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Gonçalo Hall, o português que está a mudar a comunidade de nómadas digitais no Brasil

Apaixonado por juntar o trabalho remoto a lugares interessantes, Gonçalo Hall, criou o projeto Digital Nomad Village, em Ponto do Sol, na Madeira. Agora, prepara-se para voar até ao Brasil para criar a primeira comunidade de nómadas digitais. Tem mantido colaborações com empresas e organizações com o intuito de transformar o nomadismo digital. No seu podcast Remote Work Movement, conversa com personalidades influentes deste universo do trabalho remoto.

A TejoMag esteve à conversa com o também formador e consultor e quis perceber o que o futuro lhe reserva no país ‘irmão’. Além disso, o nómada digital analisou o que se está a passar em Lisboa que, outrora, foi o destino preferido para muitos!

Quais são os seus objetivos no que toca à comunidade de digital nomads no Rio de Janeiro?

Após o sucesso significativo do nosso projeto na Madeira, fui convidado pela cidade do Rio de Janeiro para liderar o projeto Digital Nomads Rio. O objetivo é atrair um número crescente de nómadas digitais para a cidade e consolidar o Rio de Janeiro como um dos principais destinos globais para este público. É uma cidade vibrante, com uma riqueza cultural e natural impressionante. Acredito que merece mais atenção por parte da comunidade de nómadas digitais.

Neste momento, estamos a estabelecer parcerias locais e a organizar eventos que promovam a integração destas comunidades. O nosso objetivo é que, dentro de um ou dois anos, o Rio de Janeiro se torne num hub de referência para milhares de nómadas digitais. Isto não só trará uma maior internacionalização da cidade, mas também contribuirá para o crescimento do ecossistema de startups, empreendedorismo e trabalho remoto.

Madeira é caso de sucesso

Como é que Portugal pode atrair mais nómadas digitais e quais os benefícios que isso traria?

Portugal já foi o destino preferido de milhares de nómadas digitais, especialmente em Lisboa. No entanto, com a redução dessa dinâmica na capital, temos assistido ao florescimento de novas comunidades noutros locais do país, como Lagos, Portimão, Ericeira, Madeira e Porto, o que, a longo prazo, é vantajoso para a descentralização.

Temos uma oportunidade única de continuar a atrair pessoas inovadoras e talentosas para Portugal, que não só trabalharão a partir do nosso país, mas também terão a oportunidade de conhecer a nossa cultura, investir na nossa economia e partilhar o seu conhecimento com a comunidade local. O impacto económico positivo é evidente, como demonstra o exemplo da Madeira, onde os nómadas digitais geram mais de 30 milhões de euros por ano.

Mas é igualmente importante destacar o impacto social, com muitos nómadas a contribuírem ativamente para as comunidades locais, seja através do seu conhecimento, projetos ou trabalho. Portugal tem aqui uma grande oportunidade de diversificar e fortalecer a sua economia, descentralizando a comunidade de nómadas digitais de Lisboa para outros destinos com maior sazonalidade ou que beneficiariam de iniciativas de repovoamento e revitalização económica.

 

Author: Miguel Penhalta

Metro de Lisboa: onde estão os milhões?

O Metro de Lisboa executou apenas 565 mil euros dos 66,2 milhões de euros investidos pelo o Plano de Recuperação e Resiliência (PRR). Significa isto que menos de 1% do valor previsto do financiamento para 2023 foi concretizado. A empresa, citada pelo Jornal de Negócios, justifica-se com atrasos em concursos e expropriações.

Os principais projetos registaram uma taxa de execução de 99% abaixo do previsto. Desta forma, coloca em causa a expansão da Linha Vermelha e a construção da Linha Violeta que irá ligar Loures e Odivelas. O relatório de 2023 do Metro de Lisboa revela que houve um desvio de cerca 54 milhões de euros do orçamento para o projeto de expansão da linha Vermelha entre as estações de São Sebastião e Alcântara.

