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A banalização da literatura

Enquanto alguns entendem isto como mais uma maneira de proporcionar maior acessibilidade à leitura – afinal, um número crescente de pessoas está a desenvolver hábitos da leitura, em parte, graças aos influenciadores digitais –, por outro lado, poderá parecer que o ato de ler, em específico, e a literatura, no seu todo, estão a sofrer uma certa banalização.

O primeiro ponto de vista apresentado acima defende que as obras cuja prosa (ou verso) são de mais fácil compreensão e abordam temas interessantes a um grande número de pessoas, ganharão uma vasta quantidade de leitores. Quem trabalha oito horas por dia e chega a casa para limpar fraldas, tirar blocos de lego da boca das crianças e fazer-lhes o jantar, não terá tempo, paciência e, sobretudo, interesse, em ler uma obra densa, que exija do leitor a maior atenção aos detalhes.

Na verdade, qualquer pessoa que procure apenas uma forma de evasão da realidade e escolheu a literatura como meio para alcançar esse objetivo, há-de optar, com frequência, por uma história que o cative desde a primeira página e descreva clara e distintamente – isto é, sem palavras difíceis – ódios tamanhos que se tornam em amores ainda maiores – expresso por frases como “Diz-me agora quem te fez isso”, bem como detalhadas cenas de sexo – feiticeiros e fadas no campo de batalha, intrigas políticas que colocam o destino dos adorados protagonistas em jogo, revoluções, jogos de vida ou morte, etc. Contudo, quem diz isto pode tanto estar a falar de Hunger Games (Suzanne Collins) como de After (Anna Todd). 

O Smut

No que concerne, em específico, à emergência do smut (livros que apresentam cenas de sexo explícitas), surgem outras questões, tais como: será que estes livros podem ser considerados “verdadeira” literatura ou serão mera pornografia? O que, por sua vez, implica a questão: livros pornográficos ou eróticos fazem parte daquilo a que chamamos “literatura”? Quem coloca questões dessas não deve ter lido ou estudado os grandes clássicos: o Decamerão, por exemplo, é um grande livro constituído por inúmeras histórias de caráter erótico, uma das quais tem lugar num convento e um dos nossos grandes poetas, Bocage, é famoso pela sua poesia erótica.

Todavia, existe distinção entre erotismo e pornografia — em linhas gerais, pode dizer-se que a diferença central se encontra no intento do autor, isto é, se o objetivo principal de uma dada obra é proporcinar prazer de índole sexual. O consenso geral é que o erótico tem lugar na literatura, mas o pornográfico não (do mesmo modo que ninguém afirma que os filmes do PornHub são obras cinemáticas).

A verdade é que um número impressionante de pessoas que nunca se interessaram por leitura durante toda a sua vida, de repente criam nos seus quartos bibliotecas quase exclusivamente constituídas por smut, começam a passar noites inteiras com livros nas mãos, compram Kindles, apaixonam-se por fanarts de personagens, etc.

De acordo com as respostas de duas leitoras ávidas deste género literário, as cenas mais quentes constituem uma mistura entre o pornográfico e o erótico. Segundo uma das leitoras, “dá para perceber melhor o plot e as personagens; por exemplo, no livro que estou a ler agora a protagonista está com gajo que não tem nada a ver com ela. Também torna a história mais interessante”.

Mas… então ser-se um leitor é banal? Ler é só mais uma atividade como qualquer outra? Talvez seja possível afirmar que ser “leitor”, no sentido geral, está agora pouco ou nada relacionado a uma vida refletida, a cultura ou mesmo a capacidade de concentração por extensos períodos de tempo, pois estes livros seriam quase que uma espécie de fast-food literário – é popular, acessível, de rápida ingestão e o único sabor vem do molho.

Alguns chegam a declarar que a literatura está, de certo modo, a ser diminuída a uma mera forma de entretenimento comparável a telenovelas, sem qualquer necessidade de reflexão ou profundidade, cujo artifício é irrelevante e o enredo será esquecido no preciso momento em que os ventos que governam o booktok (TikTok sobre livros) mudarem de direção. Contudo, tanto os leitores de Dostoievski como os de S.J Maas concordam que o ato de ler exige mais concentração do que o de ver um filme ou uma série e, no caso dos fãs de ACOTAR com quem tive contacto, apenas o empreendem por não existir uma alternativa audiovisual (embora alguns destaquem a imersão na história que consideram única à leitura).

