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Os vencedores e os homenageados nos Globos de Ouro

A 28ª gala dos Globos de Ouro chegou ao fim com mais 18 personalidades e/ou obras de assinalável dignidade distinguidas por serem as melhores entre as melhores. A cerimónia transmitida pela SIC foi rica em prémios, simbolismo, além das homenagens aos que ainda cá estão e aos que já partiram. A apresentação da gala ficou  a cargo de Clara de Sousa.

O Coliseu dos Recreios foi, por isso, o palco escolhido para premiar o que de melhor se faz na cultura portuguesa. Assim, do teatro ao cinema, do humor à ficção ou televisão, houve espaço para todos. Dos cinco nomeados em cada categoria, o júri escolheu apenas um. Mais ou menos merecedores, todos tiveram margem suficiente para brilhar.

Galardoado da noite, o compositor Paulo de Carvalho venceu o Globo mais importante. Com 77 anos de idade e a celebrar 62 anos de carreira, foi agraciado com o prémio Mérito e Excelência. No discurso de agradecimento, não esqueceu ninguém, sobretudo quem o ouve há mais de seis décadas. “É uma entidade que não tem cara e que fez de mim aquilo que eu sou até agora: O público. É ao público que eu agradeço o facto de estar aqui com vocês.”

A expressão de sentimentos pela música foi um dos motes da cerimónia. Por isso, também pela música se fizeram sentidas homenagens a Sara Tavares, que morreu em 2023, e a Marco Paulo, que enfrenta problemas graves de saúde. No palco juntaram-se dezenas de artistas de demais projetos para os fazer lembrar.

Gala líder de audiências

A 28ª gala dos Globos de Ouro conquistou o público. A cerimónia foi líder do primeiro ao último minuto, deixando assim para trás Secret Story, da TVI e The Voice, da RTP. O resultado contribuiu também para que a estação de Paço de Arcos tenha vencido o dia.

Os vencedores dos Globos por categoria

Na categoria Cinema: “Mal Viver”, de João Canijo, venceu o prémio de melhor filme. Anabela Moreira foi a melhor atriz, pelo desempenho em “Mal Viver” e “A Semente do Mal”. Albano Jerónimo arrecadou o Globo de melhor ator com “O Pior Homem de Londres” e “The Nothingness Club”.

Na Ficção, “Rabo de Peixe”, da Netflix, foi galardoado como Melhor Projeto de Ficção. Margarida Vila-Nova venceu na categoria melhor atriz, com “Matilha”. Pelo mesmo projeto, Afonso Pimentel venceu na categoria Melhor Ator.

Na categoria Teatro, premiaram-se nomes como Marina Mota (Melhor Atriz) e João Vicente (Melhor Ator). Além disso, a peça “De Passagem” foi igualmente distinguida. 

Em Música, Globo de melhor intérprete foi para Salvador Sobral. Depois, “Deixem o morto morrer” venceu como melhor canção. Já Carminho arrecadou o troféu de melhor atuação ao vivo.

Na categoria Personalidade do Ano, Manuel Luís Goucha destacou-se. Ao fim de três nomeações, o apresentador da TVI levou o troféu para casa. No digital, o júri premiou Guilherme Geirinhas, no humor foi a vez de Ricardo Araújo Pereira e, por sua vez, na moda foram premiados Manuel Alves e José Manuel Gonçalves.

Por último mas não menos importante, entre os cinco nomeados para Revelação do Ano venceu o ex-futebolista Cândido Costa.

(Imagem: SIC)

Entrada grátis em museus passa para 52 dias à escolha

Já está em vigor o regime que estabelece novas regras de entrada gratuita em museus, monumentos, palácios e equipamentos culturais do Estado. A partir de agora, passa a ser possível escolher 52 dias para aceder aos espaços. O controlo das entradas será feito através de uma base de dados e, em breve, numa app para smartphones.

Até agora, os residentes em Portugal só tinham direito a aceder gratuitamente a monumentos e museus aos domingos e feriados. No entanto, as longas filas à porta dos espaços aos fins de semana eram o grande problema. Ainda mais, quando acumulada com o acesso de turistas estrangeiros que, de modo geral, pagam bilhete.

A decisão tomada pela Ministra da Cultura entrou em vigor no início de agosto. Assim, todas os cidadãos passam a poder visitar os museus durante 52 dias, mas à escolha e sem pagar nada por isso.

Segundo Dalila Rodrigues, a finalidade é “levar os portugueses a visitar os nossos museus, a conhecer os seus acervos, a divulgar e valorizar o património”.

Por isso, o novo regime permite visitar mais de um monumento por dia, sendo apenas descontado um dia no “plafond” restante da pessoa. Em 2024, todos os residentes em território português terão direito a 22 dias de acesso gratuito.