Problemas continuam

Além disso, alguns dos problemas mais reportados pelos utilizadores continuam sem solução: elevadores e escadas rolantes avariados. Feitas as contas, 22 dos 121 elevadores (18%) e 39 dos 244 escadas e tapetes rolantes (16%) estão inoperacionais, revela o Lisboa para Pessoas.

No caso da criação de um metro entre Loures e Odivelas estão parados 527 milhões (390 milhões oriundos do PRR). Assim sendo, há obras por iniciar devido a atrasos no processo de contratação pública. A baixa concretização destes investimentos pode colocar em causa o cumprimento dos objetivos de desenvolvimento económico e social associados ao PRR, alerta o conselho fiscal da empresa.

 

Autor: Miguel Penhalta

Zara abre segunda maior loja do mundo em Lisboa

Está para breve a abertura da segunda maior loja Zara no mundo. O edifício que albergava a antiga Pastelaria Suíça, na Praça do Rossio, é o local escolhido pelo grupo espanhol Inditex para abrir o novo ponto de venda da marca de roupa, calçado e acessórios. 

A inauguração da loja acontece a 5 de setembro e antecede a esperada abertura de portas. Há vários meses que o edifício estava a ser intervencionado. O novo espaço terá 7.700 metros quadrados de área e vai ocupar assim grande parte do quarteirão do Rossio. A loja terá também janelas e portas para as traseiras, viradas para a Praça da Figueira. 

O novo ponto de venda da Zara está inserido num lote de quatro edifícios, adquiridos pela também espanhola Mabel Capital em 2018 por 62 milhões de euros. Assim, além desta insígnia, o espaço vai receber diversas outras marcas.

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Zara e Zara Home juntas no mesmo espaço

Em termos de área, a nova loja de Lisboa será apenas superada pela gigantesca Zara em Madrid, com 9.900 metros quadrados. A loja situada no edifício “España” dá emprego a mais de 300 pessoas de 20 nacionalidades diferentes. Dentro do espaço, estão disponíveis também as insígnias Zara Home e Stradivarius.

Em Portugal, a nova loja do Rossio também terá uma área dedicada à Zara Home, a marca de artigos para a casa. 

Na Grande Lisboa, esta insígnia existe atualmente no Colombo (a maior do país), nos centros comerciais Amoreiras, Oeiras Parque, CascaiShopping, Alegro Montijo e Almada Fórum. Há também espaços físicos de rua nas avenidas Guerra Junqueiro e António Augusto Aguiar. 

Desde janeiro que a Zara Home tem também um espaço For&From no Freeport, em Alcochete. A iniciativa da Inditex serve para integrar trabalhadores com deficiência. Portugal foi o terceiro país do mundo a receber este conceito de loja, depois de Espanha e Itália.

IKEA abre primeira loja pop-up no Colombo

O Centro Comercial Colombo foi o local escolhido pela IKEA para abrir a primeira loja de conceito pop-up em Portugal. O novo espaço abre em setembro e deverá encerrar em fevereiro.

O espaço vai ficar instalado no piso 0, num dos acessos à praça central do shopping com mais lojas no país. Estará disponível um número limitado de produtos, nomeadamente acessórios e pequenos móveis. Além disso, o novo espaço dará emprego a 11 pessoas.

“Inicialmente focada na gama de Sono, a grande prioridade para o próximo período, a nova loja pop-up terá a gama de produtos disponível para compra renovada frequentemente”, refere a diretora comercial da marca, em comunicado.

O horário de funcionamento será o mesmo que é praticado no restante centro comercial.

IKEA cumpre duas décadas em Portugal

“A IKEA chegou a Portugal há 20 anos e uma parte importante da relação de proximidade entre a marca e os portugueses deve-se à nossa capacidade de inovar e de procurarmos estar sempre ao lado das pessoas. Por um lado, com produtos e soluções relevantes e acessíveis para as suas casas e, por outro, continuar a criar e a consolidar canais e serviços que nos tornem ainda mais próximos.”

