Ana Martins.

O Bloco de Esquerda elege a sua ex-coordenadora, Catarina Martins e a CDU elege João Oliveira.