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Author Archive by Carolina Piedade

Quem são as mulheres mais influentes da história da humanidade?

A história ficou marcada por diversas mulheres que desempenharam um papel fundamental e decisivo para o avanço da humanidade. Foram pioneiras em diversos movimentos e lutas contra a opressão e deixaram a sua contribuição em campos como a arte, a religião, a política, a ciência e a economia.

Eis algumas mulheres que deixaram uma marca na história do mundo:

Cleópatra, a rainha egípcia que foi considerada um dos maiores génios estratégicos do mundo antigo. Uma mulher que governou o Egito durante um período de grande importância para a estabilidade egípcia, bem como para a cultura do país. Ganhou destaque pelo dom que tinha de falar com eloquência e persuasão, que facilitou a que mantivesse o Egito sobre as forças romanas.

Maria, mãe de Jesus. A Virgem Maria foi mãe de Jesus Cristo e é considerada fundamental para a crença cristã. Os seus ensinamentos sobre o amor, a justiça e a misericórdia são baseados na vida de Jesus. Para além disso, é venerada não só pelos seus atos, mas também pela influência que tem na vida de milhões de pessoas ao redor do mundo.

Emmeline Pankhurst foi uma das mulheres que fundaram o movimento britânico pelo sufragismo e conseguiu dar o direito de voto às mulheres. Viveu entre 1858 e 1928.

Anne Bonny foi uma das mais famosas piratas femininas que marcaram a história do mundo a nível marítimo. A irlandesa viveu durante o século XVIII e era conhecida pela sua coragem e habilidade ao manusear armas. A habilidade naval e experiência que tinha em lidar com a lei, permitiu que causasse estragos nos mares das Caraíbas durante vários anos. Desafiou, também, o preconceito que existia sobre as mulheres piratas.

Por fim, mas não menos importante, Marie Curie. Marie foi a primeira mulher a receber um prémio Nobel e a única pessoa a ganhar dois Prêmios Nobel em duas categorias diferentes, o de Física em 1903 e o de Química em 1911. Foi pioneira em estudos sobre a radiação e realizou diversas experiências que foram cruciais para o avanço do conhecimento sobre o raio X. Foi também pioneira na luta pelos direitos das mulheres na ciência.

Cada uma destas mulheres desempenhou um papel decisivo no processo de transformação cultural e social do seu tempo, influenciando diversas gerações que se seguiram.

As 5 mulheres portuguesas mais influentes da história do país

Portugal é um país com uma grande história e com algumas mulheres que deixaram uma marca na mesma. Foram mulheres influentes nos seus tempos e que se eternizaram na história para serem recordadas pelas gerações futuras.

Isabel de Aragão, também conhecida como Rainha Santa Isabel. Governou o reino de Portugal durante a Guerra da Independência, quando os portugueses lutaram contra os castelhanos. Esta rainha criou instituições que acolhiam e ajudavam doentes e carenciados. Devido a estes feitos, surgiu o famoso episódio do Milagre das Rosas. Isabel era amada pelo seu povo por ajudar os necessitados, mas o seu marido, Dom Dinis, não apoiava a proximidade que Isabel tinha com o povo. Como tal, decidiu apanhá-la em flagrante. Contudo, quando Isabel de Aragão mostrou os pães que levava consigo, estes transformaram-se em rosas permitindo, assim, que Santa Isabel não fosse descoberta.

Florbela Espanca é uma das poetisas mais conhecidas do nosso país, tendo escrito poemas e contos que permanecem até hoje no conhecimento literário dos portugueses. Nasceu em 1894 e morreu em 1930.

D. Maria da Fonseca foi a rainha da Época Barroca. Foi responsável por ter consolidado a monarquia portuguesa. Incentivou à educação, patrocinou a literatura e as artes e reorganizou a Universidade de Coimbra.

Maria de Lourdes Pintasilgo marcou a história de Portugal por ter sido a primeira mulher a ocupar o cargo de Primeira Ministra, entre 1979 e 1980. Foi também engenheira químico-industrial licenciada pelo Instituto Superior Técnico da Universidade Técnica de Lisboa em 1943. Nos anos 50 foi presidente da Juventude Católica Feminina (1952 a 1956) e foi dirigente da Pax Romana – Movimento Internacional de Estudantes Católicos entre 1956 e 1958.

