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Prémios Play: o artista nomeado para várias categorias

No passado dia 2 de Abril, foram divulgados os 50 nomeados para os Prémios Play – Prémios da Música Portuguesa. Este evento anual, que se tornou um marco na indústria musical do país, está pronto para destacar os talentos mais brilhantes e as produções musicais mais notáveis do último ano. Com 14 categorias, não só destacam os melhores artistas do ano, como também os melhores álbuns, melhor videoclipe e ainda artista revelação. Para além disso, há também Prémio Crítica e Prémio Carreira, que serão apenas anunciados no dia 16 de Maio.

No entanto, os Prémios PLAY não se tratam apenas de reconhecer os artistas já estabelecidos. Uma das características mais emocionantes deste evento é a sua capacidade de destacar novos talentos e tendências emergentes na música portuguesa. Assim como o Prémio Lusofonia, que destaca músicas cantadas em português, mas não produzidas por portugueses. E ainda os Prémios Play estendem-se a vários géneros musicais, como o Fado e o Jazz, a partir dos prémios Melhor Álbum Jazz e Melhor Álbum Fado.

Nomeado para 3 categorias diferentes

Com 14 categorias, na 6ª edição dos prémios, há um artista em destaque: Slow J, cujo impacto na cena musical portuguesa revela-se notável. Não só está nomeado para Melhor Artista Masculino e Melhor Álbum, mas também para Vodafone Canção do Ano.

Ainda que tenha o mesmo numero de nomeações que Pedro Mafama, Slow J teve um acentuado crescimento nos últimos tempos. Em Março deste ano, esgotou por duas vezes o Altice Arena. No final de 2023, lançou também um novo álbum intitulado “Afrofado”, uma representação da sua herança africana, em conjunto com as suas raízes portuguesas. Quando foi  lançado, “Afrofado” tornou-se o álbum nacional mais ouvido de sempre no primeiro dia.

No dia 16 de Maio, no Coliseu dos Recreios, em transmissão em direto na RTP 1, RTP Internacional, RTP Africa, RTP Play e Antena 1, decorrerá a gala onde serão revelados os vencedores de cada categoria. E saberemos quantos prémios o Slow J levará para casa.

Rita de Sá, artista plástica. A importância da cor pelos opostos

“O desenho foi sempre delegado para 2º plano. O que está antes, o que não se vê. O que quis fazer foi o encontro. Aquilo que o espectador percebe é que existe um encontro e que esse encontro pode ser diverso: amigável, ou tenso.”, explica Rita de Sá sobre a as últimas obras.

No encontro do desenho e da pintura pretende marcar uma posição: a pesquisa do desenho na história da pintura. A artista plástica trabalha entre as Caldas da Rainha, onde tem atelier no hub criativo da Ceres, e Londres.

Durante muitos anos fez trabalho a preto e branco, quando estudava gravura o trabalho era monocromático, as professoras da ESAD- Caldas da Rainha disseram-lhe que a sua arte seria pintura e não gravura, pela relação e o estudo da cor. “Passados 20 anos faz muito sentido essa descoberta”.

Os trabalhos que começou a desenvolver em Londres vêm da relação do encontro do desenho com a pintura. A série After Turner inspirado no pintor britânico William Turner conhecido pela sua obsessão pelas paisagens perfeitas e pela captação da cor e da luz da paisagem, famoso por quebrar paradigmas na própria pintura.

Rita de Sá passou muito tempo na sala do Turner na Tate Britain só a olhar a pintura. “Esta série consiste em desenhos em papel, em que existe um encontro do desenho com a pintura. A parte de cor é feita em tinta de óleo, normalmente usada na pintura clássica e não é usada no suporte de papel”, teve de encontrar um papel e tinta especial, utiliza tinta de óleo em barra.

Não há pincel, mas há o gesto da mão, tal como o lápis, usa a mão para pintar. O gesto que se vê na pintura é o mesmo gesto que existe no desenho, relação direta com o papel.

ritadesa2 Rita de Sá, artista plástica.  A importância da cor pelos opostos

Exposição na Galeria Cisterna

Na série After You existe “só uma relação da pintura e a mancha encontro de 2 elementos/ objectos. Daí a pressão, enquanto na pintura existe ligação, diálogo, o próprio fundo branco cria uma tensão, mais aberta e mais livre mais condensada. “

As séries de pinturas com fundos brancos After You deram nome à última exposição individual na Galeria Cisterna, com a exposição de 4 séries: After You, After After Turner, Run e Looking After You Too.