Museus e monumentos abrangidos

O processo é simples: à entrada em cada museu ou monumento, cada visitante deve apresentar o Cartão de Cidadão e o número de contribuinte na bilheteira. Primeiramente é criado um registo, que passa depois a ser gerido através de uma base de dados.

37 museus, monumentos e equipamentos do Estado abrangidos por esta medida. Na Grande Lisboa, é possível visitar gratuitamente perto de 15 espaços, desde o Palácio Nacional de Mafra, a Torres de Belém, o Panteão Nacional, o Palácio Nacional da Ajuda, bem como o Museu dos Coches/Picadeiro Real.

Fora do perímetro de Lisboa, saltam à vista o Mosteiro de Alcobaça e o Convento de Cristo, em Tomar, classificado como património da humanidade, pela UNESCO.

Imagem: Pixabay

Eunice Muñoz homenageada com passeio pedonal em Lisboa

A partir de agora, Lisboa passa a ter um passeio pedonal chamado “Eunice Muñoz”. O espaço localizado junto à margem do rio Tejo homenageia uma das mais célebres atrizes de teatro em Portugal, pouco depois de se assinalarem dois anos sobre a sua morte.

Dezenas de pessoas, sobretudo amigos e familiares, estiveram presentes na inauguração. O descerramento da placa informativa coube ao Presidente da Câmara Municipal de Lisboa.

“É celebrar todos os dias a nossa cultura. É deixar uma marca para que daqui a cem anos aqueles que estiverem por aqui a passear estejam neste passeio Eunice Muñoz. E se há marca que eu quero deixar em Lisboa é o agradecimento aos que trabalham na cultura.”, disse Carlos Moedas na cerimónia de inauguração.

Eunice: uma história junto ao rio

De acordo com a autarquia, o passeio prolonga-se entre o Braço de Prata, em Marvila, e o Parque das Nações. Está localizado ao lado de um conjunto de edifícios da capital. Além disso, o percurso faz-se sempre junto ao rio Tejo.

“A Eunice foi uma mulher de um talento ímpar, uma mulher de dedicação constante à representação e uma mulher que nos recorda o valor da família. Hoje, Eunice Muñoz dá nome a um passeio da nossa Lisboa”, escreveu o autarca na rede social “X”, horas depois da cerimónia.

Eunice Muñoz nasceu na Amareleja, concelho de Moura, a 30 de julho de 1928. Estreou-se em Lisboa, no teatro D. Maria II, com apenas 13 anos. Morreu a 15 de abril de 1922, com 92 anos. Em síntese, deixa uma marca inigualável no teatro e na representação em Portugal.

A Câmara de Lisboa também vai homenagear outros nomes da cultura. O nome da rua E1 em Braço de Prata será atribuído à fadista Teresa Tarouca e a coreógrafa Águeda Sena dará nome à rua G1, na mesma localidade.

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Imagens: @Moedas no “X”

Teresa Canto Noronha: “Não sabia que tinha isso em mim”

Neste podcast Estado com Arte fui ao Mercado P´la Arte, um estacionamento transformado em galeria de arte, onde conversei com Teresa Canto Noronha, jornalista e artista autodidata.  

Nesta galeria improvisada, cedida pelo empreendimento imobiliário Prata Riverside Village, os artistas podem trazer o que quiserem, têm um espaço cedido gratuitamente, são mais de 40 artistas no mesmo espaço com entrada livre.

Acontece todos os primeiros sábados de cada mês, participam pessoas que expõem há muitos anos e artistas que expõem pela primeira vez.  Um ambiente muito variado de artistas que torna o Mercado P´la Arte apelativo para quem expõe: há uma relação direta com o público, podem partilhar ideias sobre as obras de arte.

A jornalista e artista plástica desta vez trouxe peças de 2017 a 2021, desenhos em papel com tinta-da-china, algumas já estiveram patentes numa exposição individual no palácio da Bolsa no Porto, que se chamava a falácia da perfeição. Uma abordagem à “ideia que temos sobre o que é a perfeição”.

Estes desenhos são ilusões de perfeição simétrica. Parecem simétricos, mas na verdade não são, estão cheios de erros propositados. “Como na vida?”, pergunto. É um pouco essa ideia: “vivemos obcecados com a perfeição, não existe e não é aquilo que nós pensamos que pode ser.”

Trouxe desenhos de estudo para uma exposição e uma fase de desenhos que veio depois “quase não tem cor, é uma fase de preto e branco, mais orgânica”.

“É muito interessante conhecer outros artistas e ter uma relação com o cliente, falar diretamente com quem vê o nosso trabalho. Perceber o que pensam e sentem.”