Tanto os “romances cor-de-rosa” como os que simplesmente tiveram a sorte – e o azar –  de se terem tornado estrondosamente populares desde sempre foram fortemente criticados. Durante os séculos XVIII e XIX, obras hoje consideradas parte do cânone da literatura mundial foram relegadas ao título de “romances de mulheres/meninas”, isto é, não constituíam a literatura “séria” (na qual se incluíam autores obscuros, livros científicos, filosóficos ou de ficção, mas que pertencessem ao cânone literário da época) estudada, é claro, única e exclusivamente por membros do sexo masculino, de inerente superior inteligência ao feminino, segundo os preceitos destes séculos. 

Dickens e Machado, pela sua popularidade, eram vistos como pouco mais que autores de revista (isto porque, há uns dois séculos, era usual escrever obras capítulo a capítulo e publicá-las em jornais ou revistas), indignos da “alta literatura”. O Amante de Lady Chatterley (D. H. Lawrence), foi censurado em múltiplos países pelo seu – escasso – conteúdo sexual. Lolitta (Vladimir Nabokov) foi banido por apresentar cenas de pedofilia e sexualizar uma menor. Gustave Flaubert foi levado a tribunal, porque a sua Madame Bovary ia contra os preceitos morais judaico-cristãos (spoiler alert: a protagonista que dá nome ao livro cultiva casos extra-conjugais). A lista continua. 

O que se quer dizer com tudo isto é que a literatura, popular ou obscura, reflete a vida, mesmo sob os olhos de dragões. Sexo faz parte da vida; naturalmente, será utilizado por artistas dos mais variados meios para demonstrar e descrever tópicos que vão desde o amadurecimento das personagens e o desenvolvimento dos seus sentimentos, até a adentrar na mente de um predador, pelo que o smut não é novidade nenhuma.

Tribunal dá luz verde a Eça de Queiroz no Panteão Nacional

É o ponto final de uma polémica que se arrasta há dois anos na justiça. O Supremo Tribunal Administrativo não deu razão a seis dos 22 bisnetos de Eça de Queiroz, que apresentaram uma providência cautelar para travar a trasladação dos restos mortais do escritor para o Panteão Nacional.

O coletivo de juízes foi unânime e recusou que o processo de transferência para o monumento, em Lisboa, fosse contra a vontade do próprio escritor. “No que se refere às opiniões de Eça de Queiroz sobre as honras do Panteão Nacional concedidas em Portugal, nada se provou”, considerou o tribunal. 

O recurso apresentado pelos seis bisnetos é sustentado num artigo de opinião escrito por Eça no Gazeta de Notícias, no qual critica e ironiza os critérios que determinavam a concessão de honras de panteão aos “grandes homens” em França. 

O Tribunal sublinhou ainda a postura dos requerentes que, apresentando como argumento o referido artigo de opinião, nunca rejeitaram as honras de panteão atribuídas. Os familiares querem apenas que seja colocada uma lápide ilustrativa dos restos mortais do escritor no Panteão Nacional.

Em janeiro de 2021, a Assembleia da República votou favoravelmente uma resolução de atribuição de honras de panteão a Eça de Queiroz, por proposta do grupo parlamentar do Partido Socialista. A transladação chegou a estar prevista para 27 de setembro de 2023 mas foi travada por uma providência cautelar apresentada pela família.

Apesar do indeferimento da justiça, o processo de transladação não avança para já porque o Parlamento está dissolvido. O assunto só poderá ser novamente discutido e votado após as eleições legislativas de março.

Eça de Queiroz faleceu em Neuilly-sur-Seine, em 1900, e foi sepultado no cemitério do Alto de S. João, em Lisboa. Em 1989, por decisão da família, os restos mortais foram trasladados para Santa Cruz do Douro, no concelho de Baião.

 

Monumentos de Sintra já são gratuitos para residentes em Portugal

Os parques e monumentos geridos pela Parques Sintra – Monte da Lua já têm entrada gratuita aos domingos e feriados para todos os residentes em Portugal. A medida entrou em vigor no início do ano e vem mudar as regras que até agora só permitiam a entrada grátis para os residentes do concelho de Sintra (cerca de 377 mil habitantes) e apenas aos domingos.

Estão abrangidos, por exemplo, os palácios nacionais de Sintra, de Queluz e da Pena, o Palácio de Monserrate, o Chalet da Condessa d’Edla, o Castelo dos Mouros e o Convento dos Capuchos.

Os não-residentes em Portugal ficam de fora e continuam a pagar para entrar nos monumentos e parques do concelho… e o preço já subiu. A Parques Sintra diz que há mais de uma década que os tarifários não eram revistos.

Em comunicado, explica: “Este conjunto de medidas, acompanhado da atualização dos tarifários que não eram revistos há cerca de uma década, tem como objetivo aumentar a eficiência da operação, evitando filas de espera e assegurando a melhoria da qualidade da visitação e salvaguarda da sustentabilidade do património e da empresa”.