Já a médica e feminista Carolina Beatriz Ângelo foi pioneira em diversos factores, nomeadamente, o facto de ter sido a primeira mulher médica a realizar uma operação no Hospital São José em Lisboa. Ficou marcada na nossa história por ter sido a primeira mulher a votar em 1911.

Estas são cinco mulheres que influenciaram de alguma maneira a história de Portugal. Todas deixaram a sua marca na história do país e são recordadas e lembradas pela sua contribuição.

Homenagem às mulheres do século XX e XXI

No dia 8 de março assinala-se o dia da mulher e, como é um dia para celebrar o género feminino, recordemos algumas mulheres que marcaram os séculos XX e XXI:

Amália Rodrigues, Natália Correia, Snu Abecassis, Vera Lagoa, Eunice Muñoz, Maria de Lourdes Pintasilgo, Maria Helena de Vieira da Silva, Beatriz Costa, Sophia de Mello Breyner Andresen, Paula Rego, Madre Teresa de Calcutá, Princesa Diana, Rainha Elizabeth II, Branca Edmée Marques, Coco Chanel, Audrey Hepburn, Jeanne-Marie Lanvin, Barbara Mary Quant, Elsa Schiaparelli, Vivienne Westwood, etc.

Relembramos não só quem passou por este mundo, mas também quem continua a contribuir para a sua melhoria. Ficam, aqui, nomes de mulheres que marcam atualmente a história do mundo e de Portugal: Joana Vasconcelos, Marta Temido, Ursula Von Der Leyen, Catarina Furtado, Fátima Lopes, Patrícia Mamona, Clara de Sousa, Ana Patrícia Carvalho, Catarina Gouveia, Graça Freitas, Sara Barros Leitão, Ana Sofia Martins, Miuccia Prada, Ana Figueiredo, Cristina Fonseca e muitas mais. 

Joana Cordeiro: “Vivemos num cenário de estagnação económica e de mediocridade”

Joana Cordeiro é deputada da Iniciativa Liberal, tem 38 anos e foi eleita por Setúbal para a Assembleia da República. É licenciada em Gestão de Marketing e desempenha o cargo de Vogal da Comissão Executiva no partido.

Começo por perguntar-lhe quais serão as principais diferenças visíveis na gestão do partido?

De facto, tivemos mudanças nos últimos tempos mas são mudanças que fazem parte da nossa vida. Sempre fomos um partido criado por pessoas que tinham o objetivo de mudar o que tínhamos no país, portanto as mudanças não nos assustam propriamente. É preciso mudar, mas vamos adaptando-nos às circunstâncias da realidade. Houve vontade manifestada pelo João Cotrim de Figueiredo de não continuar à frente do partido e é algo natural. O Rui Rocha transmitiu sempre que não havia uma ruptura com o sucesso que o partido conquistou até então, porque realmente temos tido sucesso que não justifica… existem mudanças pois existe um caminho que não está a acontecer, onde não se conseguiu atingir os objetivos e que não é o caso da Iniciativa Liberal. O que podemos esperar com o Rui é aquilo que já foi transmitido e que tem sido dito. O Rui Rocha é muito próximo das pessoas e, de certa forma, a percepção pública que a Iniciativa Liberal às vezes tem é de ser um partido que está um bocadinho afastado, que está muito concentrado nos centros urbanos e que só tem um tipo de discurso muito virado para a economia. Acho que esta mudança vai ajudar a que as pessoas tenham uma percepção diferente. O Rui Rocha é um deputado eleito por Braga, que não é uma das grandes cidades como Lisboa e Porto, mas sempre fez a sua campanha muito próxima das pessoas e isto é o que o Rui trouxe e traz como presidente do partido. Uma política com maior proximidade e com temas diferentes, para além da economia, que trazem diferença à vida das pessoas. 

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Joana Cordeiro é Vogal da Comissão Executiva da IL

No seu primeiro discurso como líder do partido, Rui Rocha diz que “só interessa o futuro”. Qual é o futuro da Iniciativa Liberal?

