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Novo “semáforo” do Parlamento começa a funcionar em setembro

“O microfone seria cortado agora”. Esta foi a frase que mais se ouviu na última sessão plenária de junho no Parlamento. O primeiro teste ao “semáforo” na Assembleia da República faz parte do processo de implementação do novo sistema de controlo de intervenções dos deputados e membros do Governo. Deverá entrar em vigor em Setembro, se tudo correr como esperado.

Ao invés de serem só os membros da mesa a alertar para o cumprimento de tempos, passa agora a existir uma sinalização luminosa verde, amarela ou vermelha, que permite saber quanto tempo resta para uma determinada intervenção de uma bancada.

Já o corte de som não aconteceu nos ensaios, mas vai acontecer em setembro. Sempre que for ultrapassado o tempo limite, o microfone é automaticamente desligado. José Pedro Aguiar-Branco repetiu inúmeras vezes: “O microfone seria desligado agora”. O Presidente da Assembleia da República moderava o debate sobre o Plano de Emergência para a Saúde, com a ministra Ana Paula Martins presente no hemiciclo.

Semáforo requer mais cumprimento dos deputados

“Futuramente haverá um corte automático, tal como acontece no Parlamento Europeu, tal como acontece no Brasil e na Alemanha. Afinal não foi uma ideia tão original quanto isso”, disse José Pedro Aguiar-Branco.

Já a Vice-Presidente, Teresa Morais, fez também um apelo aos deputados para olharem regularmente para os ecrãs. Mais que uma forma de gestão, será também um teste aos deputados, já que o semáforo vai mesmo cortar as intervenções que excederem o tempo regulamentado. 

O tempo de intervenção é calculado com base na dimensão de cada grupo parlamentar. Por isso, PS e PSD são os que mais tempo têm para intervir. Pelo contrário, o PAN (de deputada única) é que beneficia menos.

Fonte do gabinete do Presidente da Assembleia da República disse à RTP que o ensaio do semáforo na sessão de 28 de junho correu tecnicamente bem, com base no retorno de alguns deputados. Ainda assim, vários deputados não alteraram comportamentos. Em vários casos, a luz vermelha piscou durante algum tempo.

Parlamento terá sistema “semáforo” para controlar as intervenções

A partir de agora o Parlamento terá um controlo automático destinado aos microfones das bancadas. O objetivo é garantir uma melhor gestão de tempos durante as sessões e que nenhum partido seja favorecido ou prejudicado.

A medida foi proposta pelo Presidente e Vice-Presidentes da Assembleia e recebeu luz verde em Conferência de Líderes. “Não tendo havido unanimidade, houve amplo consenso. A esmagadora maioria dos grupos parlamentares concordou com a medida e com o que está subjacente”, explica Jorge Paulo Oliveira.

“A medida visa tão só evitar que haja qualquer sentimento de que uns foram mais favorecidos que outros, ou de que o presidente tem maior ou menor flexibilidade”, conclui.

Verde, Amarelo e Vermelho. A ideia para o Parlamento

É, por isso, chamado de sistema “semáforo” ou de alerta porque implica um controlo através de luzes ligadas aos ecrãs do hemiciclo. Além disso, fica apto para desligar o microfone dos deputados sempre que atingirem o limite de tempo num discurso.

Quando faltarem 30 segundos para terminar o tempo, acender-se-á primeiramente uma luz amarela. O indicador passa a vermelho quando o tempo se esgotar. Cada deputado terá depois uma tolerância de 15 segundos até o microfone ser desligado.

Legislativas: Saiba se o seu voto elegeu deputados

673.382 votos não foram convertidos em eleição de deputados à Assembleia da República. Ainda que provisórios, os dados referentes às legislativas deste ano são apresentados ao Expresso por Luís Humberto Teixeira, responsável pelo portal “O Meu Voto”

No site, cada eleitor pode consultar a informação disponível, a fim de perceber se o voto efetivamente contou. É tido em conta, em primeiro lugar, o círculo eleitoral e, logo depois, o partido votado. Por conseguinte, é dada a informação sobre a utilidade do voto no sufrágio.

Os dados sobre o número de votos não convertidos não incluem os referentes aos círculos eleitorais do estrangeiro (Europa e Fora da Europa). Essa informação é conhecida mais tarde.

Ao todo, estima-se que já tenham sido desperdiçados cerca de 9 milhões de votos desde a primeira eleição em democracia para a Assembleia da República, em 1975.