Nos últimos 10 anos, os monumentos de Sintra receberam mais de 25 milhões de visitas.

10 locais imperdíveis em Lisboa

Lisboa desdobra-se em encantos que deixam qualquer um que a visite rendido. Banhada pelo sol radiante e acariciada pelas brisas do Atlântico, é casa de bairros históricos como Alfama, onde as ruas estreitas revelam segredos seculares, e o Bairro Alto, conhecida pela vida noturna e boémia. 

Com uma atmosfera acolhedora e um ritmo de vida vibrante, Lisboa cativa não apenas pela sua beleza visual, mas também pela rica história, palpável em muitos dos monumentos espalhados pela cidade e arredores.

10 locais a visitar em Lisboa

Torre de Belém

A Torre de Belém funcionava como ponto de partida para as explorações marítimas portuguesas, incluindo a jornada de Pedro Álvares Cabral ao chegar à região do Monte Pascoal, na Bahia. Além disso, servia como ponto de observação para possíveis ataques pelo rio Tejo. A entrada pode ser adquirida individualmente por seis euros.

Padrão dos Descobrimentos

Este monumento, em forma de caravela e adornado com figuras de personalidades ligadas à exploração marítima, fica próximo à Torre de Belém, de frente para o rio Tejo. Os ingressos começam nos cinco euros e oferecem uma vista magnífica para outros pontos turísticos da cidade.

Mosteiro dos Jerónimos

Construído no estilo manuelino em 1502, o Mosteiro dos Jerónimos combina elementos góticos e renascentistas. Encomendado pelo Rei D. Manuel I, é reconhecido como Patrimônio Cultural pela UNESCO. A entrada custa 10 euros e é um dos destinos mais procurados de Lisboa.

Time Out Market Lisboa

Anteriormente conhecido como Mercado da Ribeira, este local foi inaugurado em 1892 e renovado em 2014 sob a administração da revista Time Out Market. Abriga várias bancas de restaurantes com pratos entre 10 e 15 euros.

Panteão Nacional

A construção teve início em 1682, seguindo o projeto de João Antunes para a Igreja de Santa Engrácia. Após quase 300 anos, em 1966, foi finalizada. Hoje, é o local de descanso de figuras históricas de Portugal, com a entrada a custar oito euros.

Castelo de São Jorge

Erguido há cerca de mil anos durante a ocupação muçulmana, o Castelo de São Jorge serviu como residência real até o século XVI, quando se tornou uma fortificação militar. Atualmente, abriga um sítio arqueológico e cobra 7,50 euros de entrada.

Sé de Lisboa

Esta catedral, reconstruída várias vezes devido a terremotos, exibe uma mistura de estilos arquitetônicos. É um dos pontos turísticos mais antigos da cidade e a entrada custa cinco euros.

Túmulo de Camões

Situado em frente ao Mosteiro dos Jerónimos, é o local de descanso final de Luís de Camões, um dos grandes poetas da história, autor de Os Lusíadas. Camões viveu de 1524 a 1580.

Pastéis de Belém

Parte integrante do Mosteiro dos Jerónimos, onde, segundo a lenda, os monges inventaram a receita. As filas podem ser longas, podendo mesmo esperar até uma hora, e é recomendado saboreá-los no local.

Passeio ao pôr do sol no rio Tejo

Uma opção romântica que dura de uma a duas horas, com a possibilidade de incluir um copo de champanhe. Passa por pontos turísticos de Lisboa, variando de 15 a 45 euros.

Cirque du Soleil regressa a Lisboa com OVO e até já há sessões extra

Devido à elevada procura, o espetáculo “OVO” do Cirque Du Soleil terá duas sessões extras nos dias 29 e 30 de dezembro, às 17h00, totalizando agora 13 sessões deste espetáculo. Desta feita, “OVO” estará em exibição em Lisboa de 20 a 30 de dezembro. Os bilhetes para estas novas sessões já estão disponíveis para compra nos pontos de venda oficiais.

“OVO”, cujo título permanece o mesmo em português e no original, narra a história de uma emocionante incursão num ecossistema repleto de vida e cores, no qual insetos trabalham, comem, rastejam, brincam, lutam e até se apaixonam.

Tudo isso acontece num turbilhão de energia grandioso, onde a alternância entre o barulho e o silêncio é um dos principais elementos que certamente surpreenderá até mesmo o espectador mais cético.

O que é o OVO?

A vida pulsa com intensidade nesse universo animado, até que, num certo dia, um misterioso ovo surge no meio dos insetos. A surpresa e a curiosidade proporcionam o enredo perfeito para uma história singular. Além de retratar o ciclo natural da vida, a narrativa aborda o amor inocente entre uma encantadora Joaninha e o desajeitado inseto que nasce desse ovo extraordinário.