Temos de olhar para o futuro. Temos de aprender com o passado para podermos melhorar o futuro. Mas o que temos assistido é um país que está estagnado há muito tempo, que não tem crescimento económico. E o olhar para o futuro é sabermos o que temos de fazer para contrariar isto. Vivemos num cenário de estagnação económica e de mediocridade e o que temos assistido cada vez mais é que, com essa falta de crescimento económico que temos, deixamos de ter recursos e, quando não temos recursos, assistimos cada vez mais ao que temos visto até hoje, que é de uma degradação completa dos serviços públicos. Portanto, o olhar para o futuro é conseguirmos contrariar esta estagnação com propostas que resolvam o problema das pessoas e que contrariem o cenário que temos. Desde que é presidente da Iniciativa liberal, o Rui e toda a comissão executiva têm o objetivo de chegar aos 15% de delegações de votos nas eleições legislativas e o objetivo é podermos contribuir para mudar as políticas porque não basta chegarmos à terceira força política nacional, temos de ter uma percentagem que nos permita efetivamente influenciar o país e de influenciar as decisões que se tomam no país. Também tem sido muito referido que temos de acabar com este bipartidarismo que temos entre o PS e o PSD e, com 15%, nós podemos fazer essa diferença. É este o caminho para o futuro, é continuarmos a apresentar propostas que as pessoas reconheçam que são uma mais valia para elas, que as compreendam, que resolvam problemas do dia a dia e que façam a Iniciativa Liberal crescer no sentido de poder influenciar e mudar o cenário que temos no país.

“O que nos preocupa e que levanta todos os alertas é o facto de existir um grande ataque à propriedade privada. Quando temos o Estado a decidir o que podemos fazer com um bem que é nosso, se calhar estamos a cruzar uma fronteira que não deveria ser cruzada.”

Rui Rocha disse que a Iniciativa Liberal tenciona ir para a rua e fazer manifestações. Há a possibilidade de se juntarem ao movimento referendo pela habitação em defesa do direito a habitar em Lisboa?

O partido nunca deixou de estar na rua. Sempre fizemos campanha, eu fui eleita por um distrito que também não é Lisboa e Porto, fui eleita por Setúbal, e fizemos campanha na rua, estivemos sempre muito na rua. O que temos de fazer mais é essa tal política de proximidade e estar onde as pessoas estão e defender os seus problemas. No caso da habitação, a Iniciativa Liberal tem defendido uma agilização de processos, menos burocracia, uma maior liberalização do mercado… Compreendemos que existem problemas na habitação e isso é evidente. Existem pessoas com muitas dificuldades em conseguir ter uma casa, principalmente os jovens. Mas o que não temos concordado e, agora, com o pacto que vimos ser apresentado, não concordamos com as medidas que são apresentadas. O que temos defendido tem que ver com o aumento da oferta. Temos de ter mais casas disponíveis no mercado porque é a lei da oferta e da procura a funcionar, se temos mais oferta, obviamente que os preços baixam. Se continuarmos a ter medidas que não aumentam a oferta, não vai resultar. Compreendemos todas as reivindicações e todos os movimentos, mas discordamos das medidas e da forma como são feitas. 

A propósito deste tema sobre a habitação, ocorreu ontem o Conselho de Ministros onde foram tomadas diversas medidas, tal como o incentivo à colocação de casas no mercado da habitação em vez de no Alojamento Local. Rui Rocha foi bastante explícito ao dizer que esta medida seria a “morte do arrendamento local”. Para a Iniciativa Liberal, a única solução é a transferência das onze sedes de organismos públicos para fora da capital?