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Beatriz Horta Correia e Susana Prudêncio, organizadoras do Mercado P’la Arte, na última edição./ MARTA ROQUE

Não cresceu no meio artístico, mas viveu num ambiente familiar ligado à literatura, talvez aí tenha recebido alguma influência através do avô materno que era pintor, vivia em Angola e que pouco conheceu.

Nunca achou que fosse uma área que pudesse explorar, até porque estudou engenharia e enveredou pelo jornalismo. “Não sabia que tinha isso em mim.”

Em 2001 foi viver para Bruxelas, onde esteve como correspondente da RTP, e teve o seu primeiro apartamento, “Queria pôr nas paredes o que eu quisesse”.

Procurou obras de arte para decorar as paredes, mas a dada altura começou a comprar tecidos e telas para criar instalações em casa. Os amigos iam ajudando a criar as suas obras de arte.

Via muita arte em Bruxelas e isso terá sido importante para soltar-se e enverdar pela criação artística.

Quando esteve 4 anos como correspondente da Sic, em Roma “produzia, mas não mostrava a ninguém, por vergonha.”  Nunca chegou a expor os seus trabalhos, enquanto esteve a trabalhar fora.

É quando volta para Portugal que começa a fazer miniaturas de esculturas. Um dos seus trabalhos escultóricos explora a temática da comunicação, que embora seja a base do seu trabalho, tanto jornalístico como na arte, são comunicações completamente diferentes: o jornalismo comunica factos, realidades, denuncia, e a arte comunica emoções ideias, conceitos.

Assume que precisa também da arte “para se sentir mais completa”. A sua forma de expressão artística é “muito conceptual”. Nem sempre é fácil de compreender, o que dificulta a comunicação, mas por outro lado gosta que “as pessoas tenham de refletir um pouco mais”.

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Valentim Quaresma, joalheiro, um dos organizadores do Mercado P’la Arte./ MARTA ROQUE.

“Gosto que as pessoas olhem para o meu trabalho, que pensem que o estão a perceber, e que depois percebam que a primeira impressão não é a óbvia. Há sempre qualquer coisa de conceptual por detrás do meu trabalho.”

“Como não sou de belas-artes, sou autodidata, se calhar não havia espaço para mim”, diz a jornalista e artista. Mas aos poucos tem dado a conhecer o seu trabalho. Está agora a trabalhar tapeçaria de bordar no ponto de arroiolos, porque, no seu entender, “existe um novo espaço” para a arte têxtil. São desenhos para tapeçaria como se fosse papel, só que em bordado.

O trabalho tem por base um estudo de desenhos de arquitetura sobre os anos 40, 50 e 60 do século XX, anos que considera “muito interessantes do ponto de vista arquitectónico, de design, e das artes”. Um trabalho em que está a recuperar técnicas antigas do bordado português, para tapeçaria de bordado. Mas admite que tem como matéria preferida a madeira, em que faz todo o trabalho de produção do material,  utilizando as técnicas de marcenaria e de carpintaria. Também gosta de trabalhar materiais orgânicos e recicláveis como a lã. 

Para o próximo ano está a pensar fazer uma exposição individual com os novos trabalhos de tapeçaria e alguns da sua coletânea.

Duas coleções, um novo museu e o renascimento da política museológica

No Centro Cultural de Belém, o ano começou com o fim de um museu e o surgimento de um novo no seu lugar. 

Na verdade, o que mudou em termos práticos foi apenas o nome mas, o que está planeado é muito mais do que a substituição de um museu por outro.

Com a extinção da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea – Coleção Berardo, o Ministério da Cultura aproveitou o momento para criar no Centro Cultural de Belém um novo museu, o Museu de Arte Contemporânea – Centro Cultural de Belém utilizando como base a Coleção Berardo, arrestada pelo Estado na sequência do processo judicial instaurado a Joe Berardo, mas também a Coleção da Fundação Elipse, já propriedade do Estado na sequência do processo judicial encetado a João Rendeiro.

Desta forma, o ministério tutelado por Pedro Adão e Silva, pretende criar um museu de arte moderna contemporânea de renome mundial no território português.

Segundo o ministro da cultura por enquanto, apenas se altera o nome, visto que o espaço expositivo vai manter-se igual, prevendo-se que as adaptações e reformulações programáticas e expositivas ocorram durante o presente ano.

Deste modo, o governo português esboça uma política museológica coerente e racional. 

Não é que o Museu Coleção Berardo, não fosse já um museu de renome internacional devido à qualidade e importância da sua coleção, sendo já um dos museus mais visitados em Portugal atingindo mais de 1 milhão de visitantes nos anos pré-pandemia. 