“OVO” é a natureza sem disfarces. Um retrato fictício repleto de imaginação, luz, som e emoção, onde cada personagem desempenha um papel que promete revolucionar nossa percepção da natureza.

Sessões OVO | 20 a 30 de dezembro de 2023

20 de dezembro 2023 • Quarta-feira • 21h
21 de dezembro 2023 • Quinta-feira • 21h
22 de dezembro 2023 • Sexta-feira • 17h00
23 de dezembro 2023 • Sábado • 17h / 21h
25 de dezembro 2023 • Segunda-feira • 17h30h
26 de dezembro 2023 • Terça-feira • 21h
27 de dezembro 2023 • Quarta-feira • 17h / 21h
28 de dezembro 2023 • Quinta-feira • 17h
29 de dezembro 2023 • Sexta-feira • 17h / 21h
30 de dezembro 2023 • Sábado • 17h / 21h

Já são conhecidos os nomeados para os Remarkable Venue Awards e Portugal está em peso

A Tiqets, plataforma líder na venda online de bilhetes para museus e atrações, revelou os nomeados para a sétima edição dos Remarkable Venue Awards. Estes prémios visam destacar os melhores museus, atrações e experiências, contando com 229 nomeados em oito países: Emirados Árabes Unidos, Espanha, Estados Unidos, França, Itália, Países Baixos, Portugal e Reino Unido.

A edição deste ano introduz duas novas categorias: Melhor Experiência Familiar e Melhor Atividade. A primeira é destinada aos melhores zoos, oceanários, parques de diversões, parques temáticos e parques aquáticos. A segunda visa destacar excursões, passeios turísticos, cruzeiros turísticos, entretenimento, experiências culinárias, atrações e outras atividades excecionais.

Essas duas categorias juntam-se a outras cinco, perfazendo um total de sete. As restantes incluem Local Mais Notável, Melhor Museu, Melhor Marco Histórico, Melhor Joia Escondida e Local Mais Inovador. Os vencedores em cada um dos oito países participantes serão anunciados em 18 de setembro.

Como são atribuídos os prémios?

O processo é dividido em duas partes. Para cinco das sete categorias, a seleção dos nomeados e vencedores baseia-se em mais de 1,6 milhões de avaliações feitas pelos clientes no site da Tiqets às atrações que visitaram. Estas categorias incluem Local Mais Notável, Melhor Museu, Melhor Marco Histórico, Melhor Experiência Familiar e Melhor Atividade.

As outras duas categorias – Melhor Joia Escondida e Local Mais Inovador – são avaliadas por um painel de especialistas do setor, incluindo profissionais como Cristina Salsinha, Innovation Project Manager do Turismo de Portugal, Douglas Quinby, CEO da Arival, Javier Zori, Diretor Web da Viajes National Geographic, Antony Amos, Head of Development & Membership da UKInBound, e Frederike van Ouwerkerk, professor na Universidade de Breda nos Países Baixos. Para estas categorias, os museus e atrações podem candidatar-se autonomamente.

Nomeados em Portugal

Local Mais Notável

– Igreja dos Clérigos
– Zoomarine Algarve
– Museu FC Porto
– Jardim Zoológico de Lisboa

Melhor Museu

– Museu Nacional do Azulejo
– Fundação Calouste Gulbenkian
– Fundação de Serralves
– Museu do Tesouro Real

Melhor Marco Histórico

– Museu FC Porto
– Castelo dos Mouros
– Mosteiro dos Jerónimos
– Parque e Palácio Nacional da Pena

Melhor Experiência Familiar

– Zoomarine Algarve
– Jardim Zoológico de Lisboa
– Oceanário de Lisboa
– Dino Parque Lourinhã

Melhor Atividade

– A Casa do Fado – Ribeira
– Caves Poças: prova de vinho do Porto
– Ideal Clube de Fado
– Grutas de Benagil e Praia da Marinha: passeio de barco desde Portimão

Melhor Joia Escondida

– Museu da Ciência da Universidade de Coimbra
– Casa da Guitarra
– Museu Atkinson
– Visita à fábrica da Conservas Pinhais

Local Mais Inovador

– 3D Fun Art Museum
– Zoomarine Algarve
– Museu da Ciência da Universidade de Coimbra
– Museu do Terramoto de Lisboa
– The Wine Experience.