Existe, sim, pouca oferta de habitação e isso nós temos de remediar. E temos problemas que são principalmente concentrados nas zonas urbanas, Lisboa e Porto. O nosso pacote de descentralização e de deslocalização de serviços públicos tem que ver com o facto de tentarmos diminuir o peso dos organismos nas cidades. Obviamente que, quando se deslocar os serviços para fora de Lisboa e do Porto, é normal que exista um acompanhamento das populações que acompanhem esses serviços. O nosso objetivo com essa medida é diminuir a pressão. Há todo um conjunto de medidas na habitação, não podemos olhar para cada medida de forma isolada, não é só uma questão de agilizarmos os licenciamentos. Da mesma forma, temos uma carga fiscal altíssima, por exemplo, as questões do IVA da construção e do número do imposto que recai… portanto, os tipos de regulamento à construção que encarecem o preço final das casas. Há aqui todo um conjunto de medidas que temos vindo a defender que são claras e que são bastante diferentes daquelas que apareceram na quinta-feira. E o que nos preocupa e que levanta todos os alertas é o facto de existir um grande ataque à propriedade privada. Porque quando temos o Estado a decidir o que podemos fazer com um bem que é nosso, se calhar estamos a cruzar uma fronteira que não deveria ser cruzada. Isso vem em linha com aquilo que o Rui disse e, no caso do Alojamento Local (AL), de certa forma vai acabar por ser “a morte do Alojamento Local”. Isto é um tema importante porque o AL contribuiu para a revitalização dos centros das cidades. Há 20 ou 30 anos ninguém queria viver no centro de Lisboa porque tínhamos prédios degradados e tínhamos um ambiente diferente do atual. O que fez com que tivéssemos o ambiente que temos hoje foi o turismo, que fez com que se desenvolvessem restaurantes e com que a oferta cultural aumentasse. Temos cá pessoas que vão usufruir desses serviços. E, agora, o que estamos a dizer é que, afinal, vamos acabar com isso tudo e depois, quando acabar, o que é que teremos? Vamos voltar ao que tínhamos há 20 ou 30 anos? É esta a solução? Já existem inúmeros estudos que comprovam que o Alojamento Local não é responsável pela falta de casa no mercado, portanto, não são estas medidas que vão resolver. Este problema só se vai resolver quando a oferta aumentar, porque os preços não vão baixar enquanto isso não acontecer. Existem dados que indicam que o número de transações feitas com vistos gold são residuais face ao número de transações feitas com a compra e venda de casas, ou seja, não é um tema. Temos de aumentar a oferta! As medidas de proibição de novas licenças de AL, de reavaliação dessas licenças e do fim dos vistos gold não são medidas que vão aumentar a oferta de habitação.

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Joana Cordeiro é candidata por Setúbal

O que pensa o partido e a nova liderança dos preços das casas na capital e da realidade de muitos portugueses não passar por ter casa na cidade de Lisboa?

As pessoas deveriam poder escolher onde querem morar, mas isso, como em qualquer outra componente da vida, são escolhas que se fazem mediante as possibilidades que se tem. Claro que as pessoas gostam de viver perto do trabalho. No meu caso, vivo na margem sul e é um facto que as pessoas que vivem do outro lado do rio e que trabalham em Lisboa têm um conjunto de dificuldades a nível de acessos e de transportes que tem que ser resolvido. Se tivéssemos uma rede de transportes públicos mais eficaz, se calhar as pessoas poderiam facilmente deixar de viver no centro da cidade. Se tivermos os serviços e empregos todos concentrados dentro das cidades vamos continuar a ter problemas.

“As pessoas sentem que continuam a contribuir com mais impostos e com mais carga fiscal e acabam por não sentir um retorno da parte do Estado.”

Agarrando no tema dos transportes, a mais recente greve da CP teve início a 8 de fevereiro e dura até dia 21. A greve já perturbou centenas de portugueses que se viram sem meios de deslocação para ir trabalhar. Para além de que já está prevista uma nova greve para os dias 27 de fevereiro e 1 de março. Estas greves chegam ao pensamento do governo ou são greves que apenas incomodam a população?

Existe uma evidente degradação dos serviços públicos. Existe um problema enorme na administração pública onde os profissionais não são valorizados, não existe uma cultura de meritocracia, não existe uma valorização profissional, e as greves a que vamos assistindo nos vários setores resultam disto. De facto, complicam a vida das pessoas mas temos de repensar de que modo é que olhamos para o todo e conseguimos ter medidas estruturais que resolvam os vários problemas. Temos defendido várias vezes que é preciso fazer uma reforma na administração pública em que tenhamos um sistema de avaliação mais justo e que seja de forma transversal para os vários profissionais, que valorize as suas carreiras, que exista uma cultura de meritocracia que, hoje, não se vê. Porque, aí, as pessoas sentem-se valorizadas no seu trabalho. E se começarmos a resolver estes problemas, se recuperarmos o crescimento económico que nos permite ter mais recursos para responder às várias solicitações, então vamos ver a questão das greves a diminuir.

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Joana Cordeiro é licenciada em Gestão de Marketing

Qual seria a melhor forma de chegar a um acordo que satisfaça as duas partes?

Eu não consigo responder de uma forma direta porque as greves têm vários motivos, não há uma resposta certa ou que resolva os problemas todos. A questão é: se os trabalhadores se sentirem valorizados e sentirem que quando se esforçam e trabalham que não têm uma carga fiscal enorme que recai sobre os salários, se sentirem que chegam ao fim do mês e que têm mais dinheiro no bolso que lhes permite ter outro tipo de atividades, automaticamente as pessoas sente-se mais felizes. É por aqui que temos de ir.