A chegada da IKEA ao Colombo fica também marcada pela abertura de mais um ponto de recolha móvel. A infraestrutura estará disponível no parque de estacionamento, todos os dias da semana, mediante marcação.

Saúde Materna: Entre a medicalização excessiva e a humanização do Parto

Segundo o relatório das Nações Unidas sobre a situação da população mundial na saúde e direitos sexuais e reprodutivos, divulgado a 17 de abril deste ano no Instituto Camões em Lisboa, nas últimas duas décadas assistiu-se a uma diminuição global da mortalidade materna (número de mortes relacionadas com a gravidez e o parto por 100 mil recém-nascidos) de 34%.

Apesar de “o rácio de mortalidade materna ser universalmente considerado como um indicador importante da qualidade dos cuidados de saúde obstétricos”, este número mascara uma realidade bipolar, em que ao mesmo tempo que nos países em desenvolvimento se procura, ainda, “trazer cuidados seguros e acessíveis a todas as mulheres”, nos países desenvolvidos está a haver uma “rápida expansão de práticas criadas para começar, aumentar, acelerar, regular ou monitorizar o processo fisiológico do parto”.

O objectivo destes últimos é o de melhorar os resultados para as mães e os seus bebés”, mas, tendo-se generalizado, “têm sido levantadas cada vez mais questões no que toca ao valor de níveis tão altos de intervenção”, dado que esta medicalização, “tendencialmente mina a própria capacidade da mulher de dar à luz e impacta negativamente a sua experiência de parto”.

O que diz a OMS

De facto, segundo a Organização Mundial de Saúde, “muitos dos que tentam melhorar os serviços de maternidade correm o risco” de porem em prática “intervenções que “não ajudam, não são apropriadas e/ou mesmo não necessárias”. Segundo a mesma organização, isto acontece porque, “em muitos países, os obstetras concluem que os cuidados durante um parto normal devem ser similares aos cuidados durante um parto com complicações”.

Embora “não exista um conceito standart ou universal de “normalidade” no parto”, crê-se que “a maioria dos nascimentos, globalmente, ocorrem entre mulheres sem fatores de risco para elas próprias e para os seus bebés, quer no início, como durante o trabalho de parto”.

“Não obstante, a altura do nascimento é crítica para a sobrevivência das mulheres e dos bebés”. Por esse motivo, têm sido “encorajadas a dar à luz em estabelecimentos de saúde. Isto permite assegurar o seu acesso a profissionais treinados e a intervenção atempada no caso de ocorrerem complicações” dado que “a morbilidade e a mortalidade podem crescer consideravelmente se estas surgirem”.

Grávidas saudáveis recebem intervenções clínicas

“No entanto, estas condições não garantem cuidados de boa qualidade. De facto, globalmente e principalmente junto de populações menos privilegiadas, os cuidados maternos indignos prevalecem, o que constitui uma violação dos direitos humanos.”

“O modelo de cuidados durante o parto em muitas partes do mundo permite que seja o profissional de saúde a controlar o processo, o que pode expor uma grávida aparentemente saudável a intervenções médicas desnecessárias que interferem com o processo fisiológico natural do nascimento.”

Os “estudos mostram que uma percentagem substancial de grávidas saudáveis é sujeita a, pelo menos, uma intervenção clínica durante o parto, tal como indução do mesmo, aumento da oxitocina ou cesariana, bem como intervenções de rotina ineficazes e potencialmente prejudiciais, tais como enemas, fluidos intravenosos ou administração de antibióticos.”

O que é a violência obstétrica?

Esta “abordagem intervencionista não é adequadamente sensível às necessidades pessoais da mulher e da sua família, e pode enfraquecer as suas capacidades durante o parto e ter um impacto negativo na sua experiência de dar à luz.”

E quando “a integridade e autonomia da pessoa em processo de conceção, gestante, parturiente ou puérpera, é violada, na forma de interações humilhantes ou não dignificantes, que são experienciadas enquanto tal ou que têm intenção de o ser, estamos perante violência obstétrica”.