BE foi o mais castigado. Partido elegeu cinco deputados

Aconteceu o mesmo que há dois anos. Em 2024, 126.500 votos no Bloco de Esquerda (BE) não serviram para eleger deputados ao Parlamento. É um número superior ao registado na última eleição, com mais de 112 mil votos perdidos.

Ao Expresso, Luís Humberto Teixeira explica que, só no círculo eleitoral de Braga, mais de 21 mil votos no BE não foram convertidos. Todavia, o Bloco de Esquerda elegeu cinco deputados, tal como em 2022. “Há locais em que, por muito pouco, os partidos não conseguem nenhuma representação. Esso faz diferença para a contagem final”.

Em contrapartida, PS viu todos os votos contribuírem para eleger deputados no hemiciclo. No caso do Chega e da Aliança Democrática, o número de votos desperdiçados foi residual.

Será que o meu voto serviu para eleger alguém?

Basta uma pesquisa no portal “O Meu Voto” para perceber se o voto colocado nas urnas serviu para eleger deputados ou se foi deitado fora.

É necessário colocar o círculo eleitoral juntamente com o partido votado e poderão aparecer duas mensagens.

  • Parabéns! O seu voto elegeu alguém
  • Lamentamos, mas o seu voto não elegeu ninguém.

Fotografia: parlamento.pt

Legislativas: Abstenção é a mais baixa em 30 anos. Votaram 6,1 milhões de pessoas

Nunca tantas pessoas votaram em Portugal. Segundo os dados da Secretaria-Geral do Ministério da Administração Interna, mais de 6,1 milhões de portugueses foram às urnas para exercer o direito de voto nas legislativas antecipadas. Um dos resultados foi uma taxa de abstenção mais baixa, quando comparada com eleições anteriores.

Assim, é um recorde que ultrapassa o número de votantes em qualquer eleição para o Parlamento em tempo de democracia. Em 1979 e 1980, votaram 6 milhões de pessoas.

A abstenção, de 33,8%, foi a mais baixa em 30 anos, apenas superada pelo registo de 1995. Nesse ano, 32,9% dos eleitores recenseados decidiram não ir às urnas. Há dois anos a abstenção situou-se nos 42%. À época, o Partido Socialista venceu com maioria absoluta, mas o Governo caiu pouco depois de completar dois anos de mandato.

No entanto, os dados das Legislativas de 10 de março ainda não incluem os dois círculos eleitorais referentes aos portugueses residentes no estrangeiro. Ao todo são eleitos 4 deputados pelos círculos “Europa” e “Fora da Europa”.

Abstenção baixa mas vitória sem maioria. Montenegro reforça o “Não é não” ao Chega

A Aliança Democrática (PSD/CDS/PPM) venceu as eleições legislativas com 29,5% dos votos, mas ficou longe de garantir a maioria absoluta no Parlamento, com 79 deputados eleitos. Longe da vista ficou também a possibilidade de uma maioria de direita no Governo (PSD e Chega), que André Ventura pediu durante toda a campanha eleitoral.

No discurso de vitória, Luís Montenegro voltou a dizer que não fará nenhum acordo de Governo ou de incidência parlamentar com o Chega. “Assumi dois compromissos na campanha e naturalmente cumprirei a minha palavra. Nunca faria tamanha maldade”, garantiu o Presidente do PSD. Montenegro esclareceu ainda que o próximo programa de Governo terá de estar assente no diálogo.

O partido encabeçado por André Ventura alcançou 18,1% dos votos e reafirmou-se como terceira força política em Portugal. Conseguiu eleger 48 deputados. O resultado é histórico e representa, em número de mandatos, quatro vezes mais do que tinha conseguido em 2022. Ventura reclamou o “fim do bipartidarismo em Portugal” e insistiu na formação de um executivo à direita com PSD e Chega. 

André Ventura enviou ainda recados ao Presidente da República, que acusou de ter querido condicionar o sentido de voto à última hora. Segundo o Expresso, Marcelo Rebelo de Sousa tudo fará para evitar o Chega num Governo à direita.

Derrota perto de uma vitória. PS “fará oposição”

Já o PS foi o grande derrotado da noite eleitoral, assim o assumiu Pedro Nuno Santos. O partido arrecadou 28,7% dos votos e elegeu 77 deputados. Fica em segundo e à tangente da Aliança Democrática, mesmo que em número de deputados eleitos ainda possa superar a AD. Faltam contar os votos dos círculos eleitorais do estrangeiro.