As atrações portuguesas juntam-se a um vasto leque de nomeados oriundos dos outros sete mercados em competição, que incluem locais icónicos como o Museu do Futuro (Emirados Árabes Unidos), o Museu Nacional Thyssen-Bornemisza (Espanha), o MoMA – The Museum of Modern Art (Estados Unidos), a Disneyland Paris (França), o Castelo de Santo Ângelo (Itália), o Museu Van Gogh (Países Baixos) e o Castelo de Windsor (Reino Unido).

Uma das melhores séries de sempre está prestes a chegar à Netflix

São vários os títulos da HBO que estão prestes a chegar à Netflix. Isto aconteça fruto de um acordo entre a Warner Bros. e a gigante do streaming. A mais recente adição é a aclamada série Band of Brothers, uma produção histórica que retrata a Segunda Guerra Mundial, programada para entrar no catálogo da plataforma em 15 de setembro.

Lançada em 2001, a série foi indicada em 19 categorias nos Prémios Emmy e conquistou seis, incluindo “Melhor Minissérie”, “Melhor Elenco para uma Minissérie, Filme ou Especial” e “Melhor Direção para Minissérie, Filme ou Especial Dramático”. No mesmo ano, recebeu um Globo de Ouro de “Melhor Minissérie ou Filme para TV”.

Band of Brothers conta a história verídica da Easy Company do Exército dos Estados Unidos durante a Segunda Guerra Mundial, destacando o seu papel no desembarque na Normandia no Dia D e sua contribuição para a derrota dos nazis.

Elenco de luxo

A série narra a jornada longa, dolorosa e genuína desses soldados, desde o treino inicial até os últimos dias do conflito. É baseada no livro homónimo de Stephen E. Ambrose, publicado em 1992, que se baseou na sua própria pesquisa e entrevistas gravadas com veteranos norte-americanos. A adaptação resultou numa temporada composta por 10 episódios.

O elenco é de luxo e conta com nomes como Michael Fassbender, Tom Hardy, David Schwimmer, Simon Pegg, James McAvoy, Damian Lewis, Ron Livingston, Scott Grimes e Donnie Wahlberg nos papéis principais. Tom Hanks foi um dos produtores executivos da minissérie, juntamente com Steven Spielberg.

Os mesmos produtores de “Band of Brothers” criaram outra série, chamada “The Pacific”, em 2010, seguindo um formato semelhante. Essa produção, originalmente exibida na HBO, também chegará à Netflix na mesma data e explora as memórias de dois fuzileiros navais que lutaram na Guerra do Pacífico.

Barbie já é o terceiro filme com maior bilheteira do ano e promete não ficar por aqui

A Warner Bros. estaria longe de imaginar que o filme “Barbie“, de Greta Gerwig, se iria tornar um fenómeno. A produção tornou-se uma verdadeira sensação, sendo já apontado como um dos principais responsáveis pelo renascimento do negócio cinematográfico.

A longa-metragem protagonizada por Margot Robbie e Ryan Gosling era uma das grandes esperanças da Warner Bros. para este ano, especialmente após alguns falhanços. Neste caso, o filme conseguiu retratar de forma fiel o mundo da famosa boneca da Mattel, contendo diversas referências e easter eggs que têm encatado os fãs.

Os dois filmes que superam Barbie (por agora)

A campanha publicitária do filme também foi intensa e eficaz, com atores perfeitamente caracterizados, incluindo Margot Robbie, a protagonista, que apareceu com as icónicas roupas da Barbie em todos os momentos de promoção. Eventos com celebridades em diversas cidades, stands com a caixa da boneca nos cinemas e sugestão de que todos usassem cor-de-rosa quando fossem ao cinema ver o filme foram estratégias cruciais para atrair até mesmo aqueles que estavam mais relutantes.

E a verdade é que o enorme investimento em marketing está a colher frutos. Isto porque o filme, que teve um orçamento de produção de 145 milhões, ocupa atualmente o terceiro lugar em termos de receitas anuais, tendo arrecadado impressionantes 705 milhões de euros em todo o mundo.

Este número coloca-o logo atrás de grandes produções como “Guardiões da Galáxia: Volume 3” e “Super Mario Bros. – O Filme“, que lideram o ranking de 2023 com 770 milhões de euros e 1,25 mil milhões de euros, respectivamente. A este ritmo, será uma questão de (poucos) dias até destronar a produção da Marvel e quem sabe sonhar com o primeiro lugar.

Rita de Sá, artista plástica. A importância da cor pelos opostos

“O desenho foi sempre delegado para 2º plano. O que está antes, o que não se vê. O que quis fazer foi o encontro. Aquilo que o espectador percebe é que existe um encontro e que esse encontro pode ser diverso: amigável, ou tenso.”, explica Rita de Sá sobre a as últimas obras.