“A violência obstétrica é reconhecida como uma forma de violência baseada no género com prevalência global”. E, embora estudos recentes “registem uma normalização de múltiplas formas de maus-tratos no contexto dos serviços de assistência obstétrica em Portugal”, mostrando que “o nosso país não é excepção relativamente a esta problemática”, o Colégio da Especialidade de Ginecologia e Obstetrícia da Ordem dos Médicos relembra que estamos “seguramente entre os países do mundo onde se regista um menor número de maus-tratos durante a gravidez”.

A posição da Ordem dos Médicos

A mesma organização, que a 26 de julho de 2021 foi solicitada a pronunciar-se sobre este assunto, defende também que “embora haja certamente aspetos a melhorar, não devemos deixar que nos confundam e que se crie um ambiente de crispação entre as grávidas, as suas famílias e os profissionais de saúde”, pois, apesar de à Ordem dos Médicos chegarem, esporadicamente, queixas de experiências negativas, quase sempre se constata “que foram cumpridas as boas práticas e que ‘mau trato’ teria sido não se terem providenciado as intervenções que se realizaram”.

Na mesma emissão informativa, o Colégio esclarece que “o sistema público tem de assegurar cuidados equitativos a todas as grávidas, com urgências abertas 24 horas por dia e, tendo as equipas de assistir, ao mesmo tempo, a todo o serviço com que se depararam, isto ocorre umas vezes, de forma tranquila, outras vezes em situações de rutura com casos de vida ou morte pela frente. Esta organização é universal, equitativa, muito eficaz e segura, mas é potencialmente geradora de tensões e conflitos, nomeadamente num momento tão especial e emocional como o parto”

Como solução para esta questão, sugere-se “um esforço contínuo de bom acolhimento e comunicação com as grávidas e as suas famílias”, mas também o “combate de protagonismos e populismos, alimentados por pessoas sem a devida preparação obstétrica, que confundem e minam a relação fundamental de confiança que deve existir entre os profissionais de saúde, as grávidas e as suas famílias.”

Na conclusão da sua comunicação, a Ordem dos Médicos incentiva as grávidas e as famílias a “informar-se junto de fontes credíveis, sem dar ouvidos a fontes manipuladoras, confiar nos profissionais de saúde e colocar-lhes as suas dúvidas e expectativas, sendo que reclamações devidamente fundamentadas são bem-vindas, ao contrário de reclamações sem fundamento que envolvem custos consideráveis e que ocupam muitas horas os serviços e os profissionais, subtraindo-lhes tempo para a resolução de problemas prioritários”.

A legislação portuguesa

Em Portugal, existe desde 2014 legislação que “estabelece os princípios, direitos e deveres aplicáveis em matéria de proteção na preconcepção, na procriação medicamente assistida, na gravidez, no parto, no nascimento e no puerpério”, tanto relativamente à mãe como relativamente “ao pai, a outra mãe, ou a pessoa de referência, e a todas as pessoas que se encontrem na qualidade de acompanhante.”

Esta legislação foi alterada pela segunda vez em 2019, pela Lei n.º 110/2019 de 9 de setembro, revestindo-se esta de especial importância por reconhecer os direitos referidos (que incluem, entre outros, o direito ao consentimento informado, à confidencialidade e privacidade, à dignidade e respeito) seguindo as orientações da Organização Mundial de Saúde e também por decretar que “para efeitos de avaliação e monitorização da satisfação da mulher grávida relativamente aos cuidados de saúde durante a assistência na gravidez e no parto, a Direção-Geral da Saúde (DGS) deve disponibilizar um questionário de satisfação, a preencher por via electrónica, e proceder à divulgação anual dos seus resultados acompanhados de recomendações.”.