As obras After After turner, e Looking After You Too apresentam desenhos de lápis de grafite em papel – pequenos e grandes.

Partem de um estudo sobre a paisagem inspirado no pintor britânico William Turner.  “São objetos, são corpos manifestação física de um gesto da memória, aquilo que quero imprimir nesta representação ou abstração é imprimir um sentimento, que obviamente está relacionada com as nossas memórias.” Seja memória pessoal durante todo o processo de trabalho, ou no próprio gesto ou na escolha cromática e na memória coletiva das pessoas quando olham e tentam ter referências.

ritadesa1 Rita de Sá, artista plástica.  A importância da cor pelos opostos

Na inauguração desta exposição chegaram a identificar luto nas suas pinturas devido ao fundo negro de onde surge as machas. Mas admite que “todos criam um significado para as manchas”.

Para a artista a “memória é algo que deixou de existir, e fica uma marca, um gesto, um cheiro, algo que gostamos tanto, é a única coisa que preserva algo que aconteceu e que já não existe.

Arte do ensino artístico

Rita de Sá preocupa-se muito com a relação das crianças com o desenho, quer saber “como é que funciona neurologicamente” o nosso desenvolvimento na relação com o desenho. “Uma parte que as marca dramaticamente é quando aprendem a ler e escrever, a relação com o desenho muda completamente”.

Pergunto se ter sido mãe desencadeou em si esse interesse, mas revela que o seu estudo sobre o desenvolvimento do desenho na criança começou antes de ser mãe. Uma das cadeiras de mestrado em Ensino das Artes visuais é a didática do desenho, onde explorou todas as didáticas que existiram ao longo dos séculos da aprendizagem do desenho. No mestrado ganhou consciência de como funciona o cérebro nas várias fases do desenvolvimento da criança e do ser humano.

Iniciou a fase curricular do mestrado em Belas-Artes em Lisboa, mas é em Londres que escreve a parte de tese. Onde encontrou uma nova dimensão sobre a arte, diz-me que “há toda uma posição e consciencialização da Arte um pouco diferente.”

Reino Unido muito diferente de Portugal?

“No Reino Unido há muitos apoios para a cultura, o mundo da arte é muito diverso, com muitos nichos. Em Portugal há menos nichos e menos apoios.  As coisas tendem mudar em Portugal, cada vez há mais apoios, mas ainda existe o sentimento de não ser apoiado. Também é um processo de construção, desconstrução ao longo da vida.”, comenta a artista plástica.

Em Londres continua o pensamento da arte, terminou o mestrado, não deu aulas no ensino regular, preferiu dar aulas particulares, descobriu “um universo grande” de familias em homeshooling, ou familias que queriam dar aulas de artes visuais aos filhos em casa.  “Trabalhava com familias em que uma criança estava a ter aula de piano e eu dava aulas de pintura ou desenho”. Conheceu muitas familias com crianças em homeshooling que gostavam de ter apoio ou tutoria em artes visuais, para a preparação de exames, construção de portfolios de artes visuais para serem avaliados pela escola.  Foi nessa altura que começou a pensar em homeshooling para os filhos, e nas possibilidades que se podem desenvolver com as crianças no ensino artístico. Considera ter sido “uma surpresa”, que adotou para os seus filhos.

Está neste momento a produzir a série com fundo preto After You Too  onde explora como funciona a pressão com outro tipo de intensidade de cor, “completamente diferente do fundo branco”.

Rita de Sá prepara uma mostra de obras de pintura para este ano, tem o objetivo de fazer a exposição que “ainda não aconteceu” na cidade das Caldas da Rainha.

Teresa Canto Noronha: “Não sabia que tinha isso em mim”

Neste podcast Estado com Arte fui ao Mercado P´la Arte, um estacionamento transformado em galeria de arte, onde conversei com Teresa Canto Noronha, jornalista e artista autodidata.  

Nesta galeria improvisada, cedida pelo empreendimento imobiliário Prata Riverside Village, os artistas podem trazer o que quiserem, têm um espaço cedido gratuitamente, são mais de 40 artistas no mesmo espaço com entrada livre.