No entanto ao juntar à Coleção Berardo, centrada no século XX  (e que aumentou gradualmente no número de obras ascendendo já a mais de mil), a coleção elipse com um acervo de 860 obras, que não se sobrepõe antes complementa, ao reunir trabalhos dos últimos quarenta anos mostrando a realidade artística nas transição do século XX para o XXI, criam-se condições para o surgimento do mais importante museu de arte contemporânea da Península Ibérica como afirma o historiador de arte Pedro Lapa.

É verdade que este processo está longe de ser pacífico e ficar concluído, já que a Coleção Berardo está ainda envolta num processo judicial complexo até que se saiba quem será o proprietário final da mesma.

Também a planificação da nova instituição museal é completamente diferente dos cânones da museologia. O novo Museu existe já desde o passado dia 3 sem que nada para além do nome tenha mudado. De resto, o próprio  Centro Cultural de Belém é dúbio na informação que fornece no seu website, ao escrever que o museu continua em funcionamento, já não é Museu Coleção Berardo, mas também ainda não é o Museu de Arte Contemporânea, prevendo até uma inauguração futura para este novo museu.

Estamos, portanto, na presença de um museu que surge herdando a política expositiva e a programação museológica de uma instituição já extinta e que terá de adaptar a sua identidade museal sem deixar de estar visitável ao público.

Em todo o caso, o Ministério da Cultura, que tanto tem sido acusado de inércia, tendo estado na anterior legislatura, envolvido em polémicas como a que abordava o desconhecimento do paradeiro de algumas obras da coleção de arte contemporânea, a CACE, parece usar este momento para empreender uma política museológica correcta.

Como se sabe os museus são hoje uma referência no panorama cultural, e os museus de arte sobretudo os de arte contemporânea são um grande atrativo cultural, mas também turístico.

Criar um novo museu com um acervo que apresenta uma qualidade superior ao  do Museu Coleção Berardo é exponenciar esse atrativo cultural e turístico

É evidente que nos tempos que correm falar em atrativo turístico é algo que acarreta, muitas vezes, uma conotação negativa. Em todo o caso, os museus sendo instituições culturais com fins pedagógicos pautando o seu trabalho pela investigação, educação e cultura, são ótimos espaços para fomentar um turismo de qualidade, atraindo o visitante local e o turista para um espaço com coleções que devem ser estudadas, expostas e interpretadas. Um espaço, que auxilia uma política de desenvolvimento sustentável, onde a economia não estrangula a qualidade de vida e contribui para a criação de uma sociedade mais culta, conhecedora e esclarecida. Desta forma contraria-se o crescente e preocupante crescimento de locais interativos, cheios de tecnologia que apenas procuram entreter e pouco ensinar ou educar e que ajudam cidades como Lisboa a transformarem-se paulatinamente em grandes parques de diversão. Não é que não existam centros interpretativos com qualidade, onde a investigação e a educação sejam pilares fortalecedores. No entanto, sabemos como é voraz a tentação para criar espaços de puro entretenimento, rápido e escasso em informação relevante, utilizando o fantástico mundo tecnológico para atrair visitantes.  

Ao mesmo tempo que todo este processo se desenvolve, o ministro da cultura anuncia as obras de ampliação do Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado. Desta forma, surge uma dicotomia entre duas instituições museológicas públicas que embora não se distingam pelo tema, distinguem-se pela geografia dos autores das obras. 

O Museu Nacional de Arte Contemporânea – Museu do Chiado, mais dedicado à arte contemporânea nacional e o Museu de Arte Contemporânea – CCB para a arte contemporânea internacional. Deve aqui fazer-se referência ao facto do MAC – CCB incluir também as obras de artistas nacionais presentes tanto na coleção Berardo, como na Coleção Ellipse. Além do mais o MAC – CCB deverá receber todas as obras de artistas portugueses de renome internacional como é o caso da mais recente obra adquirida pelo Estado da autoria de Paula Rego.

Esta opção política pode ser criticável, no sentido de remeter o MNAC –  Museu do Chiado para um plano secundário, apenas caseiro, mas tendo em conta as circunstâncias torna-se uma opção bastante atendível e acertada.

Também acertada é a opção de transitar a equipa do antigo Museu da Coleção Berardo, até agora, funcionários da Fundação de Arte Moderna e Contemporânea – Coleção Berardo para o corpo de funcionários da Fundação Centro Cultural de Belém.

É uma forma de manter os postos de trabalho de quem há muito tempo trabalha com a coleção Berardo, evitando sobressaltos laborais que inclusivamente afetariam a estabilidade programática do novo museu.