No encontro do desenho e da pintura pretende marcar uma posição: a pesquisa do desenho na história da pintura. A artista plástica trabalha entre as Caldas da Rainha, onde tem atelier no hub criativo da Ceres, e Londres.

Durante muitos anos fez trabalho a preto e branco, quando estudava gravura o trabalho era monocromático, as professoras da ESAD- Caldas da Rainha disseram-lhe que a sua arte seria pintura e não gravura, pela relação e o estudo da cor. “Passados 20 anos faz muito sentido essa descoberta”.

Os trabalhos que começou a desenvolver em Londres vêm da relação do encontro do desenho com a pintura. A série After Turner inspirado no pintor britânico William Turner conhecido pela sua obsessão pelas paisagens perfeitas e pela captação da cor e da luz da paisagem, famoso por quebrar paradigmas na própria pintura.

Rita de Sá passou muito tempo na sala do Turner na Tate Britain só a olhar a pintura. “Esta série consiste em desenhos em papel, em que existe um encontro do desenho com a pintura. A parte de cor é feita em tinta de óleo, normalmente usada na pintura clássica e não é usada no suporte de papel”, teve de encontrar um papel e tinta especial, utiliza tinta de óleo em barra.

Não há pincel, mas há o gesto da mão, tal como o lápis, usa a mão para pintar. O gesto que se vê na pintura é o mesmo gesto que existe no desenho, relação direta com o papel.

ritadesa2 Rita de Sá, artista plástica.  A importância da cor pelos opostos

Exposição na Galeria Cisterna

Na série After You existe “só uma relação da pintura e a mancha encontro de 2 elementos/ objectos. Daí a pressão, enquanto na pintura existe ligação, diálogo, o próprio fundo branco cria uma tensão, mais aberta e mais livre mais condensada. “

As séries de pinturas com fundos brancos After You deram nome à última exposição individual na Galeria Cisterna, com a exposição de 4 séries: After You, After After Turner, Run e Looking After You Too.

As obras After After turner, e Looking After You Too apresentam desenhos de lápis de grafite em papel – pequenos e grandes.

Partem de um estudo sobre a paisagem inspirado no pintor britânico William Turner.  “São objetos, são corpos manifestação física de um gesto da memória, aquilo que quero imprimir nesta representação ou abstração é imprimir um sentimento, que obviamente está relacionada com as nossas memórias.” Seja memória pessoal durante todo o processo de trabalho, ou no próprio gesto ou na escolha cromática e na memória coletiva das pessoas quando olham e tentam ter referências.

ritadesa1 Rita de Sá, artista plástica.  A importância da cor pelos opostos

Na inauguração desta exposição chegaram a identificar luto nas suas pinturas devido ao fundo negro de onde surge as machas. Mas admite que “todos criam um significado para as manchas”.

Para a artista a “memória é algo que deixou de existir, e fica uma marca, um gesto, um cheiro, algo que gostamos tanto, é a única coisa que preserva algo que aconteceu e que já não existe.

Arte do ensino artístico

Rita de Sá preocupa-se muito com a relação das crianças com o desenho, quer saber “como é que funciona neurologicamente” o nosso desenvolvimento na relação com o desenho. “Uma parte que as marca dramaticamente é quando aprendem a ler e escrever, a relação com o desenho muda completamente”.

Pergunto se ter sido mãe desencadeou em si esse interesse, mas revela que o seu estudo sobre o desenvolvimento do desenho na criança começou antes de ser mãe. Uma das cadeiras de mestrado em Ensino das Artes visuais é a didática do desenho, onde explorou todas as didáticas que existiram ao longo dos séculos da aprendizagem do desenho. No mestrado ganhou consciência de como funciona o cérebro nas várias fases do desenvolvimento da criança e do ser humano.

Iniciou a fase curricular do mestrado em Belas-Artes em Lisboa, mas é em Londres que escreve a parte de tese. Onde encontrou uma nova dimensão sobre a arte, diz-me que “há toda uma posição e consciencialização da Arte um pouco diferente.”

Reino Unido muito diferente de Portugal?

“No Reino Unido há muitos apoios para a cultura, o mundo da arte é muito diverso, com muitos nichos. Em Portugal há menos nichos e menos apoios.  As coisas tendem mudar em Portugal, cada vez há mais apoios, mas ainda existe o sentimento de não ser apoiado. Também é um processo de construção, desconstrução ao longo da vida.”, comenta a artista plástica.