Acontece todos os primeiros sábados de cada mês, participam pessoas que expõem há muitos anos e artistas que expõem pela primeira vez.  Um ambiente muito variado de artistas que torna o Mercado P´la Arte apelativo para quem expõe: há uma relação direta com o público, podem partilhar ideias sobre as obras de arte.

A jornalista e artista plástica desta vez trouxe peças de 2017 a 2021, desenhos em papel com tinta-da-china, algumas já estiveram patentes numa exposição individual no palácio da Bolsa no Porto, que se chamava a falácia da perfeição. Uma abordagem à “ideia que temos sobre o que é a perfeição”.

Estes desenhos são ilusões de perfeição simétrica. Parecem simétricos, mas na verdade não são, estão cheios de erros propositados. “Como na vida?”, pergunto. É um pouco essa ideia: “vivemos obcecados com a perfeição, não existe e não é aquilo que nós pensamos que pode ser.”

Trouxe desenhos de estudo para uma exposição e uma fase de desenhos que veio depois “quase não tem cor, é uma fase de preto e branco, mais orgânica”.

“É muito interessante conhecer outros artistas e ter uma relação com o cliente, falar diretamente com quem vê o nosso trabalho. Perceber o que pensam e sentem.”

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Beatriz Horta Correia e Susana Prudêncio, organizadoras do Mercado P’la Arte, na última edição./ MARTA ROQUE

Não cresceu no meio artístico, mas viveu num ambiente familiar ligado à literatura, talvez aí tenha recebido alguma influência através do avô materno que era pintor, vivia em Angola e que pouco conheceu.

Nunca achou que fosse uma área que pudesse explorar, até porque estudou engenharia e enveredou pelo jornalismo. “Não sabia que tinha isso em mim.”

Em 2001 foi viver para Bruxelas, onde esteve como correspondente da RTP, e teve o seu primeiro apartamento, “Queria pôr nas paredes o que eu quisesse”.

Procurou obras de arte para decorar as paredes, mas a dada altura começou a comprar tecidos e telas para criar instalações em casa. Os amigos iam ajudando a criar as suas obras de arte.

Via muita arte em Bruxelas e isso terá sido importante para soltar-se e enverdar pela criação artística.

Quando esteve 4 anos como correspondente da Sic, em Roma “produzia, mas não mostrava a ninguém, por vergonha.”  Nunca chegou a expor os seus trabalhos, enquanto esteve a trabalhar fora.

É quando volta para Portugal que começa a fazer miniaturas de esculturas. Um dos seus trabalhos escultóricos explora a temática da comunicação, que embora seja a base do seu trabalho, tanto jornalístico como na arte, são comunicações completamente diferentes: o jornalismo comunica factos, realidades, denuncia, e a arte comunica emoções ideias, conceitos.

Assume que precisa também da arte “para se sentir mais completa”. A sua forma de expressão artística é “muito conceptual”. Nem sempre é fácil de compreender, o que dificulta a comunicação, mas por outro lado gosta que “as pessoas tenham de refletir um pouco mais”.

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Valentim Quaresma, joalheiro, um dos organizadores do Mercado P’la Arte./ MARTA ROQUE.

“Gosto que as pessoas olhem para o meu trabalho, que pensem que o estão a perceber, e que depois percebam que a primeira impressão não é a óbvia. Há sempre qualquer coisa de conceptual por detrás do meu trabalho.”

“Como não sou de belas-artes, sou autodidata, se calhar não havia espaço para mim”, diz a jornalista e artista. Mas aos poucos tem dado a conhecer o seu trabalho. Está agora a trabalhar tapeçaria de bordar no ponto de arroiolos, porque, no seu entender, “existe um novo espaço” para a arte têxtil. São desenhos para tapeçaria como se fosse papel, só que em bordado.

O trabalho tem por base um estudo de desenhos de arquitetura sobre os anos 40, 50 e 60 do século XX, anos que considera “muito interessantes do ponto de vista arquitectónico, de design, e das artes”. Um trabalho em que está a recuperar técnicas antigas do bordado português, para tapeçaria de bordado. Mas admite que tem como matéria preferida a madeira, em que faz todo o trabalho de produção do material,  utilizando as técnicas de marcenaria e de carpintaria. Também gosta de trabalhar materiais orgânicos e recicláveis como a lã. 

Para o próximo ano está a pensar fazer uma exposição individual com os novos trabalhos de tapeçaria e alguns da sua coletânea.