O nosso caminho começa agora. Vamos liderar a oposição”. Não vamos aprovar moções de censura. Não vamos apoiar um Governo da AD. Que fique claro”, esclareceu Pedro Nuno Santos.

Livre com destaque entre os mais pequenos. PAN e CDU escapam e CDS regressa

Outra surpresa foi o resultado obtido pelo Livre. A força liderada por Rui Tavares obteve 3,3% dos votos e, por isso, quadruplicou também o número de deputados eleitos à Assembleia da República. Subiu de 1 para 4 , o que forma um grupo parlamentar.

A Iniciativa Liberal, o Bloco de Esquerda e o PAN mantiveram o número de deputados eleitos (IL com 8, BE com 5e PAN com 1). Ambos cresceram em número de votos.

Pelo contrário, a CDU (PCP+PEV) emagreceu ainda mais a representação parlamentar, passando de 6 para 4 deputados. O partido resiste, ainda que com um dos piores resultados de sempre.

O CDS-PP (que entrou na corrida sob designação de AD) consegue regressar à Assembleia da República, com a eleição de 2 deputados. O partido estava afastado do Parlamento desde as eleições legislativas de 2022.

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Novas regras para a lei da Adoção aprovadas no parlamento

Em geral aumentam em três anos a idade limite para a adoção de crianças, ou seja para os 18 anos. A proposta de revisão da lei da Adoção surgiu do Bloco de Esquerda, que deu entrada no parlamento em janeiro deste ano, juntaram-se ainda o PCP, Iniciativa Liberal, o PAN e Chega. O Livre, além de acompanhar a alteração da idade da criança adotada para 18 anos, apresenta também um projeto de lei para diminuir para 25 anos a idade mínima de quem pode adotar, que estas pessoas possam viver em união de facto e que a criança possa dar o seu consentimento à adoção a partir dos 8 anos e não 12 como a atual lei define.

O Partido Comunista vai mais longe nas alterações à lei da Adoção quanto “à possibilidade de retoma das medidas de acolhimento com base em pedido fundamentado do próprio”, possibilitando a reentrada no sistema e a garantia de que todos os jovens têm acesso a um programa de preparação para autonomia de vida. “O jovem numa casa de acolhimento atingindo os 18 anos, podendo-se autonomizar, fá-lo, muitas vezes, de forma precipitada e com expectativas que não se realizam”, explica ao TejoMag, Alma Rivera, deputada do PCP.

almarivera Novas regras para a lei da Adoção aprovadas no parlamento

Alma Rivera, Deputada do Partido Comunista Português./ Direitos reservados.

 São muitos os jovens que ficam em situação de fragilidade social, levando a “problemas mais graves” de sem-abrigo e prostituição. “Não há nenhum mecanismo que preveja, neste momento, na lei a retoma das medidas de proteção”. Tomando uma decisão errada, o jovem fica completamente desamparado. “Aquilo que queremos é que a lei preveja o regresso à instituição, de proteção a pedido próprio jovem”.

Quanto à alteração da idade de adoção para os 18 anos diz que não existe “qualquer sustentação científica ou mesmo jurídica, o que discrimina crianças, jovens que têm direito a ser adotados e que ficam impossibilitados pela lei de o ser, ficando tantas vezes condenados à institucionalização” e podendo, inclusivamente, ver um irmão com menos de 15 anos ser adotado e não podendo ser adotado conjuntamente. 

A lei tem várias modalidades para além da adoção, como o apadrinhamento civil e acolhimento familiar que não estão a ser devidamente utilizadas, segundo notícia em janeiro no TejoMag, no artigo sobre a lei da Adoção em Portugal.

Para a deputada comunista “é óbvio que temos de reduzir a institucionalização”, para promover a integração familiar das crianças, definitiva ou temporariamente, através de família adotiva ou apadrinhamento civil, ou ainda pela execução da medida de acolhimento familiar. Considera, no entanto, que “é importante fazer a distinção” entre o que é a adoção, o apadrinhamento civil e o acolhimento familiar, “uma vez que partem de vontades diferentes e são perspetivas temporais também distintas e, talvez, um primeiro passo seja precisamente alargar o conhecimento e sensibilizar sobre os diferentes regimes”.