Implementação da legislação

Relativamente a este questionário, e embora a lei referida tenha entrado em vigor em setembro de 2019, a recomendação de divulgação anual dos resultados, à excepção de um “Relatório Questionário de Satisfação do Utente – Internamento de Ginecologia – Serviço de Ginecologia e Obstetrícia” publicado a 12 de fevereiro deste ano pela Unidade Local de Saúde de Lisboa Ocidental, parece não ter sido implementada ou pelo menos não de uma forma óbvia, sendo que uma pesquisa online apenas resulta em dois documentos com orientações da DGS, mas que não referem qualquer questionário aos utentes.

Neste documento, divulga-se os resultados de uma avaliação do serviço feita por 16% da população alvo (os doentes do internamento do Serviço de Ginecologia) em que, relativamente ao atendimento em geral, à garantia de confidencialidade e ao atendimento em particular (que aborda ao todo 9 valores, desde a “Amabilidade dos Assistentes Técnicos” até à “Acessibilidade Física”), foi solicitado que avaliassem o atendimento numa escala de cinco valores, desde “Muito insatisfeito” até “Muito satisfeito”.

No entanto, para além da divulgação dos resultados em si e de um espaço destinado à partilha de “Elogios” e “Sugestões de Melhoria”, não existe neste relatório qualquer recomendação da DGS.

Testemunhos de um novo movimento

Para além das recomendações legais e institucionais, que já começam a alertar e a propor solução para a problemática, tem crescido em Portugal um movimento em que mulheres têm dado o seu testemunho publicamente, denunciando situações de violência obstétrica.

Exemplo disso é o testemunho de Patrícia Vinagre, que à TVI conta que a um dia de completar as 40 semanas da gravidez da sua segunda filha é internada por deteção de pré-eclampsia. Informada de que tinha de ser internada e que lhe iria ser induzido o parto, refere que “tentaram-me fazer, e fizeram-me, várias vezes o toque, o qual me magoava muito, não me pediam autorização para o fazer, simplesmente faziam (…) Chorei bastante, desesperada, a pedir que parassem de o fazer”. Patrícia refere que decidiu falar num programa de televisão, porque queria alertar outras mulheres e incentivar a que “não se calassem

Também Laura Ramos, no site da Associação Portuguesa pelos Direitos da Mulher na Gravidez e Parto conta que, “apesar de toda a informação que já tinha, não consegui evitar mais uma péssima experiência de parto num hospital de Lisboa”.  E, “por isso ingressei na APDMGP e decidi tornar-me ativista pelos direitos das mulheres na gravidez e no parto”.

“Nascer com Direitos”

Mia Negrão é outra ativista proeminente pelos direitos na gravidez e no parto, tendo já publicado sobre o tema o livro “O Meu Parto, as Minhas Regras” (publicado pela editora Arena) e fundou também o projeto “Nascer com Direitos”.

No site “Plano de Parto” refere que a violência obstétrica pode traduzir-se em “agressões verbais, proibições e restrições de gritar, de movimentar, de ter acompanhante(s), humilhações, ameaças e coacção” e até mesmo “ofensas à integridade física, nomeadamente empurrões, amarrar a parturiente à cama, fazer pressão e bater na barriga, entre outros”. No entanto, acrescenta que, no fundo, trata-se de “ignorar o carácter natural e fisiológico do parto, que é tomado como patologia em relação à qual existe necessidade de intervenção.”

Para além das denúncias, os/as ativistas avançam com uma solução, exigindo às equipas médicas “uma forma de conduta segura e respeitosa (…) baseada em evidências científicas actuais e guiada por orientações da Organização Mundial de Saúde – OMS”. É aqui que entra o conceito de “Parto Humanizado”.

O que é o parto humanizado?

No site “Meu Parto” esclarece-se que “o parto humanizado não é um tipo de parto” pois, de facto, “dar à luz com uma assistência humanizada significa ter à disposição o melhor amparo médico e tecnológico para garantir a segurança da mãe e do bebé, e só receber intervenções quando for realmente necessário”. Sendo que num “parto humanizado, quem decide os métodos para alívio da dor é a mulher. Nele, não existe um roteiro, todos os recursos são escolhidos por ela e intervenções médicas só são realizadas em caso de necessidade”.