Têm ocorrido, por todo o país, as greves dos professores que pedem “respeito” pela profissão. Estão em negociações com o ministro da Educação e também com o primeiro-ministro. O que considera que está a falhar nestas negociações?

Acho que o que falha sempre é haver uma escuta de ambos os lados. Daquilo que assistimos com os professores, com a CP e com os enfermeiros nas várias greves é que há uma falta de valorização, portanto, não há uma resposta que vá ao encontro das solicitações todas. Acho que o que falta é o governo querer fazer diferente. O governo tem de ouvir e de perceber o que é que as pessoas precisam e tem de atuar nas áreas em que pode atuar. O governo, neste momento, tem excedentes… tem receitas extraordinárias e isso não está a ser refletido para as pessoas. Portanto, as pessoas sentem que continuam a contribuir com mais impostos e com mais carga fiscal e acabam por não sentir um retorno da parte do Estado e isso gera o descontentamento.

Se gostou desta entrevista, fique a conhecer quem são as mulheres mais influentes da história.

Comer bem no Alentejo

A chuva de dezembro dá lugar aos dias frios de janeiro e as saudades do verão, e das tardes a comer num restaurante, começam a fazer-se sentir, especialmente do último. Foi no final de agosto de 2022 que tive a sorte de conhecer um pouco mais do nosso Alentejo. A gastronomia, as praias, a cultura do interior, a natureza… do melhor que há! Mas (tem sempre de existir um “mas” depois de um forte elogio) vivi situações que, até hoje, não percebo o motivo de terem acontecido.

O turismo está entre as principais indústrias que sustentam o nosso país, como tal não faz sentido que quem possui um negócio que envolve turistas, não funcione em torno da fonte de rendimento. Passo a explicar o sucedido:

Após um lindo dia na praia ou na piscina, toma-se um banho para refrescar e, de seguida, as pessoas aperaltam-se para ir jantar, saem do hotel ou apartamento para ir provar a típica gastronomia alentejana e deparam-se com vários dos poucos restaurantes que existem, fechados. E se não estão encerrados, “fecham com as galinhas”. E, se por algum motivo se atrasarem para ir jantar e chegarem ao restaurante tarde demais, têm de ir em busca de outro! Mas como assim outro? Não há outro…

Eu adoro o nosso Alentejo, mas como menina da cidade que sou, não consigo perceber o motivo de muitos restaurantes fecharem às dez da noite ou de estarem fechados a dias de semana, como vi acontecer na zona de Beja. E não, não falo das típicas segundas-feiras… Dei de caras com um restaurante que fechava às quartas e quintas!

Ah claro, sem falar nos domingos onde parece que não vive absolutamente ninguém na região. Se um grupo de amigos quiser aproveitar a praia na Lagoa de Santo André ou a piscina do hotel até mais tarde, depois não tem onde comer, até porque, a nível de opções, também não é muito enriquecido… Ou se uma família com crianças mais pequenas tiver o infortúnio de sofrer um imprevisto, ficam logo sem jantar.

Para não falar quando um grupo chega por volta das nove da noite e tem de escolher à pressa o seu jantar por entre um menu de 10 páginas repleto de gastronomia apetitosa, onde também se vê “obrigado” a “engolir”, perdão a comer, a comida o mais rapidamente possível porque o estabelecimento tem de fechar. Claro que aqui estou a generalizar, não é algo que acontece com todos os restaurantes alentejanos, mas é bastante comum.

O meu conselho é ir sempre ao “Mister Google” confirmar a que horas fecham os restaurantes. Assim, evita-se qualquer desfecho que possa estragar uma  noite (ou várias) de uma viagem que é, supostamente, para relaxar. Já agora, aconselho a confirmar, também, as avaliações… dá imenso jeito e estão lá por algum motivo.

Não censuro nunca a forma de agir destes restaurantes, cada um decide aquilo que é melhor para o seu negócio. Todavia, considero que seria mais proveitoso se os horários fossem um pouco mais flexíveis e adaptados ao público-alvo em relação à hora de fecho, assim conseguiriam receber todos os clientes e deixar os dois lados contentes a comer e saborear o belo verão alentejano.

 

Paula Rego, 87 anos de história

Paula Rego faleceu a 8 de junho de 2022, em Londres, aos 87 anos. No mundo, deixou um legado inquestionável. Foi a pintora portuguesa mais reconhecida a nível internacional, tendo sido considerada, pelo Financial Times, uma das 25 mulheres mais influentes do mundo.