Em Londres continua o pensamento da arte, terminou o mestrado, não deu aulas no ensino regular, preferiu dar aulas particulares, descobriu “um universo grande” de familias em homeshooling, ou familias que queriam dar aulas de artes visuais aos filhos em casa.  “Trabalhava com familias em que uma criança estava a ter aula de piano e eu dava aulas de pintura ou desenho”. Conheceu muitas familias com crianças em homeshooling que gostavam de ter apoio ou tutoria em artes visuais, para a preparação de exames, construção de portfolios de artes visuais para serem avaliados pela escola.  Foi nessa altura que começou a pensar em homeshooling para os filhos, e nas possibilidades que se podem desenvolver com as crianças no ensino artístico. Considera ter sido “uma surpresa”, que adotou para os seus filhos.

Está neste momento a produzir a série com fundo preto After You Too  onde explora como funciona a pressão com outro tipo de intensidade de cor, “completamente diferente do fundo branco”.

Rita de Sá prepara uma mostra de obras de pintura para este ano, tem o objetivo de fazer a exposição que “ainda não aconteceu” na cidade das Caldas da Rainha.

Margarida Varela: “A dinastia de Aviz tem mulheres extraordinárias”

A Rainha D. Leonor de Aviz (1458-1525) “mostra uma ousadia, inteligência, e vanguarda para a época”.

A 1a monarca da Casa de Bragança funda o Hospital Termal das Caldas da Rainha, o primeiro no mundo e génese da Santa Casa de Misericórdia, obra assistencialista de maior longevidade em Portugal e além-mar.
Para conhecer a história das misericórdias “é importante entender quem é esta extraordinária mulher
Rainha D. Leonor, uma mulher com formação muito acima da média para a época”, admite Margarida Varela.

A Rainha “não inventou nada”, no lugar das Caldas da Rainha já existiam várias obras de assistencialismo aos peregrinos e indigentes, em 1222, eram ajudados pela ordem Rocamadour, muito séculos antes da vinda de D. Leonor. Esta congregação hospitalar do Santo-Amador, estendeu-se de França a Portugal e apoiava os peregrinos a caminho de Santiago de Compostela.

A Beata Sancha, filha de D. Sancho I, também já fazia obras de assistencialismo e mais tarde a Rainha D. Isabel de Aragão, faziam obras de misericórdias aos mais frágeis através das confrarias do Espírito Santo.

A Rainha D. Leonor a 1a monarca da casa de Bragança

Primeiramente, a Rainha D. Leonor veio para Óbidos, herda o Castelo de Óbidos e terras em redor, “na jurisdição da casa das senhoras rainhas todas as terras são extremamente férteis”, mas a Rainha tinha conhecimento de um local menos interessante: a zona das Caldas.

Segundo o biógrafo da Rainha, Frei Jorge de São Paulo, descreve este lugar como “inóspito sem interesse nenhum, onde apenas algumas águas fervilhavam do solo”, e alguns peregrinos vinham banhar-se, porque se dizia ”que as águas tinham poderes curativos”.  De facto, este local já era do conhecimento no tempo dos romanos, que construíram balneários, antes da nacionalidade. Mas na época cristã caiu em desuso, devido ao culto espiritual em detrimento do culto do corpo.

A Rainha estava a par de tudo o que acontecia no reino. Ela “olha para o lugar do seu território com menos interesse não era inocente, sabia que existiam as águas e que acorriam peregrinos e indigentes à procura da cura do corpo”. Por isso, manda construir o hospital termal das Caldas em 1488, o primeiro do mundo. Vê nas águas “interesse de assistencialismo, mas também “olha para o lugar com interesse político”. Os monges de Cister em Alcobaça, tinham um poder muito grande e queriam aumentar o seu território, a monarca percebe isso e decide fazer “uma zona tampão em grande”, com a construção do maior hospital da Europa (mundo medieval).

Fernando Correia, biógrafo de D. Leonor de Aviz, defende que “a monarca lança o projeto piloto das Misericórdias com a fundação do Hospital Termal Nossa Senhora do Pópulo, é a génese da ideia das Misericórdias”, a obra assistencialista com maior duração em Portugal e além-mar, com aproveitamento do trabalho de benfeitoria realizado pelas várias confrarias.

“A Rainha mostra uma ousadia, inteligência e vanguarda na construção do Hospital, defende o conceito de que a cura do corpo faz-se por completo se a par também tratarmos o espírito”, explica Margarida Varela. A par do hospital termal D. Leonor manda construir a capela Nossa Senhora do Pópulo e o outro tripé é a plantação da mata Rainha D. Leonor, para proteger as nascentes de água termal que abastecem o Hospital Termal, a mata sofreu reforma no século XIX.

As águas penetram o solo na serra de Aire e Candeeiros, em Fátima, demoram cerca de 2000 anos a chegar aos olhos das águas das Caldas, as quais “têm uma maturação no interior da terra que preenche de características muito singulares, atualmente estamos a receber a água que infiltrou a serra dos candeeiros”. O conceito é explicado pela historiadora “a cura do corpo implicava a cura do espírito, o exercício físico e a contemplação da beleza, criada por Deus na mata, o homem na sua totalidade”. Um paralelismo do bem das águas e a obra deixada pela Rainha.