A lei define os princípios que o sistema de promoção e proteção deve observar, “desde logo o superior interesse da criança e do jovem, mas também “a privacidade, a intervenção precoce, a intervenção mínima, o princípio da proporcionalidade e atualidade, a responsabilidade parental, a prevalência da família, a obrigatoriedade da informação, a audição obrigatória e participação da criança ou jovem e o princípio da subsidiariedade”. Alma Rivera entende que “há questões que carecem de intervenção legislativa e organizacional”, mas em “grande medida os problemas existem pela carência de meios e por uma delegação feita em instituições que não têm os recursos ou vocação adequados à missão que lhes é entregue”.

 

Adaptar a lei a uma visão contemporânea do direito da família

patricia+gilvaz Novas regras para a lei da Adoção aprovadas no parlamento

Patrícia Gilvaz, deputada da Iniciativa Liberal. / JUNIOR DE VECCHI

Para a Iniciativa Liberal a alteração à lei que fixou esta idade máxima de 15 anos já tem mais de 30 anos e decorre de “uma visão altamente paternalista e desajustada”. Patrícia Gilvaz, deputada da IL, adianta que é “essencial não só refletir e debater este tema, mas sobretudo adaptar a lei a uma visão contemporânea do direito da família, no qual se privilegia os direitos das crianças e jovens (em linha aliás com aquelas que são as convenções internacionais, como a Convenção Internacional sobre os Direitos das Crianças)”.

A proposta do regime dos liberais é semelhante ao vigente em países como Espanha, Itália, Alemanha, Suíça ou Luxemburgo, onde a adoção pode ocorrer até aos 18 anos e, em certos casos, até depois dessa idade.

A deputada liberal diz que existe “um obstáculo legal que fixa um limite etário para o processo de adoção sendo que este, supostamente, deveria visar o superior interesse da criança”. Contudo, o que “efetivamente acontece em Portugal é que se deixa de poder ser adotado quando, à data do requerimento de adoção, se tenha 15 anos’.

Esta limitação é “uma grave violação” dos direitos fundamentais das crianças e adolescentes, e é ainda “mais preocupante” nos casos em que irmãos podem ser separados, porque um deles já não se encontra em idade legal para ser elegível para o processo de adoção, revela a deputada.

Tal como o Bloco de Esquerda na sua proposta de revisão de lei da Adoção o grupo parlamentar da IL não aceita “a fundamentação que uma criança com mais de 15 anos não consegue estabelecer laços afetivos e familiares semelhantes à filiação, principalmente quando diversos estudos empíricos” provam que a integração de crianças e jovens mais velhos “não é mais complicada em relação aos mais novos, especialmente porque nesse processo pesam sobretudo fatores mais variáveis e subjetivos, tais como a expetativa, tolerância e preparação da família adotiva, bem como a própria preparação do jovem para a adoção, a sua história pessoal e ainda a sua personalidade”.

Comunistas e liberais consideram que a norma vigente “não tem qualquer fundamentação científica” nem vai “ao encontro daquela que é, internacionalmente, a proteção dos seus direitos”, como também, “não respeita o princípio do superior interesse das crianças e jovens que é precisamente o principal objetivo e propósito do instituto da adoção”.

Para os liberais a lei “tal como está atualmente, limita a vida de muitas crianças e jovens que estão em processo de adoção, fomentando, inevitavelmente, que os jovens entre os 15 e os 18 anos permaneçam institucionalizados e em acolhimento residencial, quando possivelmente poderiam estar em processo adotivo”. Esta mesma restrição tem permitido a separação de irmãos, a “quebra de laços familiares fulcrais para o crescimento e desenvolvimento das crianças e jovens”, refere a deputada.

Diz mesmo que “muitos jovens estão numa idade próxima de atingirem este limite máximo para ficarem condenados a não ter uma família”.

Dos “poucos casos” em que o Estado deve ter ação é “precisamente” para assegurar e garantir os direitos, liberdades e garantias de todos os cidadãos, mas “principalmente das crianças, especialmente quando falamos de crianças em especial vulnerabilidade como é o caso das crianças institucionalizadas”.

Patricia Gilvaz garante não existir nenhum acordo formal ou informal entre os partidos para avançar para estes projetos. “Penso que tanto a IL, como o BE e o PCP fizeram o mesmo diagnóstico e, portanto, o fim dos projetos é o mesmo – o superior interesse da criança.”

O projeto de lei do Chega foi o único rejeitado, com os votos contra do PS e Iniciativa Liberal, e propunha alterações ao Código Civil, Regime Jurídico do Processo de Adoção e Código do Trabalho, com o objetivo de reduzir o número de crianças institucionalizadas através de um processo de adoção célere.