Nasceu em Lisboa a 26 de janeiro de 1935, no seio de uma família de renome com uma educação anglo-saxónica. Maria Paula Figueiroa Rego, reconhecida como Paula Rego, viveu os três primeiros anos da sua vida na pacata vila da Ericeira, em Mafra com os avós paternos.  Iniciou os seus estudos no Colégio Integrado de Monte Maior, em Loures. No entanto, foi em 1945 que começou a estudar na St. Julian’s School em Carcavelos, local onde o seu talento para a pintura não passou despercebido entre os seus professores.

No ano de 1952 parte em direção a Londres, Reino Unido, para estudar na Slade School of Fine Art. Em 1954, recebe o 1.º prémio de Summer Composition da escola inglesa. Finaliza os estudos em 1956 e, no ano seguinte, Paula Rego volta a ir viver com a sua família para a Ericeira, onde permanece até 1963, ano em que regressa a Londres.

A biografia

Após 20 anos a viver na cidade inglesa, Paula Rego torna-se professora convidada de Pintura na escola onde estudou, Slade School of Fine Art e é em 1988 que realiza a primeira grande exposição individual da sua autoria na Serpentine Gallery em Londres.

O seu talento e dedicação começam entretanto a destacar-se, e, em 1999 recebe o título de Doutora honoris causa em Letras (o título mais importante que uma universidade pode conceder a uma personalidade que se tenha destacado numa determinada área pela sua virtude e mérito dedicado à cultura e educação, aprovado em sessão do Conselho Universitário) pela University of St. Andrews em Fife na Escócia e pela University of East Anglia em Norwich, no Reino Unido.

Recebe esse mesmo título pela Rhode Island of Design nos Estados Unidos da América no ano 2000 e em 2002 recebe pelo The London Institute, em Londres. Em 2005 a Oxford University, em Oxford e a Roehampton University, em Londres, concedem-lhe a mesma honra. Em 2011 é a vez da Faculdade de Belas-Artes da Universidade de Lisboa e, em 2015, a University of Cambridge atribui-lhe o seu oitavo título de Doutora honoris causa.

Voltando ao ano de 2001, Paula Rego lança a série composta por 25 litografias Jane Eyre, um livro que fez sucesso e que pode ser encontrado até aos dias de hoje à venda em diversas livrarias. Foi condecorada, em 2004, com a Grã-Cruz da Ordem de Sant’Iago da Espada, concedida pelo Presidente da República Português, Jorge Sampaio. Em 2005, seis das 25 litografias da mesma série foram utilizadas pela empresa Royal Mail para a realização de uma coleção de seis selos no Reino Unido.

Quatro anos depois, foi inaugurada e aberta ao público a Casa das Histórias Paula Rego em Cascais, “um museu dedicado à obra de Paula Rego e Victor Willing”, como referido no site do museu. Em 2010, é nomeada Dame Commander of the Order of the British Empire pela Rainha Isabel II do Reino Unido, pelo seu contributo para as Artes.

Os prémios

Foi também eleita “Personalidade do Ano” pela Associação de Imprensa Estrangeira em Portugal e recebeu o prémio Penagos de Dibujo da Fundación MAPFRE de Madrid, Espanha. Em 2011 a obra “Looking Back”, publicada em 1987, é leiloada por um valor considerado record, 866 mil euros, segundo dados de uma notícia do jornal Público de 29 de junho de 2011.

Em 2013, Paula Rego recebe o Grande Prémio Amadeo de Souza-Cardoso (Consagração) no Museu Municipal Amadeo de Souza-Cardoso em Amarante, Portugal. É eleita Membro Honorário do Murray Edwards College em Cambridge, no Reino Unido e, em 2016, recebe a Medalha de Honra da Cidade de Lisboa. Em 2017 ganha o prémio Maria Isabel Barreno e, aos 84 anos, recebe a Medalha de Mérito Cultural do Governo Português e é distinguida com o Prémio Carreira pela revista “Harper’s Bazaar”.

Será uma figura para sempre recordada pelas suas obras inigualáveis. Entre elas constam S. Vomiting the Pátria, O Cadete e a Irmã, A Dança, bem como, as séries Vivian Girls, Aborto, O Crime do Padre Amaro, Dog Woman e Possession, obras que podem ser encontradas na Fundação Gulbenkian e na Fundação de Serralves, tal como em museus e galerias internacionais de valor como o Centro de Arte Reina Sofia em Madrid.