A mesma fonte adianta que “como o corpo feminino é naturalmente preparado para a gravidez e para o nascimento, a equipa de atendimento humanizado respeita a autonomia da mulher. (…) Por isso, o curso natural do trabalho de parto é respeitado e a equipe só interfere se houver necessidade e com o consentimento da mulher.”.

O outro lado do parto humanizado

No entanto, é importante fazer também notar que o parto humanizado não é uma solução simples. De facto, outras fontes alertam para a possibilidade de “a demora em interromper um parto normal com problemas, por exemplo, (…) trazer graves complicações” e que o parto humanizado não será recomendado em situações de “gravidez de risco, gestação tardia ou na adolescência, gravidez de gémeos e em casos em que o bebé está numa posição desfavorável” .

O testemunho de Cristina Cardigo, no seu website, descreve “um parto muito intervencionado que me deixou um amargo na boca”. Tendo escolhido o hospital onde queria que o seu filho nascesse, salienta também que desejava um parto natural. Esse desejo levou a que pedisse, por duas vezes, o adiamento da indução do parto, mesmo informada pela equipa médica de que “aumentava substancialmente o risco de infecção”.

A epidural foi outra intervenção médica que Cristina só autorizou (depois de uma recusa inicial) “quando não aguentava com tantas dores, e sabia que só estava a adiar porque queria sentir-me forte e fazer o processo natural”.

Cristina descreve os momentos imediatamente anteriores ao parto, em que “tinha (…) uma enfermeira em cima da minha barriga a empurrar o bebé por fora. Até que chamou a médica. Iriam usar os fórceps, porque eu não estava a ser capaz.”. Mais tarde, foi informada de que o seu bebé “tinha o cordão enrolado em duas zonas do corpo o que levou a uma dificuldade maior em sair”.

Uma solução complexa

Verifica-se aqui que, tal de como referido acima, a questão do parto humanizado é mais complexa do que à primeira vista se pode notar: ao mesmo tempo que temos a vontade da mãe e da sua família, temos também decisões médicas que podem ter de ser tomadas com conhecimento clínico.

Iniciativa Art in Avenida transforma a Avenida da Liberdade numa galeria de arte

As obras foram selecionadas pela Sociedade Nacional de Belas Artes em parceria com a Associação Avenida. São 11 os pontos que fazem parte do “Circuito Art in Avenida”. Tanto as lojas (André Ópticas, Boutique dos Relógios Plus, Livraria Buchholz, Luís Onofre, Pinko, Stivali) como os hotéis (138 Liberdade Hotel, Hotel Valverde Lisboa, Sofitel, The One Palácio da Anunciada, Tivoli Avenida da Liberdade) levam-nos a percorrer uma das artérias mais icónicas da nossa capital. Tudo isto enquanto nos apresenta uma pequena (mas variada) amostra de criações artísticas.

Ana Wever, Fernando Cruz, Alexandra Faria, Carlos Mateus, Irene Gonçalves, Beatriz Cunha, Álvaro Carneiro, Maria Lúcia Veiga, Gilda Carmona, Isabel Ceia e Susana Piteira são os artistas selecionados pela Sociedade Nacional de Belas Artes para exporem os seus originais ao público. O acesso é livre e permite apreciar desde pinturas, esculturas, colagens até fotografia e artes plásticas. Tudo isto enquanto desfruta dos espaços ao ar livre da Avenida da Liberdade.

Como aceder?

art-in-avenida-1-300x200 Iniciativa Art in Avenida transforma a Avenida da Liberdade numa galeria de arte

Foto por: Raquel Costa

Como apoio à participação na iniciativa, a organização disponibiliza um panfleto onde se pode encontrar um mapa que indica a localização das lojas/hotéis e respetivos artistas participantes. Assim, e para não perder nada, poderá iniciar a descida da avenida na rotunda do Marquês de Pombal (com fácil acesso pelo metro, quer através da linha Amarela, quer através da linha Azul).