Capela Nossa Senhora do Pópulo

O Cardeal Alpedrinha, braço direito do Papa em Roma, pároco na igreja Nossa Senhora Del Populo, sugere este nome à Rainha para a capela do hospital termal. Pópulo primeiramente significa povo e também árvore cipreste com capacidade curativa. Vai unir o hospital à cura espiritual da capela.

Na época o ícone Salus Populi Romani, o mais famoso de toda a cristandade, estava na sua igreja em Roma. O ícone é de tal forma importante, para a cristandade, que ainda hoje o Papa Francisco reza sempre antes de sair de Roma. Ficou conhecido na tarde de 27 de março de 2020, quando o Papa atravessou a praça de S. Pedro, e perante este antigo ícone rezou para pedir o fim da pandemia.

Uma reprodução da imagem está em peregrinação nas dioceses portuguesas, no âmbito da preparação da JMJ23.  Também existe uma pintura do ícone pintada por Josefa de Óbidos, da época barroca, que se encontra no Museu do Hospital, nas Caldas.

“Há muitas coisas particulares nas Caldas, porque a Rainha era uma mulher muito influente em toda a Europa, todas as grandes casas da Europa conheciam e admiravam a Rainha D. Leonor”, admite a investigadora.

“Dinastia de Aviz tem mulheres extraordinárias”

“A dinastia de Aviz tem mulheres extraordinárias com uma elevação cultural, de uma inteligente brilhante, eram mulheres muito cultas, e que iniciavam muito cedo a sua instrução”, explica a historiadora. Como é exemplo a mãe da Rainha D. Leonor, a infanta D. Beatriz de Bragança, (1440—1491) duquesa da casa Viseu-Beja. Casada com o primo D. Fernando, irmão do Rei Afonso V, tiveram 9 filhos, quando o marido, duque de Viseu-Beja morre, recebe a administração da ordem de São Tiago, tendo sido nomeada pelo Papa com o título de grão-mestre da ordem de cristo, a única mulher na história com este título.

“Uma mulher com um poder, que adquire pela sua inteligência, carácter e pela sua cultura, que passou aos seus filhos”. D. Leonor herda estas características, foi educada para ser Rainha, “sabia que ia casar com o primo aos 13 anos. Os monarcas são educados para servir o povo, legado que D. Leonor desenvolve ao longo da sua vida”. Foi considerada a mulher mais rica de toda a Europa, coloca as suas posses ao serviço do seu povo.

Rota Raynha das Águas

Margarida Varela inspirada pela história da Rainha D. Leonor, criou uma rota da Rainha, um itinerário na mata e na zona histórica da cidade, para dar a conhecer a história das Caldas da Rainha, que considera ser “uma história muito interessante, muito singular e que tem sido pouco ouvida, pouco trabalhada.”

D. João V, Lisboa, (1689 –1750), o 2º monarca que vai fazer uma renovação do hospital termal, chegoua  fazer das Caldas  “o epicentro do reino de Portugal , o Rei vinha com frequência, daqui despachava assuntos, toda a nobreza vinha com ele”, comenta a historiadora.

A gastronomia portuguesa recebeu muitas influências deste tempo quinhentista, a investigadora diz mesmo que “as nossas cozinhas serviram fine dinning, por exemplo o arroz de pato com passas tem origem aqui, assim como a torta arrelia, e as trouxas de ovos”.

Ao ter conhecimento destas descobertas, Margarida Varela, ficou com vontade de estudar a alimentação ao tempo de D. Leonor e de D. João V, criou por isso as ceias quinhentistas e seiscentistas para recordar os monarcas. O evento apresenta a história das Caldas com degustação do menu de época, a Câmara Municipal dispensa o salão nobre do hospital termal e aí são servidas as ceias de época.

A mulher portuguesa hoje

“Achamos que a mulher tem um lugar muito secundário na sociedade, mas é tudo uma questão de escolhas, de posicionamento. Não deve ter sido fácil para uma mulher da idade média como a infanta D. Beatriz escolher ser grão-mestre de uma ordem militar, escolher ser ela a dirigir a economia da sua casa Viseu-Beja. É uma opção, é uma escolha, é arregaçar as mangas. E foi aceite e respeitada pelos homens da sua época. A rainha D. Leonor tomou por três vezes a regência de Portugal, na ausência do seu marido e mais tarde na ausência do seu irmão, e as pessoas respeitavam-na”, conclui a investigadora.