Depois disso, bastará apenas aproveitar o tempo quente para dar um passeio diferente. Poderá parar em todos os pontos ou selecionar aqueles que lhe despertam especial interesse, indicando ao entrar que pretende ver as obras de arte. Encontrará as peças integradas na estética da loja/hotel, como se fizessem parte da decoração e sempre alguém disponível para o receber.

Pedro Cabaço entra para a Forbes Portugal 30 Under 30

Pedro Cabaço começou a sua carreira ao ser, há longa data, jogador de videojogos, com o desejo de criar um negócio por conta própria. Aos 13 anos, desenvolveu e lançou o seu primeiro jogo, que diz não ter sido dos seus “melhores projectos”. Conheceu o sucesso quando estreou o jogo Super Crossbar Challenge que obteve 2 milhões de downloads. 

O percurso de Pedro Cabaço continuou na Volt Games, empresa de que é Co-Fundador e CEO. Já esteve na Web Summit, onde partilhou detalhes sobre qual o seu papel na empresa que criou, bem como os seus grandes objectivos. Hoje foi nomeado pela Forbes para o grupo dos 30 under 30.

Na Volt Games continuou a desenvolver o seu percurso e os seus projetos. Defende a importância da estabilidade emocional na sua empresa para o alcance do sucesso e diz-se “feliz por seguir este caminho, a fazer o que gosta, com as pessoas que gosta”.

Pedro Cabaço diz que fora da sua área de trabalho, gosta de futebol, acha que o trabalho de equipa que existe, reflete o trabalho da sua empresa.

Texto: José Cândido e Daniela Coixão

4 de Julho: Dia da Rainha Santa Isabel de Portugal

Se é português ou vive em Portugal, certamente já ouviu falar na Rainha Santa Isabel, ou até mesmo no “Milagre das Rosas”. Mas quem é esta figura, tão presente na cultura popular portuguesa, com festas, procissões, romarias e até mesmo um dia em sua honra, de quem tão frequentemente ouvimos falar? Hoje, aniversário da sua morte, falamos um pouco deste nome incontornável da História de Portugal.

Filha de Pedro III de Aragão, D. Isabel cresce na corte aragonesa e cedo demonstra inclinação para a vida monástica. Ainda jovem, e apesar de ter outros pretendentes, acaba por casar com D. Dinis nos inícios da década de 80 do século XIII e é assim que se torna rainha consorte portuguesa. D. Isabel destaca-se, por um lado, pelo seu carácter interventivo. A rainha acompanhava o marido em diversas áreas da governação e nas suas deslocações pelo reino. Desempenhou um papel de mediação, primeiro, no conflito de D. Dinis com o seu irmão D. Afonso, que questionava a sua legitimidade como herdeiro ao trono de D. Afonso III. Depois, no desacordo de D. Dinis com o próprio filho D. Afonso (futuro D. Afonso IV), num confronto de suspeitas mútuas, onde D. Dinis temia ser deposto e o príncipe receava que o pai entregasse o reino ao seu meio-irmão bastardo, D. Afonso Sanches. Após a morte do marido, interveio ainda em conflitos do filho D. Afonso IV com Afonso Sanches e, posteriormente, com D. Afonso XI de Castela. Por outro lado, é recordada também pela sua preocupação com o povo. Consta que aproveitava as viagens com o marido para ajudar os mais pobres, tendo deixado um legado de construção de obras para os doentes, para as mulheres e para os mais carenciados, como hospitais e albergarias, particularmente na zona centro do reino.

É desta forma de estar que surge a popularidade de D. Isabel e, concretamente, o “Milagre das Rosas”. Diz-nos a lenda que se tornaram do conhecimento de D. Dinis as iniciativas solidárias da rainha e que este não as aprovava. Um dia, terá abordado D. Isabel a meio de uma destas acções e questionado o que levava ela no regaço. D. Isabel responde ao rei que leva rosas que, diga-se, não desabrochavam naquela altura do ano. Na verdade, levava pão para os pobres. Quando expõe o conteúdo do que consigo levava, o pão transforma-se em rosas. A Rainha Santa Isabel morreu como viveu, interventiva e dotada de um espírito preocupado, mediador e diplomático, a meio de uma viagem pelo Alentejo com o objectivo de amenizar o conflito entre o seu filho D. Afonso IV e o seu neto, D. Afonso XI de Castela. A Rainha Santa morreu neste dia, há 688 anos. Em 2025 celebram-se 400 anos da sua canonização.

Texto: José Cândido e João Nunes

Candidato Presidencial denuncia racismo contra brancos na África do Sul

Ao comentar uma opinião de Carlão, vocalista dos “Da Weasel” no Expresso, Tim Vieira denuncia o racismo contra os cidadãos brancos na África do Sul, local onde nasceu e cresceu, explicando também que há um partido que canta sobre matar brancos muito abertamente, e alertando para os perigos de nos tornarmos vítimas deste tipo de forças políticas na África do Sul.

Tim Vieira acrescenta ainda que devemos saber ver e moderar a vitimização, devido ao facto de haver pessoas que se fazem de vítimas de racismo em casos que não o justificam, para melhorarmos o mundo temos de começar por nós mesmos e sermos um exemplo para a sociedade, para que possamos progredir e fazer dele um lugar melhor e mais seguro. 

Relata que ao longo do tempo em que esteve na África do Sul, “foi visado por ser Português e também por ser considerado um cidadão de segunda classe” [Tim Vieira, LinkedIn 2024], tendo sentido necessidade de se expressar, porque sabia que a história de racismo que contaria não seria só dele.

Texto: Daniela Coixão e José Cândido

Estes são os melhores Clubes de Leitura em Lisboa

Com a comemoração do dia mundial do livro, celebrado a 23 de Abril,  recordamo-nos que a prática da leitura é um prazer que se pode relevar bastante frustrante. O final de um livro traz sempre a questão ” o que vou ler a seguir?”. No entanto, os Clubes de Leitura podem ajudar a escolher o próximo título e também a encontrar uma comunidade que alimente o hábito da leitura, com um espaço de reflexão onde é possível discutir literatura. Em Lisboa, há diversos Clubes de Leitura para os mais variados géneros literários e com diferentes conceitos.

Clubes de Leitura a conhecer

Clube de Leitura de Poesia

Este é um clube de leitura promovido pela Casa Fernando Pessoa , tem como foco a leitura de poesia e todos os meses é selecionado um poeta diferente para análise. Para além disso, não requer inscrição prévia, apenas levantamento do bilhete no dia do evento.

Leia Mulheres Lisboa

Leia Mulheres Lisboa é um clube de leitura criado pelo Museu do Aljube. O objetivo é motivar a leitura de mais autoras, nos mais diversos géneros e divulgar nomes femininos do mundo editorial. Este clube reúne-se todos os meses no Museu do Aljube e não é necessária inscrição.

Clube do Livro Silencioso

O Clube do Livro Silencioso serve para todos os que apenas querem ler o seu livro em silêncio, sem a pressão de terem que ler o livro do mês. Acontece na Livraria Snob, todos os quartos sábados de cada mês, das 11.00 às 12.30.

Clube de Leitura de Peças de Teatro

Os Artistas Unidos em conjunto com o Teatro da Cidade, desenvolveram um clube de leitura exclusivamente para peças de Teatro. Todos os meses é selecionada uma peça diferente, que é depois lida e discutida no Teatro da Politécnica. Assim, acontece na última segunda-feira de cada mês das 19.00 às 21.00. É necessária inscrição prévia.

Por fim, a não esquecer a rede de Bibliotecas de Lisboa, que não só promovem diversos eventos como clubes de leituras, mas também conversas, ciclos e exposições. Para além disso, é sempre possível requisitar livros de forma gratuita.